Oportunidades de investimento

Em meio à retomada, setor de turismo, bancos e incorporadoras estão no foco de gestores de fundos de crédito

Recuperação de empresas bastante afetadas pela pandemia pode gerar boas oportunidades para investidor, dizem gestores da XP e da Jive

Fausto Filho, Marcelo Urbano, Alexandre Cruz e Camila Dolle
(Arte: Leonardo Albertino/InfoMoney)

SÃO PAULO – A pandemia atrapalhou o fluxo de caixa de muitas empresas e exigiu que muitas companhias tivessem que recorrer de forma rápida ao mercado de crédito para honrar pagamentos e fornecedores.

De olho em uma retomada heterogênea entre os setores e na safra de empresas com boa estrutura de capital e que foram afetadas negativamente pela crise sanitária, gestores de fundos de crédito de maior risco estão atentos às oportunidades que podem surgir com a recuperação de companhias ligadas principalmente ao turismo, a bancos e a incorporadoras.

A avaliação foi feita por Alexandre Cruz, sócio fundador da Jive Investimentos, e por Fausto Filho, gestor de renda fixa e crédito da XP Asset Management, nesta terça-feira (24), durante painel na 11ª edição da Expert XP.

“Achamos que bancos e incorporadoras podem ser interessantes porque estão no começo de uma recuperação e a abertura de capital parece que ficou mais seletiva para as incorporadoras, por exemplo”, destaca o sócio fundador da Jive.

Outro setor que não escapa dos olhares mais atentos dos gestores é o de turismo. Fausto Filho, da XP, lembra que as empresas do segmento foram bastante afetadas pela pandemia e conta que a gestora está de olho em companhias que seguem com boa estrutura de capital e sobre as quais a gestora possa oferecer uma taxa diferenciada aos credores. “Pode ser uma oportunidade de oferecer um crédito mais atrativo.”

Ele explica ainda que o movimento de fusões e aquisições visto no mercado também pode criar algumas oportunidades e que a XP vem acompanhando para comprar ativos com bom potencial de retorno e que estão sendo negociados a preços interessantes. “Houve consolidações em alguns setores e temos a oportunidade de financiar aquisições. Também vemos isso como oportunidade.”

Marcelo Urbano, diretor de investimentos da Augme Capital e que também participou do painel, avalia que, ainda que a crise tenha afetado mais algumas empresas do que outras, houve uma gestão de liquidez importante durante a pandemia. “[Boa parte] das companhias conseguiu acertar a liquidez, seja via follow-on [oferta subsequente de ações] ou via contratação de dívidas mais longas lá fora, por exemplo”, destacou.

Para ele, ainda que o universo de empresas de maior risco de crédito não tenha tanto acesso ao mercado de capitais, parcela relevante das companhias conseguiu se manter “em boa forma”, o que também poderia ser visto como oportunidade.

Riscos no horizonte

Ao comentar sobre os riscos observados no mercado, o sócio fundador da Jive destacou que investimentos alternativos são mais arriscados, mas afirmou que, em boa parte das vezes em que o gestor investe em ativos estressados, tem a retaguarda de imóveis como garantia.

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“Se o investidor tiver consciência e escolher um gestor mais disciplinado, pode ser uma alocação de investimentos menos arriscados”, destaca Cruz.

Urbano, da Augme, reforça, contudo, que há ainda alguns riscos que o investidor precisa ter em mente. Atento ao movimento da curva futura de juros, ele ressalta que o mercado já precifica uma taxa Selic que pode chegar a 10% em janeiro de 2027 e que, com isso, as dívidas de algumas empresas tendem a ficar mais caras, o que pode afetar a sua capacidade de tomar dívida e de crescer.

“Ainda assim, pode ser uma oportunidade. Estamos num patamar próximo do pré-crise e ligeiramente mais alavancados, com poucos setores sofrendo efetivamente”, afirmou o gestor.

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