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Os melhores fundos de ações e multimercados de maio

Levantamento revela que 90 de 125 fundos de ações superaram o desempenho do Ibovespa no mês passado. Dentre os multimercados, metade da amostra bateu o CDI

Ranking
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Foi por pouco, mas o suficiente para o mês de maio fugir à regra da última década, finalmente se livrando da “maldição” de perdas. O Ibovespa registrou leve alta de 0,7%, encerrando o período nos 97 mil pontos.

O cenário não sofreu uma grande transformação, as incertezas macroeconômicas e políticas não se dissiparam por completo nem o ambiente ficou mais favorável para os riscos. Mas muitos gestores conseguiram driblar as preocupações e bater o desempenho do referencial da Bolsa brasileira.

Levantamento elaborado pela XP com base em dados da Economatica revela que 90 de 125 fundos de ações superaram o desempenho do Ibovespa no mês passado.

Dentre os multimercados, 221 de 413 fundos bateram o CDI, que costuma ser o referencial desse segmento e teve variação de 0,54% em maio, e 167 tiveram retornos mais expressivos que o Ibovespa. O resultado mostra uma evolução em relação a abril.

Para a análise, foram considerados fundos não exclusivos com a média do patrimônio líquido em 12 meses superior a R$ 100 milhões e mais de 99 cotistas, no fim de maio. No caso dos fundos de ações, foram ainda excluídos os setoriais e monoações.

Na categoria de multimercados, lideraram o ranking do mês os fundos Safari FIC FIM II (3,77%), Exploritas Alpha America Latina (3,36%) e Absolute Vertex II (2,17%).

Confira a seguir os dez melhores fundos multimercados de maio, observando ainda seu desempenho acumulado no ano, nos últimos 12 meses e em 36 meses. Retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, mas é interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Os melhores fundos multimercados
Fundos multimercados Maio 2019 12 meses 36 meses
Safari FIC FIM II 3,77% 12,14% 20,36% 113,24%
Exploritas Alpha América Latina FICFI Mult 3,36% 10,41% 20,06% 74,95%
Absolute Vertex II Fc FI Mult 2,17% 5,25% 11,11% 57,37%
XP Long Biased 30 Fc FI Mult 1,99% 8,61% 23,23% -
Caixa FIC Alocação Macro Mult LP 1,96% 7,47% 15,16% 39,58%
Oceana Long Biased FICFI Multi 1,83% 12,15% 28,41% 85,90%
Gap Multiportfolio FICFI Mult 1,81% 4,59% 7,78% 33,71%
CSHG Verde Am Beta 14 FICFI Mult 1,77% 6,52% 15,03% 40,94%
BTG Pactual Multistrategies Gold FI Mult 1,76% 3,49% 6,04% 29,04%
JGP Equity Explorer Fc FI Mult 1,75% 9,61% 25,83% 78,01%
CDI 0,54% 2,59% 6,37% 29,69%

Fonte: XP Investimentos, com base em dados da Economatica.

Embora lidere o ranking dos multimercados, o fundo da Safari atua em ações, por meio de uma estratégia do tipo "long biased". Segundo Marcelo Cavalheiro, sócio gestor da Safari Capital, a maior parte das melhores posições de maio permaneceu na carteira em junho. Foi o caso de ações ligadas a concessões rodoviárias, como CCR e Ecorodovias, além de Natura, Azul e Lojas Renner.

A carteira tem hoje posições relevantes em bancos (Bradesco e Itaú), em varejo, com maior exposição à Renner, em consumo, com Localiza e Natura, na Azul e uma parte em commodities (BRF e JBS).

“Estamos otimistas com o cenário doméstico, com uma boa chance de aprovar uma reforma da Previdência que gere economia de R$ 700 bilhões a R$ 800 bilhões. Ela vai nos trazer de volta para os trilhos de sustentabilidade da dívida interna, e poderemos partir para outras reformas, como a administrativa e a tributária”, diz Cavalheiro.

Passada a Previdência, o gestor espera que os bancos voltem a conceder crédito especialmente para o segmento corporativo. Hoje o fundo mantém cerca de 10% do patrimônio em caixa, percentual que deverá aumentar um pouco até a consolidação da aprovação da reforma.

O multimercado Absolute Vertex, por sua vez, foi beneficiado em maio principalmente pelas posições nos mercados de renda fixa e câmbio. Segundo Renato Botto, sócio responsável pela parte de renda fixa da Absolute, boa parte dos ganhos de mais de 2% de maio partiu dos resultados gerados pela posição aplicada em juros prefixados de curto prazo, diante da queda dos prêmios.

A visão de que a economia vai crescer menos que o previsto e de que o Banco Central vai ter que cortar juros estão por trás da redução das taxas. “A gente se posicionou pra isso. Acho que teve um movimento muito grande e rápido de reprecificação de juros, mas agora não tem tanto apelo. Reduzimos um pouco o risco alocado, esperando a próxima oportunidade”, afirma Botto.

No câmbio, a gestora adotou posições táticas com aposta na valorização do dólar em relação ao real, posição que, assim como a dos juros, diminuiu bastante em junho. Ainda que veja espaço para nova valorização dos prefixados com a queda da Selic, nesse momento, Botto não vê sentido em assumir tanto risco. Na Bolsa, a gestora tem oscilado entre uma posição comprada e neutra.

Na categoria de ações, destaque para o Fator Sinergia, com retorno de nada menos que 8,31% em maio, para o Equitas Selection (4,66%) e para o Dynamo Cougar (4,15%). Em maio, as carteiras recheadas de BDRs saíram de cena e algumas apanharam bastante, em meio à queda da ordem de 6% das bolsas americanas e da estabilidade do dólar.

Confira a seguir os dez melhores fundos de ações de maio, observando ainda seu desempenho em 2019, nos últimos 12 meses e em 36 meses.

Os melhores fundos de ações
Fundos de ações Maio 2019 12 meses 36 meses
Fator Sinergia FIA 8,31% 11,91% 32,25% 156,13%
Equitas Selection Fc FIA 4,66% 14,46% 46,65% 129,49%
Dynamo Cougar FIA 4,15% 18,99% 35,26% 70,69%
Sharp Equity Value Feed Fc FIA 4,10% 15,81% 35,57% 85,94%
Atmos Acoes FICFI em Ações 3,87% 18,22% 55,42% 84,90%
Studio Fc de FIA 3,78% 11,71% 33% 77,90%
Bogari Value Fc FIA 3,68% 17,92% 41,32% 103,36%
Itaú Ações Dividendos FI 3,58% 11,53% 35,44% 122,11%
XP Dividendos FIA 3,56% 18,48% 43,56% 93,16%
XP Investor FIA 3,35% 12,80% 27,01% 114,20%
Ibovespa 0,70% 10,40% 26,42% 100,18%

Fonte: XP Investimentos, com base em dados da Economatica.

O fundo Fator Sinergia teve um mês fora da curva, no qual quatro posições fizeram a diferença: Via Varejo, Qualicorp, Cyrela e Even. Daniel Utsch, gestor de renda variável da Fator Administração de Recursos, conta que a carteira é mais voltada para teses da cena doméstica, como consumo, varejo de vestuário, de calçados e de eletroeletrônicos, saúde e construção civil, principalmente de mais alta renda.

“Enxergamos bastante potencial de valorização em vários ativos desses setores, principalmente se compararmos com segmentos com exposição cambial. A assimetria de risco já não está tão favorável para eles”, avalia.

Com foco num horizonte de três a cinco anos, a Equitas também tem uma carteira bastante concentrada em nomes domésticos, com destaque para Iguatemi, Azul, Localiza, Intermédica e Eztec, além de Petrobras.

Luis Felipe Teixeira do Amaral, fundador e gestor da Equitas, avalia que as empresas listadas em Bolsa estão em boas condições financeiras, com estruturas mais enxutas depois de períodos turbulentos, e ressalta a importância dos juros mais baixos do país sobre os custos corporativos. “Estamos vendo isso reverter em crescimento de lucro das empresas.”

 

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