FII de energias limpas ajusta estratégia e mira menor risco; o que muda?

Mudança na relação risco-retorno levou o fundo a reduzir exposição ao desenvolvimento

Vinicius Alves

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O fundo imobiliário SNEL11 (Suno Energias Limpas), voltado para ativos de geração distribuída de energia solar, iniciou sua trajetória investindo principalmente no desenvolvimento de projetos — estratégia que envolvia a construção de usinas desde a fase inicial. Com o amadurecimento do mercado, porém, a gestão passou a priorizar a aquisição de ativos já operacionais.

Segundo Guilherme Barbieri, head de infraestrutura da Suno Asset, a mudança está relacionada à evolução da relação entre risco e retorno dos projetos no setor. “Quando começamos o fundo, o custo de desenvolver um ativo era muito menor que o de comprar um ativo pronto. Naquele momento, fazia sentido correr o risco de desenvolvimento”, afirmou no Liga de FIIs.

A dinâmica permitiu que os primeiros investidores capturassem ganhos relevantes. Ou seja, quem participou das primeiras emissões não apenas recebeu dividendos, como também se beneficiou da valorização patrimonial dos projetos que foram desenvolvidos e posteriormente consolidados no portfólio.

Viva do lucro de grandes empresas

“Quando o retorno esperado passa a ser parecido, mas o risco de um ativo operacional é muito menor que o de um projeto em construção, a decisão do gestor é clara. A gente vai para onde a relação risco-retorno está mais equilibrada”, explica Barbieri.

Outro fator que contribuiu para a mudança foi o aumento de incertezas regulatórias e operacionais no processo de conexão das usinas à rede elétrica, o que elevou o risco dos projetos greenfield, iniciativa desenvolvida totalmente do zero.

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Os desafios do desenvolvimento de usinas

Com o crescimento do patrimônio do fundo, que hoje se aproxima de R$ 1 bilhão, o impacto de eventuais problemas em ativos específicos tende a ser menor dentro do portfólio total.

Ao mesmo tempo, a própria dinâmica do setor de geração distribuída passou por um processo de profissionalização. Para Tiago Reis, fundador do Grupo Suno, muitos investidores que entraram no segmento inicialmente enxergavam os projetos como uma espécie de renda passiva semelhante à renda fixa.

“Muita gente investiu achando que era algo simples, mas na prática você tem operação, manutenção, segurança e uma série de desafios técnicos. Não é um ativo trivial de administrar”, comenta.

Hoje, segundo a gestora, a operação do fundo envolve mais de 100 profissionais, incluindo equipes responsáveis pelo monitoramento da produção das usinas, manutenção e gestão operacional dos ativos.

Nesse contexto, a estratégia de priorizar usinas já prontas e conectadas à rede elétrica busca justamente aumentar a previsibilidade do fluxo de caixa e reduzir riscos operacionais — um fator considerado essencial para investidores que dependem da renda gerada pelos fundos imobiliários.

“Tem muitos investidores que usam os rendimentos da carteira de FIIs para pagar contas do dia a dia. Por isso a previsibilidade da renda é algo que a gente leva muito a sério na gestão”, conclui Barbieri.

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Confira a seleção completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

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