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"É bom ter Bolsa, mas não de peito aberto", diz gestor e fundador da novata Kairós

Proposta do fundo Kairós Macro está na geração de valor no longo prazo, com uma estratégia que passa pelos mercados doméstico e internacional

Bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Adam Capital, Legacy, Dahlia, Vinland, Persevera, Trafalgar e MZK: o que essas gestoras de fundos têm em comum? Todas foram fundadas por profissionais com um histórico tradicional (e bem sucedido) no mercado financeiro, que saíram de bancos para criar uma casa independente própria.

Ao grupo, uniu-se desde o mês passado outra gestora com trajetória semelhante, a Kairós Capital. À frente da gestão está Fabiano Godoi, egresso da asset do banco Safra, onde atuou por dez anos e deixou o lendário fundo Galileo com um patrimônio de R$ 20 bilhões.

A Kairós chega ao mercado com um fundo multimercado macro, que deve encerrar o primeiro mês com cerca de R$ 300 milhões. A proposta do Kairós Macro, lançado oficialmente em 30 de abril e com volatilidade anual de 8%, está na geração de valor no longo prazo, com uma estratégia que passa pelos mercados doméstico e internacional.

A alocação atual contempla de 30% a 40% de risco no mercado externo, onde a gestora acompanha de perto o novo patamar de juros módicos nas principais economias, sem expectativa de mudanças no curto prazo. “Com os juros baixos no mundo, o ambiente continua benigno para ativos de risco. Só não é mais oba-oba”, disse Godoi em conversa com o InfoMoney, ao lado de Bruno Corrêa, também sócio da Kairós, além de diretor comercial. 

Nesse sentido, o gestor ressalta que anda difícil fazer a “calibragem” da posição ideal em Bolsa no momento, e destaca não ver condições para estar completamente fora do mercado ou negativo. “É bom ter Bolsa, mas não de peito aberto”, observou Godoi, para quem os riscos de renda variável estão mais na cena local que no mercado externo, ainda que considere o ambiente benigno de forma geral.

Embora as preocupações com os Estados Unidos estejam no radar de grande parte do mercado, o gestor não vê risco de recessão no curto prazo e acredita que o ciclo de valorização das bolsas americanas ainda pode avançar um pouco mais.

Em renda fixa, a Kairós vê oportunidade para se posicionar na parte intermediária da curva de juros. “Não compramos nem o kit brasil nem o kit mundo”, ressaltou o gestor, destacando ter ativos com baixa correlação no portfólio, em meio ao objetivo de capturar tendências de mais médio prazo.

No cenário atual, Godoi avalia que o Brasil é um dos poucos emergentes com perspectiva positiva de crescimento em relação aos últimos anos. Olhando para frente, a perspectiva é de que o país estará em uma condição melhor, ainda que com uma posição moderada pelas discussões acerca da reforma previdenciária.

Falando em reforma, o gestor espera uma economia da ordem de R$ 750 bilhões com sua aprovação no terceiro trimestre, valor necessário para equilibrar minimamente a relação dívida/PIB. Sem esse “risco de descalabro fiscal na mesa”, o investidor estrangeiro já deverá sentir mais conforto para investir no Brasil, opinou.

Com significado de “momento oportuno” em grego, a Kairós conta com uma equipe de nove pessoas, dos quais sete sócios, com bagagens de mais de 20 anos no mercado. Nomes como André Lóes (ex-HSBC e FGC) e André Leite (ex-TAG e Safra) compõem o time.

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