FGC anuncia início do pagamento a investidores do Banco Master

FGC prevê desembolso de R$ 40,6 bilhões para 800 mil de investidores, que devem finalizar as etapas do pedido de ressarcimento a partir deste sábado

Paulo Barros

Fachada do Banco Master (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Fachada do Banco Master (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou neste sábado (17) o início do processo de pagamento aos investidores que possuíam CDBs do Banco Master. O início do ressarcimento ocorre dois meses após a decretação da liquidação extrajudicial das instituições que compõem o grupo: Banco Master S.A, Banco Master de Investimento S.A e Banco Letsbank S.A.

Investidores devem acessar o aplicativo do FGC para dar prosseguimento às etapas necessárias a partir das 9h30 deste sábado (17).

“Concluída esta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade”, explica Daniel Lima, diretor-presidente do FGC.

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“É importante que as pessoas estejam atentas às tentativas de golpe. Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, alerta Lima.

Os investidores devem baixar o aplicativo da entidade, realizar o cadastro e aguardar as notificações com as orientações. Após manifestar o interesse e assinar digitalmente o termo de solicitação, o valor a receber será depositado na conta indicada em até dois dias úteis.

No caso de pessoas jurídicas, o pedido de garantia deverá ser concluído pelo site da instituição (www.fgc.org.br).

Leia mais: Como receber o ressarcimento do FGC: veja passo a passo completo

O FGC revisou a quantidade de investidores impactados e o montante que será desembolsado pelo fundo. O volume total de pagamentos irá somar R$ 40,6 bilhões, ante estimativa de R$ 41 bilhões, atendendo cerca de 800 mil investidores, bem menos que a previsão anterior de 1,6 milhão.

A cobertura do fundo tem um limite de até R$ 250 mil por investidor e por instituição financeira. O FGC possui liquidez de R$ 125 bilhões.

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O investidor, no entanto, precisa ter atenção ao valor a receber: a aplicação só rendeu até 18 de novembro, quando o Master foi liquidado. Desde então, passaram-se dois meses sem remuneração dos recursos, que ficaram “congelados”.

Segundo o FGC, a demora aconteceu por conta da operação e dos processos do Master.

“O porte, os modelos operacionais e a qualidade dos processos e controles praticados pelas instituições liquidadas têm impactos relevantes sobre o tempo necessário para a conclusão dos trabalhos”, explica Lima. “A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível.”

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Relembre o caso Banco Master

A crise do Banco Master teve início após o avanço de investigações sobre operações financeiras consideradas irregulares, que levaram o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

Antes da liquidação, o controlador Daniel Vorcaro buscou vender a instituição, afundada em um passivo bilionário lastreado em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades. Uma tentativa de aquisição pelo Banco de Brasília (BRB) foi vetada pelo Banco Central. Em seguida, foi anunciada a venda do banco a um consórcio liderado pela Fictor Holding, com previsão de aporte de capital, mas a operação não se concretizou.

Pouco depois do anúncio da venda para a Fictor, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar em um voo particular. A defesa negou tentativa de fuga. Na sequência, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial e nomeou um liquidante para encerrar as operações, vender ativos e pagar credores.

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A investigação se desdobrou em diferentes frentes. A Polícia Federal apura suspeitas de fraudes financeiras, desvios de recursos e eventual interferência em decisões regulatórias. Em fases recentes da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, com bloqueio e sequestro de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões, além de apreensão de dinheiro em espécie.

O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União, que questionou aspectos da liquidação, em gesto visto como ameaça à autonomia do BC. A crise, no entanto, se instalou mesmo no Supremo Tribunal Federal, onde parte das apurações tramita sob sigilo, por decisão do ministro Dias Toffoli, criticado pela condução da matéria.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)