Guardar dinheiro para tudo, menos para investir: 66% de quem poupa não investe

Um estudo encomendado pelo Google mostra a existência de uma desconexão do termo "investir" com planos e sonhos concretos

Maria Luiza Dourado

(Pixabay)
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Mais da metade (66%) dos brasileiros que guardam dinheiro não utilizam produtos de investimento para rentabilizar seu patrimônio. É o que mostra o Raio-X do Investidor, uma pesquisa inédita do Google, realizada pela Offerwise em novembro de 2025 com 1.392 respondentes, divulgada nesta quarta-feira (04).

Para transformar poupadores em investidores, o setor precisa superar obstáculos comportamentais, como o desconhecimento, que é o primeiro grande impasse evidenciado pela pesquisa: 63% dos brasileiros não conseguem citar espontaneamente o nome de nenhum produto financeiro.

Além disso, o levantamento aponta para uma desconexão do termo “investir” com planos e sonhos concretos, segundo Renata Blay, líder de Insights Estratégicos para Finanças no Google Brasil. “Enquanto a busca por ‘guardar dinheiro para’ tem como complementos comuns planos e sonhos, como ‘viajar’, ‘comprar um carro’, e ‘faculdade dos filhos’, a busca ‘investir para’ tem resultados muito mais frios como ‘aposentadoria’, ‘ganhar dinheiro’ e ‘ter renda'”, explicou.

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Esse resultado é especialmente preocupante do ponto de vista dos investimentos, uma vez que os objetivos mais citados pelos poupadores são justamente planos e sonhos, como comprar ou pagar por um novo imóvel (38%), comprar ou pagar por um novo carro (34%), viagens de férias (27%) e abrir um negócio próprio (24%).

A pesquisa apontou ainda que o receio de golpes afeta a decisão de 43% dos entrevistados, além da dificuldade em entender os produtos (39%) dos respondentes, receio com retornos em longo prazo (38%) e falta de orientação personalizada (37%). Por fim, a complexidade da linguagem técnica também se mostra um fator de exclusão: 30% têm dificuldade para compreender as opções disponíveis no mercado.

Contudo, apesar de a maioria dos poupadores não investir e das barreiras existentes, o levantamento também apontou que 69% dos brasileiros enxergam favorabilidade do cenário econômico atual – de taxa de desemprego na mínima histórica de 5,6% em 2025 e aumento real da massa salarial – para a contratação de serviços financeiros.

Um novo jeito de pesquisar

Nos últimos dois anos, as buscas por termos como “caixinha”, “cofrinho” e “porquinho” dispararam 300%, segundo o Google, enquanto as buscas por termos clássicos de investimentos viveram crescimento bem menos acelerado, de apenas 69%.

Além disso, o levantamento mostrou que as buscas então ficando cada vez mais complexas, isto é, com um tom mais conversacional e contendo mais palavras, como “Pode descontar um empréstimo consignado na rescisão?” ou “preciso de um empréstimo urgente hoje” e até contendo pedidos de comparação entre “caixinhas” de bancos distintos.

Renda fixa

Embalado por uma Selic em patamar elevado desde 2024, o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de investidores em renda fixa em 2025, uma alta de 20% em relação ao ano anterior.

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Segundo o estudo, a constituição de uma reserva de emergência é o principal motivador para o investimento em renda fixa (citado por 47% dos respondentes), seguido de segurança, isto é, percepção de baixo risco (43%), previsibilidade na remuneração (36%) e acumulação de patrimônio (31%).

O interesse pela renda fixa também foi apontado nas buscas dos respondentes. “Além das caixinhas, observamos algumas indicações de busca , como tesouro direito. Também vimos poupança”, disse Blay.

Leia mais: Como juntar dinheiro de forma simples: passo a passo para se organizar, poupar e investir

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A tendência do conteúdo educacional sobre investimentos online

Diante da necessidade de simplificação, o suporte educacional online se fortaleceu como uma tendência, evidenciada pelo crescimento de 26% em visualizações de conteúdos sobre investimentos no YouTube em 2025.

A chave para o crescimento do setor em 2026 reside em integrar o tema ao cotidiano. “Temos hoje a chance de democratizar o acesso aos investimentos acionando duas alavancas principais: a conexão com sonhos reais e o uso de uma linguagem acessível. O digital, por meio dos criadores, é o aliado para traduzir produtos complexos em ferramentas tangíveis de realização de metas”, afirma Mônica de Carvalho, Diretora de Negócios do Google Brasil.

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.