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Estratégia 60/40 vale para brasileiro investir no exterior? Confira proporção indicada de ações e renda fixa

Portfólios com 60% de ações e 40% de renda fixa são clássicos para americanos de perfil moderado; para brasileiros, estratégia apresenta desafios

Monique Lima

(Getty Images)

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A estratégia de investimento 60-40 é um clássico nos Estados Unidos entre investidores de perfil moderado. É uma alocação que destina 60% do portfólio para ações e 40% para títulos de renda fixa. Na última década, entre 2011 e 2021, o Goldman Sachs calcula que o retorno anual médio desta estratégia foi de 11%.

Para brasileiros que investem no exterior, a escolha desta estratégia para seus portfólios internacionais divide opinião entre especialistas. Quem refuta, afirma que a estratégia é para um perfil moderado dos Estados Unidos – o investimento no exterior para um brasileiro já requer um perfil mais arrojado. Quem apoia, afirma que o mercado norte-americano tem mais liquidez e um histórico sólido de ganhos no longo prazo.

O maior volume de alocação em ações faz sentido para os americanos, segundo Marcus Vinicius Leoncio, coordenador da mesa internacional da Nomos. Ele explica que, historicamente, a taxa de juros do país é baixa, próxima de zero, “o que favorece o crescimento das empresas devido ao custo de capital baixo e alimenta o mercado acionário, um dos maiores do mundo”, diz.

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No mesmo período de 2011 a 2021, o principal índice de ações dos EUA, o S&P 500, avançou cerca de 170%. Já a renda fixa, responsável por 40% do portfólio, tem um retorno menor, alinhado aos juros baixos.

“Essa proporção de 40% da renda fixa é muito baseada nos títulos públicos prefixados dos Estados Unidos”, diz Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos. Os títulos do Tesouro de dez anos, chamados T-Bonds, são os mais populares para alocação na estratégia 60-40 e ganharam 42% entre 2011 e 2021.

“Os americanos tendem a deixar em renda fixa apenas o que eles precisam para seus projetos de curto prazo. Projetos de longo prazo têm o capital alocado no mercado de ações, que tende a trazer uma valorização muito maior”, diz Leoncio, da Nomos.

Mercados distintos

Leoncio destaca que a experiência de investimentos do brasileiro é distinta da do norte-americano. Enquanto a alocação majoritária deles é em ações, o brasileiro está mais acostumado com a renda fixa, segundo o analista.

Historicamente, os títulos públicos brasileiros pagam bons rendimentos devido aos juros do País serem (bem) mais altos. A poupança – que rende menos do que um título do Tesouro Direto – ainda é o ativo financeiro mais popular por aqui.

Mesmo para quem já possui experiência em ações no Brasil, o mercado dos Estados Unidos pode causar estranheza, diz Paula Nestrovski, gerente de investimentos internacionais na Warren.

“Os brasileiros não têm experiência com a liquidez e a volatilidade do mercado americano”, diz Nestrovski. “A pior coisa que se pode fazer em um cenário de queda no valor das ações ou títulos é vender os ativos. Para um investidor sem experiência, o resultado pode ser ruim.”

O mercado norte-americano não vive o melhor dos momentos desde o ano passado. Nem mesmo a clássica estratégia 60-40 resistiu à crise econômica que se instaurou com a forte inflação e aumento dos juros no país. Em 2022, o retorno da estratégia ficou negativo: -34,4%, segundo o Bank Of America (BofA). O S&P caiu 18,01% e os T-bonds perderam 17,83% do valor.

A inflação alcançou o maior nível dos últimos 40 anos no ano passado, ao chegar em 9% no acumulado de 12 meses. Para conter o avanço dos preços, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) promoveu dez aumentos consecutivos nos juros, elevando as taxas à faixa de 5% a 5,25% em maio deste ano.

Com isso, a renda fixa, que normalmente tem uma correlação negativa com o mercado de ações, mudou de lado, já que ambos os ativos financeiros perderam valor devido à marcação a mercado dos papéis.

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“Em 2022 não teve para onde fugir. A maioria das classes de ativos tiveram um desempenho ruim nos EUA. Mas isso não quer dizer que a estratégia 60-40 é ruim”, diz Nestrovski, da Warren. “Quando o foco do investidor está no longo prazo, esses ruídos temporários são menos relevantes.”

Planejamento e longo prazo

Em relatório de alocação mensal, divulgado em maio, a equipe da Levante indicou os seguintes pesos para o portfólio internacional dos três principais perfis de risco dos investidores:

Costa, da Fatorial, afirma que é importante entender que o movimento de taxa dos juros dos Estados Unidos ainda não acabou.

“Os juros ainda podem subir mais um pouco ou podem ficar estáveis por algum tempo. Isso vai gerar volatilidade nos títulos de renda fixa”, diz Costa. “Para as ações, estamos vendo um movimento de recuperação que poderá melhorar quando as taxas forem cortadas. Mas não sabemos quando isso acontecerá.”

Para ele, a alocação 60-40 é muito agressiva para um investidor brasileiro. Ele afirma que é importante começar aos poucos, com uma postura mais moderada em relação aos ativos internacionais.

Nestrovski, da Warren, afirma que o mais importante é ter planejamento e consistência. “A primeira coisa a se fazer é definir o plano para aquele dinheiro e a tolerância à volatilidade e ao risco. O dinheiro que vai para o exterior não ficará disponível para resgate a qualquer momento”, diz.

Segundo Leoncio, da Namos, seja a estratégia 60-40 ou outra, o foco do investimento no exterior deve ser o longo prazo. “Cerca de 70% dos gestores mundiais não conseguem bater o desempenho do S&P 500 com suas estratégias. Para o brasileiro, além do desempenho dos ativos, a exposição ao dólar tende a render no longo prazo”, diz.

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