Fundos macro reduzem “kit Brasil” e abandonam aposta no real

Posicionamento estimado se aproxima de um desvio padrão abaixo da média histórica, aponta levantamento da XP; no mercado de ações, gestores trocam qualidade por valor

Paulo Barros

(Shutterstock)
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Os fundos multimercado macro reduziram suas apostas na valorização dos ativos brasileiros, segundo levantamento da XP. O indicador conhecido como Kit Brasil, que reúne posições compradas em Ibovespa e em renda fixa local e vendidas em dólar, se aproxima de um desvio padrão abaixo da média histórica nas métricas de 25 e 45 dias úteis, um nível que a XP classifica como baixo dentro da série analisada desde 2016, conforme apuração da casa com dados até 20 de maio.

O recuo do posicionamento no Kit Brasil vem acompanhado de outro sinal na mesma direção: posições que apostam na queda do dólar frente ao real estão próximas de zero. A amostra monitorada abrange fundos com patrimônio líquido de cerca de R$ 75 bilhões em abril de 2026, o equivalente a aproximadamente 80% do patrimônio da indústria de multimercados macro.

No modelo de curto prazo, com janela de 25 dias úteis, o posicionamento estimado na ponta indica compras de títulos públicos prefixados, e no S&P 500, além de uma posição levemente vendida no Treasury de 5 anos, refletindo expectativa de queda nos juros americanos. No modelo de prazo mais longo, com janela de 90 dias, o cenário inclui posições compradas em S&P 500, Ibovespa, títulos locais prefixados e de inflação, além de ouro, com vendas em petróleo.

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A correlação dos retornos entre os fundos da amostra permanece elevada, um desvio padrão acima da média histórica. Em paralelo, a XP observa desaceleração nos resgates líquidos da indústria, atribuída às menores solicitações registradas em abril, mês em que os fundos entregaram retornos mais altos.

Em ações, troca de Qualidade por Valor

No mercado de ações, um levantamento com base em 1.017 fundos de ações com patrimônio total de R$ 301,3 bilhões aponta uma reversão de comportamento nos fundos de renda variável no mês de abril.

Após meses de fuga para ativos de qualidade, os gestores rotacionaram de volta para o fator Valor, que registrou alta de 368 pontos-base nas últimas quatro semanas e foi o movimento mais expressivo entre todos os fatores monitorados. O fator Qualidade, em sentido contrário, teve a maior redução no período, com queda de 446 pontos-base.

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Além disso, um indicador que mede o quanto os fundos se distanciam do benchmark subiu de -2,2 para -1,4, sugerindo que os gestores começam a assumir mais risco ativo após um período prolongado de maior indexação ao Ibovespa.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos