Goldman aponta 13 ações preferidas (e 5 preteridas) para aproveitar a queda da Bolsa

Analistas veem espaço para reversão à média após correção de 17% na Bolsa e prioriza papéis com gatilhos nos próximos 12 meses; Banco do Brasil encabeça a lista de vendas

Paulo Barros

Ativos mencionados na matéria

Banco do Brasil (Foto: RI/BB)
Banco do Brasil (Foto: RI/BB)

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O Goldman Sachs montou uma carteira de 13 ações brasileiras para comprar em meio à correção recente da Bolsa e apontou outras cinco que, na visão do banco, tendem a ficar para trás. As escolhas partem de um ambiente que o banco classifica como incerto, marcado por um Federal Reserve mais duro, pela baixa exposição do Brasil ao tema de inteligência artificial e pelas eleições presidenciais.

A tese central é de reversão à média. O MSCI Brazil, principal índice de ações brasileiras acompanhado por investidores estrangeiros, caiu 17% desde as máximas de abril, e o Goldman vê espaço para recuperação, sobretudo se os juros começarem a normalizar. O juro real dos títulos públicos operam perto das máximas históricas, o que pressiona os setores domésticos e ao mesmo tempo abre margem para valorização caso o cenário melhore. A mediana das ações de compra negocia a 10,1 vezes o lucro projetado para 2026, um desconto de cerca de 7% frente à média dos últimos cinco anos, e a maioria tem gatilhos previstos para os próximos 12 meses.

Os analistas destacam duas estatais: na ponta positiva, a Petrobras (PETR4); na negativa, o Banco do Brasil (BBAS3). Confira a lista completa e as teses que sustentam as recomendações.

As preferidas para comprar

Petrobras (PETR4)

A estatal reúne valuation baixo, provento gordo e um gatilho político. O Goldman vê a ação a cerca de 4 vezes o lucro de 2026, projeta um FCF yield de 18% em 2027 (com Brent a US$ 72 por barril em média) e um dividend yield na mesma casa. O banco cita as eleições presidenciais de outubro como potencial catalisador para o papel, além de uma produção que estima ficar cerca de 10% acima do ponto médio do guidance para 2026 e 2027.

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Itaú Unibanco (ITUB4)

O banco é a aposta de qualidade entre os incumbentes. O Goldman projeta o maior ROE do setor, de 25,4% em 2026, e destaca que o Itaú é o único banco cujo retorno sobre patrimônio não caiu abaixo do custo de capital desde 2021. A instituição estima que o banco gere R$ 88 bilhões em valor econômico entre 2021 e 2026 e considera justificado o prêmio de valuation frente aos pares, que negociam a 6,3 vezes o lucro na média.

BTG Pactual (BPAC11)

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A recomendação é pró-cíclica e ligada ao ciclo de juros. Segundo os analistas do Goldman, um ambiente de Selic mais baixa tende a impulsionar praticamente todas as linhas do banco, de banco de investimento a gestão de recursos. As áreas de asset e wealth já respondem por 50% da receita, ante 34% em 2021, e a expansão internacional na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa amplia o mercado endereçável, com ROE estimado em 27% em 2026.

Nubank (NU)

O banco digital sustenta o bloco de crescimento estrutural da carteira. O Goldman projeta expansão de 41% no lucro por ação entre 2025 e 2028, contra 22% na média dos pares globais de fintech, com a ação negociando a desconto frente a esse grupo. O crescimento da carteira de crédito segue forte no Brasil e no México, e o índice de eficiência de cerca de 26% fica bem abaixo do dos incumbentes.

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Cyrela (CYRE3)

A construtora entra pelo valuation deprimido. A ação negocia a cerca de 6 vezes o lucro de 2026, quase um desvio-padrão abaixo da média histórica de 9,4 vezes. Para o Goldman Sachs, a carteira de terrenos em bairros de alto padrão de São Paulo, como Pinheiros e Jardins, e o acesso a financiamento mais barato via poupança, e projeta alta de 27% no lucro de 2027.

Bradsaúde (SAUD3)

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A escolha defensiva tem um argumento concreto de balanço. O caixa líquido de cerca de R$ 8 bilhões funciona como proteção para um cenário de juro alto por mais tempo, enquanto a carteira concentrada em planos de saúde de alta renda mostra mais resiliência aos ciclos macroeconômicos. O Goldman vê espaço para dividendos na casa de dois dígitos baixos.

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Completam a lista:

As ações para vender

O Banco do Brasil (BBAS3) é o principal destaque negativo. O Goldman observa que a inadimplência acima de 90 dias do banco subiu de 3,5% no primeiro trimestre de 2025 para 5,0% no mesmo período de 2026, a piora mais acentuada entre os grandes bancos, puxada pela carteira rural, que representa cerca de 34% do total e onde o banco tem 73% de participação de mercado. O banco projeta ROE de 10,0% em 2026 e 12,7% em 2027, ambos abaixo do custo de capital de 15,4%, e estima deterioração de R$ 10 bilhões em valor econômico entre 2026 e 2031. Apesar de a ação negociar a 5,9 vezes o lucro de 2026, o banco americano não vê espaço para reprecificação enquanto a carteira rural pressionar os resultados.

Entre as demais recomendações de venda, o Goldman aponta:

Veja a carteira completa de ações preferidas e preferidas do Goldman Sachs para aproveitar a correção da Bolsa:

EmpresaRecomendaçãoP/L 2026EPreço-alvo (12 meses)
Petrobras (PETR4)Compra4,0xR$ 51,40
Itaú Unibanco (ITUB4)Compra9,4xR$ 51,00
BTG Pactual (BPAC11)Compra10,6xR$ 71,00
Nubank (NU)Compra16,3xUS$ 22,00**
Cyrela (CYRE3)Compra5,7xR$ 31,00
Bradsaúde (SAUD3)Compra10,1xR$ 16,00
GPS (GGPS3)Compra12,9xR$ 17,70
Lojas Renner (LREN3)Compra8,4xR$ 20,00
Smartfit (SMFT3)Compra12,9xR$ 34,00
Vibra (VBBR3)Compra6,1xR$ 37,50
Direcional (DIRR3)Compra7,2xR$ 20,00
Rede D’Or (RDOR3)Compra15,8xR$ 44,00
Sabesp (SBSP3)Compra16,7xR$ 34,00
Banco do Brasil (BBAS3)Venda5,9xR$ 20,00
CSN (CSNA3)Vendan/d*R$ 6,30
CSN Mineração (CMIN3)Venda23,8xR$ 4,30
Engie Brasil (EGIE3)Venda10,4xR$ 33,00
Telefônica Brasil (VIVT3)Venda13,9xR$ 36,50
Fonte: Goldman Sachs. Os múltiplos de preço/lucro são estimativas do Goldman para 2026 (posição de 6 de julho).
*Sem P/L informado porque é avaliada por EV/EBITDA (5,2 vezes em 2026)
**Preço-alvo referente aos papéis negociados em dólar.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos