Dois dos maiores gestores do Brasil revelam enorme otimismo com a Bolsa

"Achamos que o mercado de Bolsa pode estar muito mal precificado se avaliarmos o possível crescimento [do país] em 4 ou 5 anos em um cenário médio", disse Carlos Woelz, da Kapitalo Investimentos, depois de participar de um evento organizado pela XP

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SÃO PAULO – Mesmo com as recentes altas e quebras de recordes históricos, a Bolsa de Valores ainda tem um bom espaço para se valorizar nos próximos anos, segundo grandes gestores de fundos. Na opinião de Carlos Woelz, sócio e gestor da Kapitalo Investimentos, e João Braga, da XP Gestão de Recursos, o mercado de ações continua sendo promissor para quem quer ganhar dinheiro no médio prazo no Brasil. “A nossa única posição otimista de médio prazo é em Bolsa brasileira”, disse Woelz ao InfoMoney, depois de participar de um evento organizado pela XP Investimentos em São Paulo, no último dia 31.

Apenas no mês passado, o Ibovespa, principal índice de ações da B3, valorizou 11% – seu melhor janeiro em 6 anos. E para Woelz, ainda há uma boa oportunidade de ganhar com ações. “Achamos que o mercado de Bolsa pode estar muito mal precificado se avaliarmos o possível crescimento [do país] em 4 ou 5 anos em um cenário médio”, afirmou o gestor.

João Braga, da XP Gestão, concorda e segue com seu discurso positivo. “Todo o call otimista com a Bolsa brasileira que temos desde o começo de 2016 continua”, afirmou. O gestor aponta como um dos principais drivers para esse crescimento o fato de que a margem das empresas deve aumentar muito à medida em que a atividade volte a crescer. Isso porque a capacidade instalada está com baixa utilização e assim que as empresas voltarem a produzir mais o lucro deverá crescer de maneira exponencial. “Isso é margem na veia”, disse.  

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Braga compara o Brasil com um grande avião que está prestes a decolar, mas ainda tem muitos assentos vagos. Assim como na indústria, todos os custos desse avião já estão embutidos: os gastos com combustível, com tripulação, as tarifas pagas pelo pouso e decolagem nos aeroportos. Então cada passageiro a mais que embarca significa um importante aumento na margem. “O Brasil é um gigantesco avião vazio”, diz. Na indústria, à medida que a produção aumenta, a margem cresce exponencialmente por conta da alavancagem operacional das empresas. “E isso já está acontecendo. A economia está embicando para cima. A confiança também está em níveis melhores”, destaca.

A posição otimista de Carlos Woelz com a Bolsa brasileira não impede que ele tenha posição tomada em cupom cambial interno, que reflete a percepção dos estrangeiros sobre o risco no país. “O cupom cambial interno nada mais é do que uma taxa em dólar dentro do Brasil. Ou seja, esse ativo reflete um pouco da demanda em dólares dentro do país e, portanto, um pouco do risco-país”, explicou o gestor em entrevista ao programa Papo com Gestor, do InfoMoney. “Essas taxas estão bastante baixas. Acho que é uma posição bem interessante para incerteza eleitoral. Perdemos alguma coisa se tiver um cenário excelente, mas não é muito. E podemos ganhar bastante dinheiro se tivermos uma surpresa negativa no desenrolar da eleição ou mesmo no cenário externo”, afirmou.

Stock picking

Na visão de Braga, ainda que a tendência geral da Bolsa seja de alta, o stock picking (seleção de ações individualmente, com base em fundamentos) continua sendo muito importante, ainda mais agora depois desta alta recente. “A única coisa que mudou na nossa percepção é que como a bolsa andou muito rápido nesse começo de ano, alguns papéis já começam a ficar mais caros. Então é preciso avaliar mais caso a caso”, destaca.

Um dos setores que ele acha que perdeu um pouco da atratividade é o de bancos. “O setor bancário já está melhor precificado do que os outros. Isso é mais um indício de que a alta da Bolsa segue a economia global. Lá fora os bancos estão subindo muito, e aqui os bancos nacionais acompanharam, mesmo com a queda de juros no Brasil”, diz.

Já um setor que ele ainda vê com preços bastante atraentes é o de utilities. “Muitas empresas deste setor estão com preço bem atraente. É um setor que paga muitos dividendos. Então achamos que montar uma carteira com  bons pagadores de dividendos agora e só olhar daqui a 2 anos é uma boa alternativa”, afirma.

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Kapitalo Kappa aberto para captação

Na opinião de Woelz, a queda dos juros não deve ser a motivação para que um investidor decida alocar parte de seu patrimônio em fundos multimercados. “O investidor tem que aplicar em um multimercado porque acha que a classe de ativos é interessante. Ele precisa ter convicção de que o gestor é bom e que vai conseguir ganhar dinheiro no médio prazo”, afirmou. “Os fundos desta categoria estão ganhando alocação porque essa safra de gestores de hoje é muito melhor do que há alguns anos”, opina.

Ele é um dos principais responsáveis pela gestão do Kapitalo Kappa, fundo multimercado que reabriu para captação no mês de janeiro após 10 meses fechado.  Nos últimos dois anos, o Kappa conseguiu retornos superiores a 150% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Parte desta ótima performance é explicada por uma mudança na gestão do portfólio, que elevou sensivelmente o nível de volatilidade permitido na carteira desde 2016.

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Com R$ 2,3 bilhões de patrimônio, o Kappa é uma das das quatro estratégias da Kapitalo Investimentos, gestora que iniciou suas atividades em 2010 e que possui R$ 5,5 bilhões em ativos sob gestão. Ela foi fundada por dois ex-BBM que ainda estão à frente dos negócios: João Carlos Pinho e o próprio Woelz –  o último um dos principais gestores da equipe de 10 co-gestores de ‘portfolio managers’.

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Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip