FIDCs batem R$ 41 bi até maio e encurtam distância para debêntures

Instrumento que facilita o acesso de empresas ao mercado financeiro registrou crescimento de 36,5% nos cinco primeiros meses do ano, superando CRIs, CRAs e FIIs em volume

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Foto: Unsplash
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O mercado de capitais somou R$ 283 bilhões em ofertas encerradas entre janeiro e maio, alta de 14,1% ante o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados na terça-feira (16) pela Anbima. O destaque do período são os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que cresceram 36,5% em volume e se consolidaram como o segundo maior instrumento de captação do mercado, atrás apenas das debêntures, dessa vez com uma diferença menor em relação ao ano passado.

Os FIDCs acumularam R$ 41,7 bilhões no período, superando CRIs, CRAs e FIIs em volume. Em quantidade de operações, lideraram com folga: foram 406 emissões, contra 237 de debêntures, instrumento que concentra os maiores volumes do mercado com R$ 146,3 bilhões captados, mas que registrou recuo de 5,9% na comparação anual.

No mesmo período de 2025, os FIDCs também ficaram em segundo colocado, mas a uma distância maior para as debêntures: R$ 30,51 bilhões contra R$ 155,55 bilhões em emissões. Em um ano, a diferença entre os instrumentos reduziu em cerca de 26%.

A Anbima classifica os fundos como uma porta de entrada relevante para empresas que ainda não têm escala para emitir debêntures, um perfil que explica o maior volume de operações em tamanhos menores.

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“Os dados de emissões locais e externas reforçam a percepção de um mercado de capitais mais completo e com capacidade de atender diversos cenários de apetite a risco através de diferentes estratégias de captação, evidenciando a maturidade do mercado como um todo”, afirmou Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.

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No segmento de renda variável, os follow-ons atingiram R$ 13,8 bilhões, quase quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025 (R$ 3,5 bilhões). Apenas em maio, o mercado de capitais movimentou R$ 47 bilhões em 238 operações, expansão de 7,3% em volume e de 14,4% em quantidade ante maio do ano passado.

No agro, CRAs recuam forte

O segmento do agronegócio apresentou dinâmica contrária entre seus principais instrumentos. As Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-Fs) registraram R$ 6 bilhões em ofertas nos cinco primeiros meses, volume 35,8% superior ao contabilizado em todo o ano de 2025. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) sofreram retração de 56,4% na comparação anual, totalizando R$ 5,4 bilhões.

A divergência reflete uma migração de parte dos emissores as CPR-Fs no financiamento do agronegócio diante de uma escassez de crédito para o setor.

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No mercado externo, as emissões de renda fixa somaram US$ 20,2 bilhões no acumulado de janeiro a maio, crescimento de 46,2% ante o mesmo intervalo de 2025. A República respondeu por 53,6% do volume, seguida por empresas (36,3%) e instituições financeiras (10,2%).

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