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Os Estados Unidos continuam a se destacar como um gigante econômico global, mesmo em meio à recente fraqueza do dólar. A avaliação é de Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, que aponta a resiliência do consumo, a robustez do mercado de trabalho e um Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado como fatores que sustentam o crescimento do país.
“O crescimento norte-americano é maior que o europeu”, afirmou, durante participação no podcast Outliers InfoMoney, conduzido por Clara Sodré e Fabiano Cintra.
Para Wichmann, o diferencial da economia americana está no investimento em capital intelectual, atualmente mais relevante que o setor imobiliário. Essa aposta em inovação, segundo ele, garante desempenho consistente ao mercado.
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“Enquanto os Estados Unidos continuarem sendo líderes em inovação, você vai continuar olhando para as empresas norte-americanas com admiração e querendo fazer parte da capacidade de inovação que elas vão trazer”, disse.
Mesmo com discussões sobre múltiplos elevados no S&P 500, o CIO da XP mantém otimismo em relação ao mercado acionário. “Se o lucro continuar crescendo 11% por ano, o S&P pode até subir 8% e ainda assim o múltiplo cair”, explicou, destacando que ajustes devem ser avaliados com base no crescimento real das empresas.
Wichmann ressaltou o papel das chamadas Magnificent Seven — Apple (AAPL34), Microsoft (MSFT34), Amazon (AMZO34), Alphabet (GOGL34), Meta (META34), Tesla (TSLA34) e Nvidia (NVDC34) — líderes em tecnologia e inteligência artificial (AI), mas lembrou que o S&P 500 é composto por 500 empresas.
“A discussão agora vai ser como a inteligência artificial se dissemina pelo resto da economia e os ganhos de produtividade que isso vai gerar.”
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Ano de altas expressivas nos mercados globais
O ano de 2025 também foi marcado por altas expressivas nos mercados globais, com índices como o S&P 500 e o Euro Stoxx atingindo máximas históricas, acompanhados pelo ouro.
Wichmann atribui esse desempenho à fraqueza do dólar e à chamada “inflação de preço de ativos”.
“O que existe hoje no mundo é um grande desequilíbrio fiscal. Os Estados Unidos têm déficit gigantesco, a Europa também, e o Japão idem. Estamos pagando por isso imprimindo papelzinho colorido”, afirmou.
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Segundo o CIO, esse cenário valoriza ativos reais, como minas, fábricas e ouro, enquanto o valor do dinheiro se deprecia.
“Se você está no mercado de capitais, você chama isso de bull market, mas há uma diferença: normalmente, o bull market é movido a crescimento e produtividade; aqui, é inflação de ativos”, explicou.

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IA surge como um motor estruturante da nova economia global
A inteligência artificial surge como um motor estruturante da nova economia global. Wichmann destacou que os investimentos em data centers nos EUA atingiram mais de 1% do PIB em 2024, transformando tecnologias antes conceituais em negócios concretos.
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“Não estamos falando de pouca coisa. São 400, 500 bilhões de dólares investidos só no passado em data centers. Isso começa a mover a agulha”, disse.
Para ele, os efeitos da IA devem se expandir para setores além da tecnologia, gerando ganhos de produtividade e impactos sobre custos e receitas de empresas tradicionais.
“Ou você corta custos, ou você cresce receita”, exemplificou, destacando a importância de infraestrutura, como eletricidade, para viabilizar essas mudanças.
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