Value investing

E se Warren Buffett investisse na B3? Para Itaú, megainvestidor teria Suzano, Vivara e outras 3 ações

Filosofia do megainvestidor prioriza qualidade dos ativos, nem sempre preço de tela

Por  Katherine Rivas

Conhecido pela filosofia do value investing – estratégia de investimento que aposta no potencial de valor das empresas a longo prazo, e não em seu preço de mercado atual – o megainvestidor Warren Buffett costuma carregar no portfólio da Berkshire Hathaway, sua holding de investimentos, empresas com vantagens competitivas grandes ou diferenciais tecnológicos durante um tempo médio superior a 30 anos.

O que aconteceria se Warren Buffett tivesse que eleger ações brasileiras para comprar? Quais ativos escolheria, considerando sua filosofia de investimentos, e por quais motivos?

Atualmente apenas uma empresa brasileira integra a carteira da Berkshire Hathaway. É o banco Nubank (NUBR33), que embora seja uma empresa local, decidiu abrir capital na Bolsa de Nova York em dezembro de 2021.

O Itaú BBA, que enviou um representante para a conferência anual da Berkshire Hathaway para entender o value Investing de Buffett, decidiu simular quais poderiam ser as escolhas de Buffett na B3. Em um podcast produzido pelo banco, Marcelo Sá, estrategista-chefe do Itaú BBA, escolheu cinco ativos que, em sua visão, teriam potencial para passar pelo crivo do megainvestidor.

Para Sá, Suzano (SUZB3), Equatorial (EQTL3), Vivara (VIVA3), São Martinho (SMTO3) e Ambev (ABEV3) poderiam ser escolhidas por Buffett. Entenda a seguir as razões, segundo o estrategista:

O que é preciso ter para entrar na carteira da Berkshire?

Segundo Sá, a Berkshire Hathaway foca em uma estratégia de análise bottom up (de baixo para cima) – que está mais preocupada com a qualidade do negócio das empresas do que com fatores macroeconômicos.

Desta forma, a holding de Buffett procura boas empresas que possam permanecer existindo pelos próximos dez, 15 ou até 20 anos, com crescimento e boa geração de caixa.

Sá destaca que a Berkshire prioriza também companhias com uma vantagem competitiva muito grande no mercado – seja um diferencial de negócios, uma tecnologia superior ou uma marca forte.

Pesa também a boa gestão destas companhias, dado que a Berkshire não tem como política trocar a gestão das empresas investidas ou adquiridas. Por este motivo, eles observam a qualidade dos líderes e como é feita a alocação de capital. “Eles olham se as entregas foram boas, se a empresa tem eficiência operacional, se o pacote de incentivo aos executivos está alinhado com os acionistas”, destaca Sá.

Em relação a valuation, o estrategista do Itaú BBA destaca que nem sempre a Berkshire Hathaway prioriza comprar ações muito baratas. “Eles têm a filosofia de que é melhor comprar uma empresa maravilhosa num preço justo do que do que pagar um preço maravilhoso para uma empresa razoável”, aponta Sá.

Desta forma, a holding pode até comprar ativos considerados mais caros se estes apresentarem potencial de crescimento e qualidade.

Sá destaca ainda que o prazo médio de investimento costuma superar os 30 anos, por se tratar de uma filosofia de longo prazo. A holding também concentra grande parte dos investimentos em poucos ativos.

Por que Suzano (SUZB3) e Vivara (VIVA3)?

O estrategista-chefe do Itaú BBA detalhou suas teses para dois dos cinco ativos que considera terem potencial para, em um cenário hipotético em que Warren Buffett investisse na Bolsa brasileira, estarem na carteira do megainvestidor.

De acordo com a simulação feita por Sá, a escolha de Suzano ocorreria pelo potencial de crescimento e geração de caixa da empresa.

Marcelo explica que a Suzano é uma empresa em forte crescimento, por causa do aumento da demanda de papel para fins sanitários. “O consumo per capita na China ainda é muito baixo, o Brasil tem uma vantagem competitiva gigantesca”, afirma.

Segundo Sá, as florestas brasileiras crescem muito mais rápido do que as dos competidores canadenses e nórdicos. “São seis anos aqui contra 30 nesses outros países”, destaca.

Ele também cita que a Suzano tem uma logística muito eficiente, com ferrovias passando perto das plantas de produção. A companhia também possui um bom histórico de alocação de capital.

Em relação à geração de caixa, o estrategista observa um potencial de 15% nos projetos da Suzano, isso sem considerar o Projeto Cerrado, que já responderia por 5% dessa geração de caixa futura. “Esse projeto vai ser o mais eficiente do mundo”, avalia Sá.

Ele também acredita que a companhia está descontada, negociando abaixo da sua média histórica. A Suzano negocia atualmente a um múltiplo de 5,6 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), abaixo da média histórica de 7,5 vezes.

Já a Vivara seria um negócio com forte potencial de crescimento em um mercado fragmentado e com espaço para consolidação, segundo Sá.

Segundo o estrategista do Itaú BBA, a Vivara oferece um forte retorno sobre o capital investido. Ele explica que a companhia é o maior player do mercado, com 10% de participação, enquanto o segundo player está vendendo as suas operações no Brasil e o terceiro enfrenta dificuldades financeiras. Por este motivo, a Vivara estaria em um ambiente competitivo muito favorável para continuar crescendo.

Ele reforça que a companhia também possui um maior controle nos seus ganhos pelo seu modelo de negócios verticalizado, no qual conta com um estoque de ouro e prata para garantir um ano de produção.

“Ela pode tanto mudar o design da joia e escolher a composição do produto, dependendo do custo para colocar os produtos e o preço que o consumidor consiga pagar. A Vivara tem um controle maior sobre o custo deles”, afirma.

A companhia também possui uma boa gestão e na avaliação do Itaú BBA está descontada. “Ela está negociando em um P/E [Índice Preço Lucro] de 16 vezes, abaixo da média histórica de 25 vezes”, conclui.

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