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Quando o assunto é dividir os lucros com os acionistas, as empresas brasileiras não fazem feio. De janeiro de 2020 a dezembro de 2024, elas distribuíram nada menos que R$ 1,3 trilhão em dividendos, segundo dados levantados pela Economatica a pedido do InfoMoney. Para se ter uma ideia do tamanho desse montante, ele equivale a quase duas vezes o PIB do Equador!
Algumas empresas ainda não foram incluídas na amostra do estudo porque não divulgaram o balanço do quarto trimestre do ano passado. Quando todos os resultados forem publicados – o que, de acordo com o calendário, ainda deve levar algum tempo -, o valor analisado pode aumentar ainda mais.
Ok, mas que setor está no topo do pódio?
Petróleo e gás
O setor de petróleo e gás lidera a distribuição de proventos no Brasil, respondendo sozinho por R$ 509 bilhões em dividendos, o que representa quase 40% do total distribuído no período. A maior parte desse valor vem da Petrobras (PETR4), que se destaca como a principal pagadora do setor, tendo repassado R$ 472,9 bilhões aos seus acionistas. A estatal tem um peso expressivo por causa de uma série de fatores, segundo Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos.
“Primeiro, a Petrobras aumentou sua eficiência operacional, focando na exploração de petróleo e otimizando seus ativos. Além disso, houve uma valorização do preço do petróleo e do dólar, trazendo mais receita. Outro ponto relevante foi a política de preços dos combustíveis, que, na época, acompanhava a variação do petróleo no mercado internacional. Com esses elementos, a Petrobras conseguiu gerar um fluxo de caixa expressivo. Paralelamente, reduziu investimentos, o que ampliou sua capacidade de distribuir dividendos”.
Para 2025, a expectativa continua positiva para a gigante do petróleo. O Itaú BBA, por exemplo, sugere um dividend yield projetado (indicador que mede a expectativa com o rendimento de uma ação apenas com o pagamento de proventos) ordinário de 12% para o ano e de 14% caso a companhia distribua dividendos extraordinários.
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Os bancões
O segundo setor que mais paga proventos é o de finanças e seguros. No período, as empresas do setor – especialmente os bancões – depositaram R$ 234 bilhões em dividendos aos investidores. O destaque foi o Itaú (ITUB4), com R$ 58 bilhões em proventos pagos no período, seguido por Banco do Brasil (BBAS3), com R$ 56 bilhões.
“Diferente de outros setores, o bancário não exige investimentos massivos em expansão, já que a maior parte do mercado já foi explorada. Isso permite que essas instituições maximizem sua rentabilidade e repassem parte significativa dos lucros aos acionistas”, disse Cunha.
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Para especialistas, os gigantes do setor financeiro devem continuar distribuindo proventos ao longo deste ano, especialmente por causa do lucro nominal consolidado de R$ 108,2 bilhões no ano passado, um recorde histórico. Os dividend yield projetado varia entre 8% e 10,80% entre os principais nomes do setor.
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Mineração
Em terceiro lugar está o setor de mineração, com R$ 195,6 bilhões depositados entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2024. Assim como no caso das companhias de petróleo e gás, esse segmento foi puxado principalmente por uma única empresa: a Vale (VALE3), que no período pagou R$ 174,8 bilhões.
Para este ano, segundo o Santander, a empresa tem um dividend yield projetado de 8,29%. A distribuição de proventos da empresa, no entanto, está bastante ligada à retomada mais forte da atividade industrial na China, recuperação dos preços do minério de ferro em níveis mais elevados e destravamento de valor com venda minoritária da divisão de metais básicos, disse a instituição financeira em relatório publicado neste mês.
“Em relação ao minério de ferro no mercado internacional, mantemos visão cautelosamente otimista sobre os preços da commodity a médio prazo, pois a nossa tese é orientada pela restrição de oferta, uma vez que os persistentes desafios de suprimento devem sustentar os preços do minério de ferro acima de US$ 100/t por mais tempo. Para 2025, temos uma projeção de preços médios de minério de ferro de US$ 115/t”.
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Veja os setores que mais pagaram dividendos:
| Setores | Dividendos pagos entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2024 (em bilhões) |
|---|---|
| Petróleo e Gás | R$ 509,8 |
| Finanças e Seguros | R$ 234,7 |
| Mineração | R$ 195,6 |
| Energia Elétrica | R$ 121,1 |
| Alimentos e Bebidas | R$ 60,2 |
| Siderurgia & Metalurgia | R$ 52,2 |
| Telecomunicações | R$ 30,5 |
| Outros | R$ 29,4 |
| Comércio | R$ 12,8 |
| Papel e Celulose | R$ 12,5 |
| Química | R$ 11,4 |
| Transporte e Serviços | R$ 10,7 |
| Máquinas Industriais | R$ 10,1 |
| Agro e Pesca | R$ 7,7 |
| Têxtil | R$ 5 |
| Software e Dados | R$ 5 |
| Construção | R$ 4,8 |
| Veículos e Peças | R$ 2,1 |
| Eletroeletrônicos | R$ 0,6 |
| Minerais não Metálicos | R$ 0,3 |
| Total | R$ 1,3 trilhão |
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