Guia de Fundos – Análise de Fundos de Investimento

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A análise de fundos de investimento nada mais é do que uma análise dos retornos ajustados para risco da carteira de investimentos. Isso porque a análise de retorno ajustado reflete o conceito de “otimização de carteira de investimento”, de que ao escolher os ativos que compoem a carteira de investimentos do fundo, o gestor deve procurar aqueles que minimizam o risco para um objetivo específico de rentabilidade.
Existem vários indicadores de risco ajustado, sendo que a principal diferença entre eles é a forma de cálculo do retorno (absoluto ou em relação a um benchmark) e a metodologia de cálculo da volatilidade (ou risco) da carteira. Abaixo discutimos os principais indicadores de risco ajustado usados no mercado financeiro.

Índices de Retorno Ajustado
Índices de Retorno Relativo

Análise de Risco

Índices de retorno relativo Voltar


Índice de Modigliani

Um dos primeiros índices de retorno ajustado utilizado pelo mercado, e certamente o mais simples, já que compara o retorno absoluto da carteira do fundo (médio pela rentabilidade diária média) com a sua volatilidade, sendo que a volatilidade da carteira é medida pelo desvio padrão dos retornos da carteira do fundo.
Índice Modigliani = (Retorno do fundo/Desvio padrão do retorno do fundo)

Índice de Sharpe
Sem dúvida o mais conhecido índice de retorno ajustado no mercado brasileiro, que compara o retorno relativo do fundo contra o ativo de risco livre com a volatilidade da carteira de fundos de investimento. Quanto maior o retorno e menor o risco do investimento, melhor será o Índice de Sharpe.

Índice de Sharpe = (Retorno do Fundo – Retorno da taxa livre de risco)
Desvio padrão do retorno do fundo
Índice de Treynor e Jensen
Ao contrário dos índices de Modigliani e Sharpe esse índice tem como objetivo medir o retorno relativo por unidade de risco assumida. Nesse sentido, ao invés de comparar o retorno relativo do fundo com a volatilidade da sua carteira ele compara com o beta da carteira, pois assume que a carteira de investimento do fundo já é bem diversificada.

Índice de Treynor-Jensen = (Retorno do Fundo – Retorno da Taxa livre de Risco)
(Beta do Fundo)
Volatilidade
A volatilidade é uma das possíveis medidas de risco de um ativo; no caso dos índices de retorno ajustado divide-se o retorno diário médio da carteira do fundo pela sua volatilidade (ambos no mesmo período). A volatilidade diária é calculada como o desvio padrão dos retornos diários da carteira do fundo, durante um período de 252 dias. Alguns analistas utilizam o método de alisamento exponencial (EWMA) para atribuir pesos mais altos aos retornos mais recentes. A volatilidade então é calculada como o desvio padrão do produto entre a rentabilidade diária e seu respectivo peso.
Beta
Medida de risco diversificável de uma ação. O coeficiente beta pode ser visto como um índice do grau do retorno relativo de uma ação em relação ao retorno do mercado. O beta do mercado é igual a 1 e todos os outros betas são calculados em relação a esse valor. Um beta positivo sugere que a ação mova na mesma direção do mercado, enquanto um negativo sugere um movimento na direção oposta. Betas positivos são mais comuns que negativos. Uma ação com um beta igual a 2.0, reage duas vezes mais que o mercado, ou seja, experimenta uma mudança de 2% em seu retorno para cada mudança de 1% no retorno do mercado.

Índices de retorno relativo Voltar

Retorno relativo ao benchmark
Além da análise de retorno ajustado, a maioria dos analistas de fundos também calcula as medidas de retorno relativo ao benchmark. No caso de fundos de renda-fixa cujo benchmark é o CDI, o retorno relativo é calculado como a divisão entre o retorno do fundo pelo retorno do benchmark, como ilustrado abaixo:
Retorno relativo fundo = (Retorno do fundo/Retorno do CDI)*100
Retorno relativo fundo = 17,9%/17%
Retorno relativo fundo = 105%
Já no caso de fundos cujo benchmark é o dólar ou índices de ações o retorno relativo é calculado como a subtração do retorno do fundo pelo retorno do benchmark, como ilustrado abaixo:
Ret. relativo fundo = [(1+Retorno do fundo)/(1+ Retorno do benchmark)-1]*100
Retorno relativo fundo = ((1+25%)/(1+20%)-1)*100
Retorno relativo fundo = 4,16%

Número de períodos positivo (ou negativo)
Uma vez calculado o retorno relativo do fundo, muitos analistas contam o número de meses em que esse retorno ficou acima ou abaixo do benchmark. Alguns vão mais além e calculam esse retorno diariamente desde o início do fundo, o que permite o desenvolvimento de um histograma, mostrando quantos dias (para um determinado período) o investidor poderia comprar cotas do fundo, e obter um retorno acima do benchmark. Por exemplo, vamos assumir que o fundo exista há um ano e que a distribuição do histograma é a seguinte:
Até 95% (20 dias)
De 95% até 100% (35 dias)
De 100% até 102% (75 dias)

De 100% até 105% (200 dias)
Acima de 105%(35 dias)
Isso significa que durante 55 dias no ano passado as pessoas que compraram cotas do fundo tiveram um retorno relativo ao benchmark negativo, isso equivale à soma do número de dias entre os intervalos de abaixo de 95% e De 95% até 100%.

Análise de Risco Voltar

Na maioria das vezes em que se utiliza o termo risco na análise de fundos, estamos nos referindo à volatilidade da carteira de investimentos do fundo. No entanto, ao investir em um fundo de investimento você também deve estar atento aos seguintes riscos:

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Risco de crédito: Este tipo de risco é relacionado à probabilidade de um dos ativos que fazem parte da carteira do fundo não ser honrado (no caso de títulos de renda fixa) ou da empresa ir à falência (no caso de ações). Neste caso, com a perda nesse ativo a rentabilidade da carteira se reduz de forma mais ou menos proporcional à participação do ativo na carteira do fundo.

Risco de mercado: Este tipo de risco é relacionado à probabilidade do valor de um dos ativos que fazem parte da carteira oscilar em função de mudanças na situação do mercado. Por exemplo, como discutido antes, a rentabilidade dos fundos de renda fixa pode cair no caso de aumento das taxas de juros.

Risco de Liquidez: Este tipo de risco é relacionado à probabilidade do gestor precisar vender (ou comprar) um dos ativos que fazem parte da carteira do fundo e não conseguir pela ausência de compradores (ou vendedores).