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Direção de fundo de pensão dos Correios diz que rombo de R$ 5,6 bi é ‘indefensável’

Chefe de gabinete da direção de fundo afirma que a carteira de investimentos do fundo era bastante heterodoxa

A chefe de gabinete da direção do Postalis, Maria de Auxiliadora Alves, admitiu nesta terça-feira, que o rombo de R$ 5,6 bilhões no fundo de pensão dos Correios é “indefensável”. Segundo ela, a atual direção do fundo, que empossada há três anos, percebeu a existência de uma carteira de investimentos “difícil, ilíquida e bastante heterodoxa”.

“Somos solidários aos cerca de 140 mil trabalhadores que fazem parte deste sistema, estamos tentando recuperar os investimentos”, afirmou Maria Auxiliadora, durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado.

No encontro, Maria Auxiliadora representou o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista, que não compareceu à sessão por causa de um agendamento médico em São Paulo. Houve protestos na plateia, composta por sindicalistas.

No início do mês passado, o Estado revelou que uma investigação da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) havia chegado à conclusão de que os diretores e conselheiros do Postalis foram responsáveis por parte do rombo de R$ 5,6 bilhões no plano de benefício definido dos participantes do fundo.

O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, Luiz Alberto Menezes, defendeu que o Senado instale o mais rapidamente possível a CPI dos Fundos de Pensão para investigar o caso. O requerimento de criação da comissão de inquérito já foi apresentado, só faltando apenas que os líderes partidários indiquem os senadores que vão participar do colegiado.

Para Menezes, um plano de previdência saudável não tem que trabalhar com investimentos de risco, de forma que permita o pagamento da aposentadoria dos seus representantes.

Embora sem terem apresentado provas, sindicalistas criticaram o que chamam de aparelhamento político nas indicações para o fundo de pensão. Chegaram a citar nomes de senadores, como o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA), como responsáveis por indicações para o Postalis. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) disse que os presentes não podem citar as pessoas “por ouvi dizer”. “Vocês precisam ter algo que precisam ser correto. Terão a oportunidade de fazê-lo por ocasião da CPI”, avaliou o tucano, um dos responsáveis pelo pedido da audiência pública.