Especialistas recomendam equilíbrio para lidar com perdas na Bolsa

"O primeiro ponto é que a cabeça tem que estar no comando e não a emoção", afirma a gerente do Easynvest, Miriam Macari

Publicidade

SÃO PAULO – Não é novidade para ninguém que o mercado de ações brasileiro tem “patinado” nos últimos meses e, desde o início de 2010, vem sofrendo com a volatilidade provocada por turbulências internacionais e questões relacionadas à economia interna, como o aumento da taxa de juros e as medidas do Governo para reduzir a demanda – e o consequente aumento da inflação.

No mês passado, por exemplo, o Ibovespa (Índice Bovespa, principal índice de ações da bolsa paulista) registrou queda de 3,58% e, apenas nos quatro primeiros pregões de maio, a queda acumulada já atingiu 4,1%.

Neste tipo de cenário, especialistas aconselham que o melhor para aqueles que estão “comprados”, ou seja, os investidores que possuem ações no portfólio de investimentos, é manter a tranquilidade, ser racional e não agir por impulso.

De acordo com a gerente do Easynvest, Miriam Macari, por mais que pareça difícil, o investidor precisa manter a calma diante de momentos de maior pressão por conta da queda acentuada do preço das ações. “O primeiro ponto é que a cabeça tem que estar no comando e não a emoção”, afirma.

Pivô de baixa
O especialista do Money Fit, André Massaro, aponta que no pregão da última quarta-feira (4), o gráfico do Ibovespa apresentou um movimento peculiar, que pode assustar muitos investidores.

“A bolsa fez um movimento que os analistas chamam de pivô de baixa, perdeu o fundo. Se o investidor entrar em pânico, pode acabar vendendo na baixa e sair no prejuízo”, ressalta o especialista.

Continua depois da publicidade

Por isso, ele também aconselha que o investidor procure manter a calma e não saia correndo atrás de informações com parentes, amigos. “Não adianta ficar tentando antecipar o movimento do mercado”, aponta.

Longo Prazo
O especialista do Money Fit lembra que, principalmente para os investidores iniciantes, as ações devem ser encaradas como um investimento de longo prazo.

Por isso, em momentos de queda como agora, ele é categórico: “o melhor é não fazer nada. Especialmente o investidor menos experiente, deve sempre comprar ações com objetivo de longo prazo e ganhar dividendos. Assim, em casos como agora, o melhor é aguardar”, ressalta o especialista.

Efeito manada
De acordo com a gerente do Easynvest, uma atitude comum dos investidores em momentos de maior turbulência e queda das ações é seguir o que a maioria está fazendo, o chamado “efeito manada”.

“Quando as ações caem, os investidores costumam seguir o movimento da maioria. Na dúvida, ou por falta de conhecimento, muitos acabam seguindo o grupo e vendem as ações com prejuízo”, ressalta a gerente.

Assim, segundo ela, o melhor a fazer é estudar os fundamentos da empresa e analisar as possibilidades de recuperação do ativo, evitando agir por impulso.

Continua depois da publicidade

Estratégia
Para Miriam, antes de comprar qualquer ativo, o investidor precisa ter bem claro quais são as suas estratégias em relação àquele papel e utilizar ferramentas que limitem suas perdas, em caso de oscilações muito fortes.

“O principal é ter uma estratégia definida. O investidor deve se perguntar o quanto pretende ganhar e quanto está disposto a perder e colocar ordens de ‘stop’ para quando o preço da ação chegar naquele patamar”, diz a executiva.

Ela lembra que as ordens de ‘stop’ são especialmente importantes para aqueles que não costumam acompanhar as oscilações do pregão diariamente. “O problema de não colocar a ordem é que as vezes você não acompanha o mercado e tem uma surpresa no final do dia”, afirma Miriam.

Continua depois da publicidade

Entretanto, se você não utilizar a ordem ‘stop’ e as ações caírem muito, o ideal mesmo é tentar manter a tranquilidade e analisar as chances de recuperação do ativo. “Você tem que se perguntar se o melhor é continuar com o papel, se é uma empresa boa, que pode se recuperar”, aponta.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip