FIIs de papel devem manter protagonismo em 2026, avalia Itaú; veja recomendações

Juros ainda elevados favorecem fundos de recebíveis, embora análise aponte riscos específicos em alguns veículos

Vinicius Alves

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Com a aproximação do início do ciclo de cortes de juros e o alívio observado nas curvas futuras, os fundos imobiliários de tijolo passaram a apresentar recuperação mais consistente no mercado secundário. Ainda assim, a avaliação do Itaú BBA é de que, em 2026, os fundos de papel devem manter protagonismo quando o critério central for geração de renda.

Apesar da expectativa de redução da Selic ao longo do ano, a projeção é de que a taxa terminal permaneça em patamar elevado, acima de 12% ao ano. Esse nível segue favorecendo os fundos indexados ao CDI, que tendem a sustentar rendimentos elevados, além dos FIIs atrelados ao IPCA, cuja atratividade é preservada por projeções mais estáveis da inflação.

Para o Itaú Asset, essa combinação mantém os fundos de papel como instrumentos competitivos em diferentes cenários macroeconômicos. Dentro da Carteira Renda com Imóveis do Itaú, os ativos financeiros representam atualmente cerca de 30% do portfólio, refletindo essa preferência estratégica.

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Fundo imobiliário Ticker P/VPRecomendação
Pátria Recebíveis ImobiliáriosHGCR111,00Compra
Kinea High YieldKNHY111,01Compra
Kinea Índice de PreçosKNIP111,00Compra
Kinea SecuritiesKNSC111,03Compra
Kinea UniqueKNUQ111,03Compra
Mauá Capital RecebíveisMCCI110,99Compra
RBR Rendimento High GradeRBRR110,96Compra
RBR Crédito Imobiliário EstruturadoRBRY110,93Compra
Vectis Juros RealVCJR110,86Compra

Entre os fundos recomendados pelo Itaú, a análise privilegia carteiras diversificadas, qualidade de crédito dos devedores, estruturas de garantias e capacidade de originação das gestoras. Fundos como HGCR11, KNHY11 e KNIP11 apresentam como preferência nesses quesitos, seja pela diversificação, seja pela liquidez e histórico das equipes de gestão.

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Pontos de atenção no radar

Apesar da visão construtiva para os FIIs de papel em 2026, o Itaú destaca pontos de atenção específicos em parte dos fundos recomendados. No HGCR11, por exemplo, embora a carteira seja considerada diversificada e com boa qualidade de crédito, algumas operações apresentam níveis de LTV (que mede a relação entre a dívida e o valor da garantia) acima de 70%. A instituição também chama atenção para garantias localizadas em regiões menos óbvias, fator que pode dificultar eventuais execuções.

Nos fundos, como KNHY11, KNUQ11 e RBRY11, o banco ressalta que a maior busca por retorno vem acompanhada de risco de crédito mais elevado, exigindo monitoramento contínuo das operações. No caso do KNHY11, apesar de ser visto como um dos fundos de maior liquidez e melhor estrutura dentro do segmento, há operações compromissadas que merecem atenção. Já no KNUQ11 e no RBRY11, a concentração setorial aparece como um ponto de alerta adicional.

A concentração também é observada em fundos considerados mais defensivos. No MCCI11, as cinco maiores operações representam cerca de 37% do patrimônio líquido, com destaque para a exposição ao WT Morumbi. Situação semelhante ocorre no RBRR11, onde os cinco principais CRIs somam aproximadamente 43% do PL.

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