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Em dia de decisão do Copom, taxas de títulos públicos sobem com aumento de aversão ao risco

Mudança pela Fitch de perspectiva para o risco soberano para negativa e tensões políticas corroboraram para valorização dos prêmios

(Getty Images)
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SÃO PAULO – As taxas dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentam alta na tarde desta quarta-feira (6), dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), refletindo a decisão da agência de classificação de risco Fitch de mudar para negativa a perspectiva para o risco soberano do Brasil.

Também corroboram para a valorização das taxas dos papéis o aumento de aversão ao risco por conta das tensões políticas e pelo maior risco fiscal, diante da aprovação na Câmara do auxílio a estados e municípios em meio à pandemia.

Investidores aguardam hoje pela decisão do Copom, que deve cortar, segundo 30 gestores de fundos multimercado macro consultados pela XP, a Selic em meio ponto percentual, levando a taxa dos atuais 3,75% para 3,25% ao ano. Cinco entrevistados, contudo, apostam em uma redução mais expressiva, de 0,75 ponto.

Em meio a um ambiente ainda muito incerto e impactado pelo coronavírus, a expectativa para a taxa básica de juros ao fim de 2020, segundo a pesquisa, caiu de 3,25%, na consulta feita em março, para 2,50%, agora.

No Tesouro Direto, o título indexado à inflação com vencimento em 2026 pagava 3,46% ao ano, ante 3,35% a.a. na tarde de terça-feira (5). Os papéis com prazos em 2035 e 2045, por sua vez, ofereciam um prêmio anual de 4,39%, ante 4,30% a.a. anteriormente.

Entre os papéis prefixados, o com vencimento em 2023 negociava a uma taxa de 4,75% ao ano, frente aos 4,74% da sessão anterior. Já o prêmio pago pelo Tesouro Prefixado 2026 subia de 6,98% para 7,08% ao ano.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos ofertados nesta quarta-feira (6):

Fonte: Tesouro Direto

Pessimismo com Brasil aumenta

Além de estimativas de um processo de flexibilização monetária maior que o previsto, o levantamento da XP mostrou também que os gestores estão mais pessimistas com o rumo da economia neste ano. A expectativa mediana para a inflação medida pelo IPCA caiu de 2,80% para 1,50% em 2020, enquanto a projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro passou de alta de 0,80%, na pesquisa de março, para queda de 5,10%, neste levantamento. Há gestora projetando retração da ordem de 7,50% neste ano.

Já a projeção mediana para a cotação do dólar aumentou de R$ 4,80 para R$ 5,30, em dezembro.

Noticiário

Entre os destaques do dia, a agência de classificação de risco Fitch Ratings reafirmou ontem rating do Brasil em “BB-“, mas revisou a perspectiva da nota para negativa. O país continua sendo avaliado em grau especulativo, com maior risco de calote.

De acordo com a Fitch, a mudança de perspectiva reflete a deterioração das perspectivas econômicas e fiscais e os riscos negativos de ambas diante das renovadas incertezas políticas, incluindo tensões entre o Executivo e o Congresso, e incertezas quanto à duração e intensidade da pandemia de coronavírus. A projeção é de que a economia brasileira deva contrair 4% em 2020, com riscos tendendo para o lado negativo.

No ambiente político, a Câmara dos Deputados aprovou ontem o auxílio de R$ 125 bilhões para os estados, o Distrito Federal e os municípios em razão da pandemia. Entre as mudanças, estão os cálculos para distribuição dos R$ 60 bilhões em repasses diretos e na relação de categorias de servidores que, como contrapartida ao socorro, ficam impedidas de receber reajuste até o fim de 2021. Agora, a matéria deve retornar para análise do Senado antes de seguir para sanção presidencial.

Já a votação em segundo turno da PEC do Orçamento de Guerra, que estava marcada para terça-feira (5), ficou para hoje.

Enquanto isso, no cenário externo, mercados monitoraram o relatório de emprego do setor privado dos Estados Unidos, que mostrou a eliminação de 20,2 milhões de postos em abril, em linha com o esperado pelos economistas consultados pela Bloomberg. A atenção dos investidores recaiu ainda sobre a reabertura gradual das maiores economias, em meio a um longo período de isolamento social por conta da Covid-19.

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