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Esses 2 países estão “roubando” investidores dos EUA com foco em dividendos; entenda

Eles oferecem ETFs que investem em empresas americanas e têm benefícios tributários

Lucas Gabriel Marins

Ativos mencionados na matéria

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Por causa dos benefícios fiscais e tributários, dois países europeus estão atraindo brasileiros que normalmente investem diretamente nos Estados Unidos por meio de contas internacionais.

Investidores têm recorrido aos mercados da Irlanda, carinhosamente chamada de Ilha Esmeralda, e Luxemburgo, considerado um dos centros financeiros mais importantes do mundo, para aplicar em ETFs (fundos de índice) de dividendos.

O produto mais buscado é o ETF de dividendo “acumulação”, explica Alexandre Brito, sócio e gestor da Finacap. Há quase um ano, a Warren também apontou para esse mesmo movimento, citando especificamente a Irlanda.

Viva do lucro de grandes empresas

Em resumo, esses ETFs de acumulação são domiciliados nas duas nações europeias, mas investem em empresas americanas que pagam dividendos. No entanto, em vez de distribuí-los aos cotistas, eles reinvestem os proventos nessas companhias. Esse é o caso do DIVO11 e do BBSD11, negociados na B3.

Na Irlanda e em Luxemburgo, há ainda uma vantagem tributária: há um acordo entre os EUA e essas duas nações para recolher apenas 15% de imposto, metade dos 30% cobrados direto na fonte lá na Terra do Tio do Sam. O investidor brasileiro que investe nos produtos e paga essa “tributação na conta americana compensa com o que ele deveria pagar no Brasil”, explicou Brito. Aqui no país, vale lembrar, há uma alíquota única de 15% de Imposto de Renda para investimentos no exterior.

Mas atenção: esse abatimento dos impostos só para vale para os ETFs de acumulação. Há também nos países europeus os famosos ETFs de distribuição – aqueles que depositam proventos regularmente aos acionistas -, mas eles não se enquadram na regra e as taxas são altas. Segundo dados da OCDE, a Irlanda cobra 51% de imposto sobre dividendos, o maior do mundo, para residentes no país.

Em 2023, o volume total investido em ETFs de acumulação em toda a Europa foi de US$ 186,51 bilhões, uma média de US$ 15,54 bilhões por mês. Neste ano, o volume já bateu US$ 148,30 bilhões, com média mensal de US$ 21,19 bilhões. O mercado europeu de ETFs ultrapassou US$ 2,11 trilhões sob gestão em julho, o maior já registrado. Os dados são da empresa de research ETFGI e da Finacap.

Tipos de ETFs

Há diversos tipos de ETFs na Irlanda e Luxemburgo e demais, tanto de renda fixa, com exposição a bonds de curta duração e de média e longa duração, como fundos de renda variável, com exposição a mercados desenvolvidos e mercado emergentes. Conheça alguns dos fundos de acumulação.

ETFs da Irlanda e de Luxemburgo:

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ETFDomícilioDesempenho (5 anos)
iShares Core S&P 500 UCITS ETF (CSPX)Irlanda105,11%
NASDAQ 100 UCITS ETF (CNDX)Irlanda157,38%
BGF Global Allocation Fund (XMHP)Luxemburgo23,20%
BGF World Technology Fund (MI9V)Luxemburgo132,59%
Cotações: TradingView
Data de corte: 23/08/2024

Como investir em ETFs

Os ETFs irlandesas e de Luxemburgo estão disponíveis nas bolsas de valores europeias, principalmente a de Londres. Para negociar, é necessário ter conta em alguma corretora que dê acesso a esses ambientes de negociações de ações e outros produtos financeiros.

Ao converter real em moeda estrangeira, o brasileiro precisa arcar com IOF, que varia entre 0,45% e 1,10%, dependendo do tipo de conta internacional aberta. As corretoras e gestoras também costumam cobrar taxas bancárias (chamadas de spread), que variam entre 0,30% a 3%, pelo serviço de câmbio.