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SÃO PAULO – Quando um jogador de futebol perde um gol decisivo e leva seu time à desclassificação, é comum que ele seja hostilizado pela torcida ainda que a temporada como um todo tenha sido boa. No mercado financeiro, não é diferente: os investidores também elegem seus vilões.
Mesmo sem nunca ter pisado no campo do Morumbi ou do Maracanã, muitos analistas certamente já se sentiram prestes a bater um pênalti decisivo pelo Flamengo ou pelo Corinthians. Suas carteiras recomendadas ficam expostas tal qual o jogador na marca do pênalti, e a torcida – no caso, os investidores – está só esperando o apito do árbitro, também conhecido como final do mês, para julgar se as ações indicadas merecem o troféu ou uma sonora vaia.
Ainda que o Campeonato Brasileiro de 2012 não tenha sido dos mais emocionantes, os analistas deram um show de bola em campo e venceram de goleada. Em um período no qual o Ibovespa praticamente não mostrou variação sobre o ano anterior, a grande maioria das carteiras superou com folga o desempenho do principal índice de ações da Bolsa.
Pequenas com bom desempenho
Entre as 21 carteiras acompanhadas pela InfoMoney, apenas uma está com retorno abaixo do Ibovespa. E quem seguiu as indicações à risca se deu bem: as três melhores carteiras (Geral Investimentos, Souza Barros e WinTrade) registraram retornos acima dos 40% na comparação com o Ibovespa.
Normalmente, rentabilidades tão elevadas assim surgem de aplicações com mais riscos. Mas Carlos Müller, responsável pela carteira da Geral Investimentos, explica que o diferencial está na estratégia adotada. Segundo ele, não é porque o Ibovespa está mal que não há oportunidades. “Para a seleção de papéis, buscamos empresas que tinham pouca ou nenhuma exposição ao exterior e que corriam baixo risco de intervenção governamental direta. Além disso, priorizamos empresas muito rentáveis, que não estivessem passando por nenhuma ‘revolução’ operacional”, explica. O cenário considerado por Müller prevê uma economia internacional em crise e um mercado interno forte.
Ele diz ainda que a estratégia da corretora está na busca de empresas que se enquadrem no cenário econômico brasileiro, independentemente da valorização do papel no ano. Müller também evita as grandes empresas da Bolsa, conhecidas como “blue chips”. De fato, as principais posições da Geral Investimentos estão em setores com pouca representatividade no índice, o que permite esses resultados superiores ao Ibovespa.
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Esse parece ter sido mesmo o gol mais bonito do ano. Clodoir Vieira, responsável pela carteira da Souza Barros, adota a mesma postura e diz preferir as small caps, isto é, as ações de empresas com um valor de mercado mais baixo.
“As small caps são menos expostas, mas têm muito potencial”, diz. Ele cita, como exemplo, a Kroton, que viu seu valor de mercado mais que dobrar no ano, e a Odontoprev, que guarda boas perspectivas de crescimento.
Assim como um produto que tem muitas propagandas na televisão tende a aumentar suas vendas, uma ação que é acompanhada por uma ampla gama de analistas também tende a chegar ao seu preço-alvo com mais velocidade, avalia o analista da Souza Barros.
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Normalmente os papéis dessas empresas menores atraem desconfiança dos investidores por não serem tão fáceis de vender quanto uma Petrobras ou uma Vale. Mas Vieira pondera que há boas oportunidades entre elas, ainda que também haja mais risco de o investidor ficar com o mico na mão. “A nossa liquidez é menor, mas não é de risco.”
Fatores imprevisíveis
Mesmo ao seguir as carteiras recomendadas, os investidores podem acabar não lucrando. Carlos Müller indica esses portfólios apenas para os investidores com disciplina suficiente para seguir a carteira integralmente.
“Para investidores que não têm essa disciplina de investimento, o ideal é que apliquem seu dinheiro com gestores especializados, que dedicam seu tempo exclusivamente à análise e gestão de carteiras, tendo um tempo de reação muito mais adequado”, alerta.
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Ele admite que, na maioria dos casos, os clientes não seguem as carteiras do modo como são formadas, elegendo apenas alguns papéis conforme as preferências pessoais. O analista alerta que isso prejudica o resultado final, por desconsiderar o balanceamento de risco da carteira.
Clodoir Vieira, responsável pela carteira da Souza Barros, confirma que os investidores preferem escolher apenas algumas ações da carteira e detalha três tipos de clientes bastante comuns: há aqueles que, logo no início do ano, fazem as compras e não mudam mais; há aqueles que, a cada três ou quatro meses, revisam seus portfólios; e há um outro grupo, menor, de investidores que acompanham mensalmente a evolução dos cenários e fazem substituições no portfólio sempre que necessário – prática considerada ideal.
Sempre uma boa opção?
Apesar dos rendimentos elevados em 2012, nem todos se convencem de que as carteiras recomendadas são uma boa alternativa. André Massaro, consultor financeiro, lembra que, em uma perspectiva de longo prazo, é muito difícil superar o Ibovespa com estratégias alternativas.
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“Hoje simpatizo mais com a ideia de seguir o índice passivamente, via ETFs (Exchange Traded Funds)”, afirma. Massaro alerta que os investidores costumam olhar apenas para o curto prazo (para ele, um prazo de até dois anos ainda pode ser considerado curto) e se esquecem da rentabilidade em um horizonte mais longo.
Os ETFs, que têm carteiras que seguem as ações do próprio Ibovespa ou de outros índices, ainda não são muito populares no Brasil, mas o consultor lembra que esse é um segmento em crescimento. Nos EUA, por exemplo, já são amplamente difundidos.
Se o investidor realmente estiver disposto a seguir as recomendações dos analistas, Massaro afirma que é preciso ter disciplina. “Se alguém se propôs a seguir uma carteira, ele tem que saber que ela terá momentos bons e ruins e que, se a pessoa sair antes do momento certo, pode estar fora quando ela se recuperar”.
Como escolher?
Em meio a tantas carteiras, fica difícil escolher qual seguir. Usar como critério o tamanho da instituição não é boa opção, já que há grandes empresas com carteiras de baixo retorno e também analistas de corretoras pequenas com uma grande rentabilidade.
As dicas de Massaro são de que os investidores sigam apenas carteiras de gestores autorizados e que, ao seguir uma estratégia que tenha como objetivo bater o Ibovespa, se certifiquem de que o perfil pessoal (agressivo, moderado, conservador, etc.) seja igual ao da carteira sugerida.