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SÃO PAULO – Os fundos de dividendos figuraram como as grandes estrelas da indústria de fundos este ano, acumulando valorização significativa nos primeiros oito meses de 2012. E não era para menos: em um cenário de incertezas com a economia global e com a bolsa andando de lado, as boas pagadoras de proventos estavam cada vez mais no radar dos investidores.
De acordo com a Anbima, até o dia 6 de setembro, antes das ações das elétricas despencarem, a rentabilidade acumulada dos fundos de dividendos estava em 12,81%, a maior de toda a indústria no ano. Mas isso deve mudar em breve. “O impacto desta queda vai ser bem forte nos fundos defensivos. Este mês de setembro vai ser um divisor de águas para esta indústria, que nos últimos três anos estava com um retorno muito bom”, afirma o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. “Esses fundos vão ser colocados à prova agora, a vai ter muito investidor ‘se machucando’, continua.
O estrategista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, concorda. “Essa forte queda vai causar um impacto forte nos fundos de dividendos. No Brasil, eles estão sempre muito ligados às empresas de utilities, como as de energia elétrica”, diz. Segundo ele, principalmente os fundos passivos (que seguem de perto estão muito comprados em ações de energia elétrica. “Estes vão sofrer ainda mais”, acredita.
Leia mais: Ações do setor elétrico passam de porto seguro a “mico” em poucos dias
À pedido do InfoMoney, a consultoria Economatica listou os fundos que mais estavam posicionados nas ações da Cemig, Transmissão Paulista e Cesp no mês de maio (os fundos devem informar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a sua posição acionária, mas isso pode ser feito com um atraso de 3 meses, por isso a posição desses fundos pode ter sofrido alterações no período).
De acordo com a consultoria, no quinto mês do ano, 15,1% do portfólio do fundo Maxiplan Fia Dividendos estavam alocados nos papéis preferenciais da Transmissão Paulista (TRPL4), que despencaram 30% entre os dias 10 e 13 de setembro. O fundo Apogeo Dividendos possuía 13,4% do seu portfólio nas ações preferenciais classe B da Cesp (CESP6), que recuaram 34% na semana e 7,1% em ações da Cemig (CEMIG4), que cederam 26,19% nos últimos 4 dias. Já o fundo Gradius Dividendos, da Gradius Gstão, possuía, em maio deste ano, 10,2% do seu portfólio alocado em ações preferenciais da Cemig. A Black Rock, maior gestora de recursos do mundo, aparece na página da BM&FBovespa como detentora de 9,4% das ações preferenciais da Cemig.
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O analista da Gradius, Felipe Miranda, ressalta que o Gradius Dividendos FIA deve sofrer impacto com a queda, mas que a concentração em utilities era baixa para os padrões brasileiros. “Tínhamos aproximadamente 15% da carteira em ações de utilities, o que é considerado relativamente baixo para os fundos de dividendos no Brasil. Nós sofremos um impacto na cota, mas comparado com outros fundos de dividendos vamos cair menos”, afirmou. Segundo ele, o gestor optou por vender as ações da Cemig, Transmissão Paulista e Taesa após o anúncio do Governo.
Já o diretor técnico da Apogeo Investimento, Paulo Bittencourt, aponta que o Apogeo Fia Dividendos estava bastante posicionado em ações de utilities até o primeiro semestre do ano, mas essa concentração diminuiu nos últimos meses. “Quando chegou no meio do ano, o gestor já olhava para o cenário um pouco melhor em 2013 e aumentou a diversificação. Já havia uma sensação de que o pior já tinha passado e não era mais necessário ter uma concentração tão grande em um único setor, por isso o impacto não será grande”, disse.
O diretor da Maxiplan Investimentos, Anderson Trapp, também afirmou que a posição do fundo mudou bastante nos últimos meses. “Não sofreremos este impacto porque revertemos essa posição em julho e e agosto. No começo deste mês, nós zeramos toda a posição no setor”, pontuou.
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Por fim, a Black Rock não se pronunciou sobre a queda dos papéis da Cemig.
Veja a lista da Economatica referente ao mês de maio:
| Fundo | Gestora | Percentual de ações na carteira |
|---|---|---|
| *Economatica | ||
| Maxiplan Fia Dividendos | Maxiplan | 15,1% |
| Taler Dividendo FIA | Legg Mason Western Asset | 13% |
| Legg Mason Master Dividendo FIA | Legg Mason Western Asset | 13% |
| Fia Af Invest Dividendos | Araujo Fontes | 12,5% |
| FIA Petreo Dividendos Master | Petra | 10,3% |
| Fundo | Gestora | Percentual de ações na carteira |
|---|---|---|
| *Economatica | ||
| Gradius Dividendos FIA | Gradius | 10,2% |
| Safra Mult Dividendos FIA | Banco J Safra | 7,9% |
| Itau Pers Renda Dividendos Ações | Itau Unibanco | 7,7% |
| Caixa FIA Dividendos | Caixa | 7,6% |
| Apogeo Investimentos | Vinci Gestora de Recursos | 7,1% |
| Fundo | Gestora | Percentual de ações na carteira |
|---|---|---|
| *Economatica | ||
| Apogeo Dividendos FIA | Vinci Gestora de Recursos | 13,4% |
| Vinci Gas Dividendos FIA | Vinci Gestora de Recursos | 12,3% |
| HSBC FIA Dividendos | HSBC Gestão de Recursos | 7,2% |
| Safra Multi Dividendos FIA | Banco J Safra | 4,1% |
| Alfa Dividendos FIA IQ | Alfa | 3,8% |
O que aconteceu
As ações do setor elétrico reagiram ao anúncio, feito pela presidente Dilma Roussef e pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, de redução do preço da energia elétrica a partir de 2013 e de renovação das concessões com vencimentos previstos a partir de 2015, fazendo as ações das empresas do setor desabarem.
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Para Brugger, da Leme, a reação do mercado foi um pouco exagerada, mas reflete uma posição defensiva dos investidores diante da intervenção do Governo. “Muitas corretoras e assets revisaram seus preços e acabou gerando um movimento de manada. Os investidores têm adotado este tipo de postura em casos de empresas que sofrem com algum tipo de medida do Governo”, pontua o analista da Leme.