ETFs: quando eles se parecem com ações e quando se parecem com fundos?

Gestora explica ainda quais fatores devem ser observados e avaliados antes de se escolher essa modalidade de investimento

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SÃO PAULO – Durante a coletiva de imprensa para o lançamento do ETF (Exchange Traded Fund) It Now IFNC, que segue o Índice Financeiro da Bolsa, que mede o comportamento das ações de bancos, de empresas de serviços financeiro, previdência e seguros, a superintendente de gestão de recursos do Itaú, Tatiana Grecco, explicou quais são as principais diferenças e semelhanças entre os ETFs, os fundos passivos e as ações. 

“Costumamos dizer que o ETF tem um pouquinho dos dois mundos. Em um momento, ele se parece mais com as ações e, em outros, com os fundos de investimento”, afirma. 

“Por exemplo, nos fundos você não consegue comprar uma cotação no intraday. Independentemente da hora que você alocar seu dinheiro, o fundo só vai emitir cotas no final do dia, com o valor do fim da sessão. Então, o investidor vai comprar e não sabe exatamente o valor de cota que vai receber. No ETF não. Como ele está fazendo trade na Bolsa, ele está comprando uma cota como uma ação, e sabe exatamente o valor na hora da compra”, disse Tatiana.

“Além disso, a partir do momento da compra, no ETF, ele já está exposto ao risco, já vai ter resultado, ganho ou perda, dependendo do resultado do mercado. No fundo não, os resultados só começam a partir do dia seguinte ao da locação, e nisso você pode perder um palpite que tem para aquele dia. Então, nessa situação, o ETF é muito parecido com uma ação individual”. 

Outras semelhanças e diferenças
Tatiana conta ainda que, assim como as ações, os ETFs devem ser adquiridos por meio de uma corretora – ao contrário dos fundos – e por isso há cobrança de taxa de administração, corretagem e custódia. Nos fundos, vale lembrar, não existe cobrança de corretagens na compra e venda, mas há cobrança de taxa de administração e de performance. 

Quando o assunto é a gestão, o ETF é similar aos fundos passivos. Há um gestor atuando sobre os papéis que compõe o investimento e garantindo certa rentabilidade prometida para a modalidade. “Até por isso, nos fundos e ETFs, é possível haver diversificação, enquanto nas ações isso é mais difícil porque cabe ao investidor comprar ação por ação para compor uma cesta. É trabalhoso e caro, considerando a corretagem. Já o gestor de fundos e ETFs faz esse trabalho pelo investidor”. 

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Além disso, enquanto os fundos possuem um valor mínimo de investimento – que não costuma ser muito baixo – nas ações e ETFs os valores exigidos são bem menores, já que é possível comprar no mercado fracionário. “Para se ter ideia, nesse novo ETF, o IT Now IFNC, dá para comprar uma cota por menos de R$ 40. Ou seja, um valor possível até para quem tem o perfil de usar apenas a poupança para alocar seus recursos”. 

Antes de entrar em um ETF
A gestora aproveitou ainda para explicar o que um investidor deve ponderar antes de decidir que o ETF é uma boa modalidade para ele. 

“O perfil de risco é essencial, afinal, o ETF flutua na Bolsa, então quem é muito conservador e não está muito disposto a essas oscilações deve evitar. Também é muito importante conhecer a reputação do gestor, afinal é ele quem vai decidir onde colocar seu dinheiro. Eu aconselho que o investidor faça uma pesquisa do desempenho do gestor não apenas no produto que ele pretende comprar, mas também em outros produtos que ele já geriu antes”. 

A questão da liquidez também deve ser muito bem avaliada. “Afinal, se você precisar do dinheiro, quiser sair rapidamente, você precisa saber se vai ter como fazer isso no curto prazo”.

Por fim, Tatiana voltou a alertar sobre os custos. “É preciso fazer as contas. As taxas de administração, corretagem e custódia vão valer a pena diante da rentabilidade prevista? É essa a pergunta que o investidor deve se responder antes de entrar em um ETF”.