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SÃO PAULO – A crise financeira enfrentada pelo mundo gerou no Brasil a necessidade de corte na Selic. Para o vice-presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Miguel de Oliveira, por exemplo, um ciclo de reduções da taxa básica de juro é necessário para amenizar a desaceleração da atividade econômica, os estoques elevados das grandes indústrias e a queda do consumo.
Porém, são vários os efeitos positivos e negativos da queda dos juros sobre os investimentos. Se de um lado, as empresas e a economia local ganham, de outro alguns investimentos em renda fixa se tornam menos atrativos para quem pretende começar a aplicar nesta modalidade. Porém, há boas notícias para quem já tem recursos alocados.
Entenda a renda fixa
Antes de mais nada, vamos esclarecer o que é renda fixa. Os títulos de renda fixa são aqueles que pagam, em períodos determinados, uma certa remuneração, que pode ser definida no momento da aplicação ou na hora do resgate. É como se você emprestasse dinheiro ao emissor dos títulos (pode ser um banco, uma empresa ou o governo) e o rendimento, nada mais é que a remuneração que você recebe por ter emprestado seu dinheiro.
Os títulos de renda fixa são divididos, basicamente, em duas categorias: pré-fixados e pós-fixados. A diferença é simples: enquanto no pré-fixado você sabe exatamente quanto o valor investido vai render – desde que mantenha seu título até o vencimento, no pós-fixado só é possível conhecer o rendimento no fim da aplicação. Isso porque, o rendimento é determinado pela variação de um certo índice, mais uma taxa de juro.
Vamos exemplificar: se você investir R$ 1 mil em um título pré-fixado, a uma taxa de 6% ao ano,
ao final de 12 meses você terá R$ 1.060 (não consideraremos possíveis despesas e impostos para facilitar os exemplos nessa matéria).
No pós-fixado é possível investir os mesmos R$ 1 mil em um título com rendimento indexado pela inflação (medida pelo IPCA ou pelo IGP-M) mais uma taxa de juros pré-determinada. Assim, se a inflação for 5% e a taxa for 6%, seu investimento renderá 11% e ao final de um ano você terá R$ 1.110. Se a inflação fechar o ano em 8%, seu rendimento será de 14%, resultando em R$ 1.140 em 12 meses. Aqui, os ganhos podem ser maiores, mas os riscos também são.
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Pré-fixados x Selic
Os movimentos da taxa básica de juros (Selic) influenciam diretamente os rendimentos em renda fixa. Para quem está pensando em investir na modalidade pré-fixada, cortes na taxa significam rendimentos menores.
Aqui é simples entender: se você tivesse comprado um título do Tesouro Nacional até o dia 21 de janeiro, ou seja, antes do Copom reduzir a Selic, ele renderia 13,75% (ao ano), o valor da taxa na data do contrato. Porém, se esse mesmo título for adquirido agora, após o corte de 100 pontos base na Selic, ele renderá 12,75% (ao ano), um bom rendimento se considerarmos os baixos riscos deste investimento.
Porém, para quem já possui um investimento em renda fixa, a queda nos juros pode significar ganhos, se os papéis forem vendidos no mercado secundário. Para entender como funciona, vamos às contas: supondo que você estivesse interessado em receber R$ 100 mil ao final de um ano de investimento. Com a Selic a 13,75%, você adquiriu, por R$ 86,25 mil, um título do Tesouro Nacional e garantiu sua meta. Porém, se você estiver com o mesmo objetivo agora, com a Selic a 12,75%, para alcançar os mesmos R$ 100 mil ao final de um ano, seria necessário investir R$ 87,25 mil.
Assim, quem comprou o título quando os juros estavam maiores, tem a opção de vendê-lo pelo atual valor de mercado, afinal, quem quer começar a investir nessa modalidade tem duas opções: comprar direto do tesouro, com um rendimento menor (12,75%), ou comprar de você, no mercado secundário, com um rendimento maior (13,75%). Por tanto, um ciclo de cortes na taxa básica de juro pode beneficiar quem já possui em sua carteira esse tipo de investimento.
Pós-fixados
Com os pós-fixados indexados à Selic, os rendimentos caem na mesma mesma proporção que os cortes na taxa básica, já que seus rendimentos são a soma da variação do indexador (nesse caso a Selic) + taxa.
Vamos pegar como exemplo o título público LFT 070312. Segundo o próprio Tesouro Nacional, esse é um título com rentabilidade diária vinculada à taxa de juro básica da economia . Seu vencimento é em 07 de março de 2012, e a taxa que se soma ao indexador (Selic) é de 0,04% ao ano.
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Ou seja, considerando a Selic atual, o rendimento anual desse investimento é de 12,79%. Obviamente, se houver um ciclo de quedas na taxa básica de juro, haverá redução de rendimento. Da mesma forma, se houver alta, o investimento renderá mais.