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Os melhores fundos de ações e multimercados até agosto

Nos últimos 12 meses, 72% dos fundos de ações superam a alta de 32% do Ibovespa; dentre os multimercados, apenas 14 fundos batem o principal índice da Bolsa, mas 74% rendem acima do CDI

Ranking
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O mês de agosto pode até não ter sido generoso com a Bolsa brasileira, diante da queda de 0,67% do Ibovespa, mas as turbulências vindas especialmente do cenário externo ainda parecem longe de atrapalhar o desempenho de muitos fundos neste ano. Pelo contrário.

Em agosto, 134 de 156 fundos de ações (ou 86%) superam o desempenho do Ibovespa, de acordo com levantamento elaborado pela XP com base em dados da Economatica. Num período maior, de 12 meses, 72% da amostra bate a forte alta de 32,4% do principal índice da Bolsa.

Dentre os 395 multimercados, 344 (87%) batem o Ibovespa em agosto e 207 (52%) superam a variação de 0,50% do CDI. Já em 12 meses, apenas 14 fundos batem o Ibovespa, enquanto 292 (74%) superam o CDI de 6,3%.

Para a análise, foram considerados fundos não exclusivos com a média do patrimônio líquido em 12 meses superior a R$ 100 milhões e mais de 99 cotistas, no fim de agosto. No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais e monoações e, dentre os multimercados, não foram considerados fundos de crédito privado.

Confira a seguir os dez melhores fundos multimercados e de ações em 12 meses até agosto, observando ainda seu desempenho acumulado em até 36 meses. Retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, mas é interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Os melhores fundos multimercados em 12 meses até agosto*
Fundos multimercados Agosto 2019 12 meses 36 meses 
Tavola Absoluto FI Mult 0,13% 23,69% 49,01% 98,78%
Safari Fc FI Mult II 1,92% 26,97% 38,69% 103,80%
Pacifico Lb Fc FI Mult 0,72% 18,86% 37,06% 70,78%
Navi Long Biased Fc de FI Mult 1,98% 18,54% 36,51% -
CSHG Ibov Ativo 70-130 FI Mult -0,56% 14,36% 36,02% -
Oceana Long Biased FICFI Mult -0,40% 16,84% 35,49% 73,28%
XP Long Biased 30 Fc FI Mult 1,43% 15,08% 34,90% 90,69%
JGP Equity Fc FI Mult -0,22% 16,48% 33,05% 64,14%
Ibiuna Long Biased Fc de FI Mult 0,58% 17,40% 32,61% 71,13%
Apex Long Biased Fc FI Mult 2,73% 16,59% 32,17% -
CDI 0,50% 4,18% 6,31% 27,29%

 

Os melhores fundos de ações em 12 meses até agosto*
Fundos de ações Agosto 2019 12 meses 36 meses 
Atmos Ações FICFI em Ações 2,76% 33,28% 82,44% 90,89%
Equitas Selection Fc FIA 4,65% 37,30% 72,44% 125,18%
Hayp FIA -3,63% 9,83% 67,17% 153,87%
Bogari Value Fc FIA 4,63% 34,52% 67,01% 94,09%
XP Dividendos FIA 4,07% 29,95% 65,66% 88,07%
Squadra Long Only Fc de FIA 0,83% 29,39% 64,16% 103,81%
Vista FIA 2,78% 27,48% 63,82% 107,37%
Constellation Institucional Fc FIA 4,37% 32,98% 61,49% 102,28%
Brasil Capital 30 Fc FIA 1,62% 30,45% 57,98% 96,03%
Prumo Acoes FIA 0,83% 24,64% 57,30% 63,43%
Ibovespa -0,67% 15,07% 32,37% 72,66%

Fonte: XP Investimentos, com base em dados da Economatica
*Fundos espelho foram excluídos das amostras.

A forte valorização da Bolsa tem ajudado não apenas os fundos da categoria, como os multimercados, já que o ranking dos 12 meses deixa claro como as carteiras com foco em ações têm garantido as melhores posições. E a exposição a nomes na cena doméstica também tem surtido efeito positivo sobre a trajetória dos fundos.

Na Navi Capital, o fundo do tipo “long biased” acumula ganho de 18,5%, em 2019, e de 36,5%, em 12 meses. O gestor Waldir Serafim conta que a posição em estatais, especialmente Eletrobras, e em papéis de utilities, como Energisa, Equatorial e Cesp, ajudou o fundo a partir das últimas eleições.

No horizonte mais recente, a gestora adicionou as ações de Hapvida e Intermédica na carteira, que conta ainda com nomes como Lojas Americanas dentre as últimas alterações. E o foco no mercado doméstico não é aleatório.

“Daqui para frente, estamos mais otimistas com Brasil. O portfólio está mais carregado por cenário doméstico, por consumo, em meio a uma visão mais otimista com atividade. O juro nesse patamar atual veio para ficar e deve perdurar nos próximos anos”, diz.

Embora ressalte que a Navi não é uma gestora macro, o gestor destaca que, neste momento de maior turbulência no exterior, se sente mais confortável com players domésticos, especialmente em meio às reformas em curso no país. “Estamos nos sentindo mais seguros para investir no Brasil.”

O fundo tem hoje uma exposição líquida de Brasil de cerca de 80%, próxima da marca histórica, e carrega ainda posição de hedge no exterior.

Na XP, o fundo Long Biased 30 tem apresentado uma exposição líquida em Bolsa próxima a 100% desde as eleições presidenciais, conta Marcos Peixoto, um dos gestores. “De forma geral, temos trabalhado com uma cabeça mais construtiva”, afirma.

Para ele, a Bolsa ainda parece estar em um nível “bem razoável” de preços, já que, embora o Ibovespa esteja negociando com múltiplos perto da máxima histórica, ainda não houve um ajuste em relação ao atual patamar da taxa Selic.

Dentre as principais posições da XP no fundo, destaque novamente para nomes vinculados ao mercado brasileiro, como Qualicorp, Via Varejo e Sanepar. Papéis de estatais como a Copasa tiveram um papel importante na época das eleições, mas a XP já zerou os lucros, de olho no preço da ação e por avaliar que o processo de privatização não será tão fácil, sem previsão de ser realizado antes de dois anos.

“A concentração está mais em ativos domésticos, porque, quando olhamos perspectiva e valuation, o cenário de fora não está tão trivial para as empresas. O mundo está crescendo menos e a China está pressionando as commodities”, observa Peixoto.

Infraestrutura + consumo

Focar no mercado brasileiro não é algo novo para a Brasil Capital, cujo fundo de ações figura entre os melhores desempenhos do ano e dos últimos 12 meses, com alta de 30,5% e 58%, respectivamente.

O que vem sido alterado são os setores explorados. André Ribeiro, sócio gestor da casa, conta que empresas de infraestrutura brasileira, ligadas a áreas como transmissão, distribuição e geração de energia, além de ferrovias e distribuição de gás natural e de combustível (casos de Alupar, Rumo, Cosan, Energisa, Eneva, Comgás e Equatorial), tiveram contribuição relevante sobre o desempenho nos últimos dois e três anos.

Somadas, as empresas representavam cerca de metade do portfólio, mas, com ajustes pontuais feitos ao longo dos últimos seis meses – e que seguem em curso –, a contribuição dessas companhias caiu para 35%, abrindo espaço para empresas do mercado interno mais pró-cíclicas, ligados a varejo, construção, saúde e ao setor financeiro digital.

A Brasil Capital trabalha com um cenário otimista em relação ao Brasil, de olho em uma recuperação da atividade, do emprego, dos setores de construção e infraestrutura, e com maior previsibilidade em termos de taxas de juros mais à frente. “Dada a estabilidade da inflação, os juros mais baixos e com a reforma da Previdência tendo sido aprovada, tudo leva a uma previsibilidade maior”, diz Ribeiro.

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