Eleição nos EUA promete turbulência e dólar forte no 2º semestre, avalia Azevedo, da Ibiuna

Eventual tarifação de importações poderia levar à depreciação de moedas dos países tarifados e ao fortalecimento do dólar

Bruna Furlani

Rodrigo Azevedo, sócio da gestora Ibiúna e ex-diretor do Banco Central (Flavio Santana/Biofoto)

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O desenrolar das eleições americanas deve trazer forte turbulência aos mercados ao longo deste ano e há chance de que a agenda de tarifas de importação sobre produtos de outros países apresentada pelo candidato Donald Trump ajude a fortalecer o dólar no segundo semestre.

A visão foi compartilhado por Rodrigo Azevedo, sócio-fundador e CIO da área macro da Ibiuna, durante painel do Latin America Investment Conference, evento do UBS, nesta segunda-feira (29).

Durante o último mandato de Trump, o ex-presidente tentou impôs tarifas de importação sobre produtos chineses. “Se você colocar tarifas de uma maneira relevante, a moeda de quem estiver sendo taxado vai ter que depreciar para compensar [a tarifação]. Estamos falando de um mundo de dólar mais forte”, acrescentou o executivo.

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Uma das preocupações levantadas pelo gestor é que o fortalecimento do dólar no segundo semestre poderia ocorrer na sequência de um primeiro semestre de depreciação da moeda americana.

A explicação é que, diante da perspectiva de início da queda de juros nos Estados Unidos, a expectativa é que o primeiro semestre seja de dólar mais fraco e de maior procura por ativos de mercados emergentes, lembrou Azevedo.

Movimento que poderia ser revertido no segundo semestre, com mais gastos fiscais nos Estados Unidos. “Se nesse contexto a China estiver indo mal o dólar vai fortalecer ainda mais. Dólar forte é ruim para emergentes e para ativos de risco”, acrescentou o CEO da Ibiuna.

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Brasil: prêmios estão “magros”

O cenário pode se mostrar mais desafiador para o Brasil, onde a casa está apenas com uma alocação mais tática e não estrutural.

Ao olhar para os prêmios dos ativos no Brasil, Azevedo diz que tem se decepcionado com os prêmios mais “magros” e que tem encontrado níveis muito mais atrativos no exterior. “Se voltar a abrir prêmio no Brasil, vou voltar a gostar. Prefiro fazer esse play global”, destacou o executivo.

Na avaliação de Azevedo, a Selic em 13,75% consegue “comprar muito desaforo” na parte fiscal. Mas a Selic a 9% no fim de 2024, somada à chance de apreciação do dólar, pode trazer novos desafios para o país, disse o profissional da Ibiuna.

Bruno Coutinho, CEO e CIO da Mar Asset, que participou do painel com Azevedo, também está com uma postura mais cautelosa com o Brasil. Atualmente, a casa não possui posições em câmbio e juros no País, apenas em Bolsa.

“Temos um déficit contratado e temos um governo que estimula a demanda via gastos fiscais, o que gera um problema para o Banco Central, que já tem uma expectativa acima da meta”, ponderou o executivo da Mar Asset.