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O dólar mais barato costuma ser um atrativo para o investidor aumentar a alocação no exterior, mas não é isso que vem acontecendo, ao menos na indústria de fundo de investimento. Neste ano, enquanto o dólar recuou cerca de 9% até o atual patamar próximo de R$ 5, os fundos que investem em ativos estrangeiros não só não atraíram investidores, como perderam cotistas nesse período.
Segundo estudo da empresa de dados de mercado Comdinheiro/Nelógica, esses veículos viram 5,7 mil investidores saírem desde o fim de dezembro, fazendo o total de alocados cair para 738,1 mil até 14 de maio. Segundo o levantamento, 181 fundos tiveram queda na base de investidores, enquanto 111 registraram crescimento.
“Nesse momento de queda da moeda americana, cresce a atratividade para alocar em dólar, e os bancos mandam avisos da oportunidade de investir no exterior, mas o movimento do investidor não foi tão disseminado”, explicou Gustavo Gukovas, diretor de Negócios da Comdinheiro e responsável pelo estudo.
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O estudo selecionou 296 fundos que aplicam diretamente pelo menos 30% de seu patrimônio em ativos no exterior e com mais de cem cotistas. Muitos desses fundos são distribuídos em bancos e plataformas e abertos para pessoas físicas e investidores institucionais.
Os novos investidores ainda não chegaram, mas quem ficou aportou mais: na mesma janela, a captação foi positiva em R$ 1,7 bilhão, concentrada em grandes fundos. Foram 104 com captação positiva no ano, o equivalente a 35% da amostra. Outros 175 fundos, ou 59% do total, tiveram saída líquida de recursos, e o restante ficou zerado no período.
Isso significa que, mesmo com as recomendações das instituições para aproveitar o momento não só de dólar em baixa, mas de ações americanas em alta, vários fundos perderam cotistas e patrimônio, enquanto uma minoria concentrou a captação neste ano.
Nesse movimento, segundo Gukovas, os fundos que registraram maiores perdas de investidores e patrimônio foram os de criptoativos, o que provavelmente foi uma reação à queda expressiva do Bitcoin (BTC) do ano passado para cá e aos prejuízos dessas carteiras. “O investidor ignora o alerta que a rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro”, diz. Ou seja, provavelmente investiram quando o Bitcoin estava nas máximas, viram a carteira se desvalorizar e sacaram.
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Perdendo a festa
Mas há também casos de investidores que saíram de fundos que apresentam ganhos expressivos, caso de carteiras que investem em papéis de tecnologia nos Estados Unidos e que pegaram a recuperação do setor e os recordes recentes do S&P500.
É o caso do Itaú Index US Tech, que acumulava rentabilidade de 13,0% no ano e mesmo assim viu 2,6 mil cotistas deixarem a aplicação. O fundo ainda tem 16,2 mil investidores. Ou o First Trust Megatrend Ações, com ganho de 20,2% no ano e que teve queda de 1,1 mil investidores, para 13,7 mil cotistas.
Gukovas lembra que há também a concorrência do juro local, de 14,50% ao ano, que reduz o interesse dos investidores por outro tipo de investimento que não seja de renda fixa, especialmente a renda variável.
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Pressão dos ETFs
O profissional observa que uma parte desses investidores pode ter trocado os fundos de gestão ativa por carteiras passivas, ou indexadas, e cita o crescimento do segmento de carteiras com cotas negociadas em bolsa, os ETFs, e o de recibos de cotas negociadas no exterior, os BDRs de ETF.
Ele dá como exemplo da preferência pelos fundos passivos os três que mais captaram no ano, da família Trend, uma estratégia indexada oferecida pela XP. Um desses fundos, o Trend Bolsas Emergentes, passou de um patrimônio de R$ 21 milhões para R$ 63 milhões e o total de cotistas, de 800 para 4 mil.
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Segundo Gukovas, o movimento de entrada nos fundos de investimento no exterior está sendo mais de investidores de menor porte. O maior ticket médio está nos fundos do Itaú Unibanco e o menor, nos da XP, diz.