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SÃO PAULO – Os gestores de fundos de pensão buscam alocar os recursos em investimentos que tragam, no conjunto, um retorno acima da meta atuarial, que em geral é de 5% a 6% além da inflação. Cumprir essa meta pode ser mais ou menos fácil dependendo do cenário macroeconômico.
Quando a taxa de juro está elevada, uma estratégia que aloca boa parte dos recursos em títulos públicos pode ser mais do que suficiente para que o fundo de pensão atinja sua meta: eles apresentam baixo risco e retorno acima do necessário. Por outro lado, em um cenário de taxas declinantes, superar a meta atuarial torna-se uma tarefa mais difícil.
Nesse segundo caso, o gestor precisa ficar atento às opções de investimento, envolvendo-se mais com a renda variável e com formas alternativas. Ou seja, o trabalho do gestor ganha importância, uma vez que atingir a meta passa a ser mais difícil.
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Impacto da queda dos juros na gestão
Atenta a essas preocupações, a Mercer Consultoria preparou o estudo “A Importância da Estratégia de Investimentos em Diferentes Ambientes de Taxas de Juro”. No trabalho, ela recomenda atenção à relação entre os papéis disponíveis e as necessidades de liquidez das entidades de previdência complementar.
A Mercer destaca a importância de se acompanhar os resultados dos investimentos, como forma de garantir o alcance dos objetivos em um horizonte de tempo mais amplo. Isso porque, ao que tudo indica, a tendência no mercado brasileiro é mesmo de queda dos juros. Com isso, haverá uma maior diferenciação das atividades dos gestores e criação de novos produtos. As carteiras precisarão ser mais sofisticadas para atender às metas.
Trabalho dos gestores será mais difícil
Em suma, o trabalho dos gestores de fundos de pensão deverá ser mais difícil. Ao contrário do que acontece em um cenário de juros altos, com a queda do retorno da renda fixa os gestores terão que diversificar com o uso de ativos mais arriscados.
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Selecionar ativos em linha com os objetivos dos investidores deve ser a tarefa mais difícil. Isso exigirá, na visão da Mercer que as entidades invistam mais tempo no entendimento da sua situação, de suas necessidades e, é claro, do seu apetite para o risco. E para isso será preciso investir na especialização dos profissionais de gestão, que devem direcionar uma parcela crescente de recursos para renda variável, ativos com risco de crédito, private equity, etc.
Enquanto nos planos de benefício definido a tolerância ao risco vai depender da relação entre ativo e passivo e os custos da entidade em arcar com o pagamento dos benefícios, nos planos de contribuição definida irá depender, sobretudo, do perfil dos participantes do fundo de pensão.
Outro desafio para os fundos de pensão é encontrar as pessoas certas e estabelecer com elas um vínculo duradouro para assumir esse cargo, uma vez que esse tipo de estabilidade é fundamental na determinação do sucesso das estratégias de investimento de longo prazo, como é o caso dos fundos de pensão.
A Mercer conclui seu estudo ressaltando que em um ambiente de juros mais baixos, pequenas diferenças no retorno podem fazer muita diferença relativa nas reservas. Esse cenário deve favorecer a uma maior diferenciação no desempenho dos profissionais de gestão.