Governo injeta até R$ 190 bi na economia; veja os destaques da semana

A corrida tem prazo: o governo quer viabilizar todas as ações até 4 de julho

Research XP

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O governo brasileiro anunciou quatro pacotes de estímulo em menos de um mês, somando um impacto potencial de até 1,4 ponto percentual no PIB de 2026 — o equivalente a quase R$ 190 bilhões. As medidas incluem crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas (até R$ 30 bilhões), financiamento para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, além do novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias inadimplentes.

A corrida tem prazo: o governo quer viabilizar todas as ações até 4 de julho, quando entram em vigor as restrições do período eleitoral. A combinação de impulsos de crédito, subsídios e transferências de renda forma o maior pacote de estímulo fiscal do ciclo atual, e os efeitos sobre consumo e crescimento devem se concentrar no segundo semestre.

Nvidia surpreende, mas ausência da China acende alerta estrutural

A Nvidia (NVDC34) reportou resultados acima do esperado no primeiro trimestre de 2026, com receita superando as estimativas em 3,1% e lucro por ação em 5,4%. O desempenho foi puxado pelo avanço acelerado da arquitetura Blackwell e pela forte demanda por soluções de networking, com margem bruta de 75,0% — praticamente estável em relação ao trimestre anterior e em linha com o consenso.

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O sinal de alerta, porém, veio do que não apareceu no balanço: a ausência de receita proveniente da China, mercado hoje vedado por restrições de exportação dos EUA. Para analistas, esse vácuo representa um risco estrutural crescente à tese da líder do rali de inteligência artificial, especialmente se a demanda global desacelerar e o espaço para compensar a lacuna chinesa se estreitar.

Temporada de resultados do 1TRI no Brasil decepciona analistas

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 encerrou com desempenho abaixo do esperado. Dentro da cobertura XP, apenas 45% das empresas superaram as estimativas de lucro líquido e somente 24% bateram as projeções de receita — números que configuram mais uma temporada fraca. Em termos de reação de mercado, a média foi de -0,25% no pregão seguinte à divulgação dos resultados.

No recorte setorial, propriedades comerciais e locadoras de veículos foram as maiores surpresas positivas, enquanto bens de capital e papel e celulose ficaram entre os destaques negativos. O quadro reforça a leitura de que a atividade econômica ainda não se traduziu em melhora consistente de margens e receitas para as companhias abertas.

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Aegea negocia aporte de até US$ 1 bi para financiar expansão

A Aegea (AEGP3) está em negociações com seus acionistas — GIC, Itaúsa (ITSA4) e Equipav — para um aporte de até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões), segundo reportagem da Bloomberg. A estrutura prevê a retenção de aproximadamente R$ 2 bilhões em caixa, com o restante potencialmente direcionado à aquisição de cerca de 30% da Copasa (CSMG3), dentro da agenda de privatizações estaduais.

A leitura inicial é positiva: o movimento evidencia o comprometimento dos controladores e viabiliza a continuidade da expansão da companhia. O efeito sobre a alavancagem, no entanto, deve ser limitado — o que, segundo analistas, é compatível com o perfil típico do setor de saneamento e não representa um desvio de estratégia.

Fluxo estrangeiro vira negativo após forte entrada no início do ano

Depois de um janeiro e fevereiro marcados por entradas expressivas, o fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira começou a dar sinais de reversão em abril. Na primeira quinzena do mês, os investidores não residentes ainda trouxeram R$ 14,6 bilhões ao mercado à vista — mas na segunda metade o movimento se inverteu, com R$ 11,5 bilhões em saídas líquidas.

O resultado consolidado de abril ficou em apenas R$ 3,2 bilhões de entradas no mercado à vista, insuficientes para compensar os R$ 3,4 bilhões de saídas no mercado futuro. O saldo combinado foi negativo em R$ 0,2 bilhão, sinalizando que o apetite externo pelo Brasil pode estar arrefecendo após o rali do primeiro trimestre.