‘Disputa’ entre Nvidia e Apple respinga em um dos maiores ETFs de tecnologia do mundo

Como a Nvidia ultrapassou a Apple, o fundo XLK terá que alterar sua composição para respeitar as regras de diversificação

Bloomberg

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Um dos maiores ETFs (fundos de índice) de tecnologia do mundo pode sofrer uma mudança radical depois que a Nvidia ultrapassou a Apple, tornando-se a segunda empresa de capital aberto mais valiosa do mundo.

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Por causa das regras de diversificação dos EUA, o ETF Technology Select Sector SPDR (ticker XLK), de US$ 67 bilhões, mantém poucas ações da Nvidia há meses, enquanto a gigante da inteligência artificial não para de crescer. Atualmente, a fabricante de chips representa cerca de 6% dos ativos do fundo, enquanto o peso dela no índice de tecnologia da informação do S&P 500 é de 21%. Isso fez o XLK registrar desempenho muito inferior neste ano.


Agora que a Nvidia ultrapassou a Apple em valor de mercado, sua participação na XLK poderá sofrer uma elevação drástica quando o ETF realizar um reequilíbrio trimestral perto do final deste mês, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

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O ETF refletirá todo o peso da capitalização da pioneira dos semicondutores – se a Nvidia mantiver sua vantagem sobre a Apple na sexta-feira (14), dia em que a representação preliminar de cada membro do XLK será determinada. Neste processo, o peso da Apple, atualmente de 21% do fundo, poderá cair para apenas 4,5%, graças mais uma vez a essa regra de diversificação.

Tal mudança poderia levar a State Street Global Advisors, gestora da XLK, a investir US$ 10 bilhões em ações da Nvidia, mostram cálculos da Bloomberg. Enquanto isso, o fundo precisaria se desfazer de cerca de US$ 11 bilhões em papéis da Apple. Essa não é uma transação mesquinha, principalmente para a criadora do sistema operacional iOS. Nos últimos três meses, as ações mudaram de mãos a uma taxa de US$ 11 bilhões por dia.


“Se a Nvidia for maior na data de referência, eles terão que inverter os pesos e vender a Apple”, disse James Seyffart, analista da Bloomberg Intelligence. “Eles farão tudo o que for exigido pelas regras”, acrescentou. “Eles estavam sendo forçados a fazer vendas relativas de ações ainda maiores no passado.”

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Um porta-voz da State Street disse que a empresa seguirá quaisquer revisões definidas pela metodologia do índice. Um porta-voz da S&P Dow Jones Indices se recusou a comentar sobre possíveis mudanças e encaminhou a metodologia para a Bloomberg News.

Esse é o exemplo mais recente de como a disparada das gigantes da tecnologia ultrapassa os limites das regulamentações que datam de 80 anos atrás. Estabelecidas para proteger os investidores após a quebra do mercado de ações e a Grande Depressão, as regras de diversificação podem ser punitivas num mercado desequilibrado.

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A questão que se discute agora é até que ponto o impacto de uma ação é absorvido no XLK. Embora o fundo tenha sido concebido para imitar os retornos do subíndice tecnológico tradicional do S&P 500 no longo prazo, ele acompanha uma versão do indicador do setor que é mantido pelo S&P e segue a prática de limitar os pesos dos membros para evitar a violação das regras de diversificação.

Restrições semelhantes no ano passado estimularam o superintendente do Nasdaq 100 a realizar um reequilíbrio especial para manter os fundos que acompanham o índice em conformidade com as regras. De acordo com essas regras, a representação combinada das maiores empresas – aquelas que constituem cerca de 5% ou mais de um fundo diversificado – não pode somar mais de 50%.

Quando essa regra é violada, índices como o Nasdaq 100 tendem a reduzir proporcionalmente as participações superiores. A metodologia da XLK funciona de forma diferente. Quando um número específico de ações não segue o compliance, a menor delas é cortada.

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Nos dois reequilíbrios trimestrais anteriores, o peso da Nvidia na XLK foi reduzido para 4,5% em cada vez porque o seu valor ficou atrás da Microsoft e da Apple e, portanto, estava mais exposto a uma redução. Isso aconteceu mesmo quando a fabricante de chips representava 17% do índice regular de tecnologia S&P 500 em março e 11% em dezembro.

Como resultado, o XLK sofreu por não possuir Nvidia suficiente, com essa última subindo cerca de 145% no acumulado do ano em meio ao frenesi da IA. O ETF ficou atrás do indicador tecnológico tradicional S&P 500 em 4,5 pontos percentuais neste trimestre – a caminho da maior dispersão desde 2001.

Caso ocorra uma mudança, Chris Harvey, chefe de estratégia de ações do Wells Fargo Securities, está mais focado nas implicações sobre como o XLK pode se encaixar na carteira de um investidor.

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“A potencial mudança de dimensionamento da Nvidia e redução da Apple traria uma mudança característica muito significativa para o XLK”, disse ele. “Teremos um ETF mais orientado para o momento. Sua característica seria alterada, o que significa que pode mudar também a forma como o ETF é negociado.”

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