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Fundos de investimento captam R$ 45 bi em maio; poupança sofre resgate

No ano, indústria de fundos acumula captação líquida de R$ 86,5 bilhões, enquanto caderneta tem resultado negativo próximo de R$ 17 bilhões

SÃO PAULO – Para felicidade dos investidores, a já tradicional “maldição” do mês de maio sobre os mercados acionários não atingiu a Bolsa brasileira neste ano pela primeira vez na década, e os fundos de investimento também foram poupados do mau humor típico do período.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelam que, depois dos resgates de R$ 15,3 bilhões em abril, os fundos de investimento tiveram captação líquida de R$ 44,9 bilhões em maio.

Contribuíram positivamente para o resultado os fundos de renda fixa (com saldo líquido positivo de R$ 10,6 bilhões) e de ações (R$ 2,4 bilhões), enquanto os multimercados sofreram resgate de R$ 5,1 bilhões, dando sequência à saída de recursos em abril (R$ 5,9 bilhões).

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O grande destaque de maio ficou com os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com aplicações maiores que os resgates no valor de R$ 37,7 bilhões – maior saldo positivo desde janeiro de 2011.

Desempenho em 2019

No ano, a indústria de fundos acumula captação líquida de R$ 86,5 bilhões, valor 29,4% superior ao dos primeiros cinco meses de 2018.

Os fundos de ações estão entre os destaques positivo do ano, com saldo favorável de R$ 19,7 bilhões entre janeiro e maio. Segundo a Anbima, o resultado, entretanto, ainda está 8,2% abaixo do mesmo período do ano passado, quando os ingressos chegaram a R$ 21,5 bilhões.

Também chama atenção a captação líquida de R$ 10,7 bilhões dos fundos de previdência em 2019, com alta de 14,6% sobre os primeiros cinco meses de 2018. Os multimercados têm saldo positivo de R$ 3,7 bilhões no ano, assim como os fundos de renda fixa, com R$ 4,8 bilhões. Os FIDCs tiveram a captação mais expressiva dentre todos os fundos, com saldo positivo no ano de R$ 43,1 bilhões.

Poupança na direção contrária

Enquanto os fundos captaram em maio, a poupança perdeu recursos. Com depósitos de R$ 203,6 bilhões e retiradas de R$ 204,3 bilhões, a caderneta encerrou o mês passado com saldo líquido negativo de R$ 718,7 milhões, o pior resultado para o mês desde maio de 2016 (-R$ 6,6 bilhões).

Os dados, do Banco Central, apontam para uma sequência do movimento de abril, quando a poupança registrou saída líquida de recursos de R$ 2,9 bilhões. Com o desempenho de maio, a caderneta registra resultado negativo da ordem de R$ 17 bilhões no ano.

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Vale lembrar que, em 2017 e em 2018, a caderneta teve captação líquida positiva em R$ 17,1 bilhões e R$ 38,3 bilhões, respectivamente.

Neste ano até maio, a poupança rende 1,87%, enquanto o CDI, o referencial das aplicações de renda fixa, tem variação de 2,59%.

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