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Autor:Glenda Ferreira, Economista e Planejadora Financeira da Levante!
A vida de investidor no Brasil não é das mais simples. De tédio, ninguém morre aqui.
Além do sentimento de estar em uma montanha-russa com tanta oscilação, temos as limitações no mercado local, tanto em desenvolvimento do mercado de capitais, quanto em empresas, o que nos leva a buscar constantemente novas formas de investimento.
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Nos últimos meses, com a decepção dos retornos de fundos multimercado e de renda fixa, por exemplo, os investidores têm optado por novas aplicações.
A busca tem sido por fundos de crédito privado. Esse tipo de ativo adiciona uma dose de risco ao portfólio, mas oscilam menos por ter menos liquidez.
Tem os CDBs, LCIs e LCAs…
Por que não incluir também nesta lista as Letras Hipotecárias (LHs)?
Já ouviu falar?
As LHs são emitidas por instituições financeiras que emprestam recursos para crédito relacionado a hipotecas. Ou seja, via de regra é um produto desenvolvido para fornecimento de crédito imobiliário.
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Os emissores, portanto, podem ser bancos múltiplos com carteira de crédito imobiliário, companhias hipotecárias, associações de poupança e empréstimo e sociedades de crédito imobiliário.
Então, os investidores ainda contam com a garantia de créditos imobiliários de primeira hipoteca.
As LHs sempre são emitidas com vencimentos pré-estabelecidos, com um prazo mínimo de seis meses (lembrando sempre que prazos mais longos implicam em melhores retornos) e com rentabilidades interessantes, prefixadas ou pós-fixadas (atreladas a algum índice econômico, geralmente a taxa referencial, o CDI ou a TJLP).
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Se a instituição financeira aceitar, é ainda possível fazer um contrato atrelado de swap. Isso significa que é possível, no meio da aplicação, trocar a forma de rentabilidade do título. Por exemplo, é possível trocar uma LH com rendimento de juros + TR por outro título, que rende um percentual do CDI. Você ganha com a opção de escolha da forma mais rentável.
Os valores iniciais são a partir de múltiplos R$ 1 mil, isso significa que só é possível investir valores “redondos”. O mais comum, no entanto, é começar com algo em torno de R$ 20 mil.
Há a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 250 mil, com teto de R$ 1 milhão por investidor, a cada período de 4 anos.
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E para encher os olhos dos investidores pessoa física, não tem a incidência de Imposto de Renda por ter relação a setores estruturais da economia (exceto para contratos com swap) – que o governo busca incentivar.
A maioria dos bancos não precisa de recursos para conceder financiamentos imobiliários, visto que já captam através da poupança. Daí a dificuldade em encontrar o produto.
Quero investir, mas não encontro no mercado…
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Atualmente, o estoque das Letras Hipotecárias não é dos maiores, está em pouco mais de R$ 1 bilhão. Quando comparamos com títulos que também são dedicados ao setor imobiliários, como as LCIs, o total chega a R$ 168 bilhões. Uma diferença expressiva.
Na falta de opções
Com a pouca oferta dos papéis, é possível recorrer aos fundos, que em diversas situações oferecem possibilidades aos investidores acessarem mercados restritos a investidores institucionais ou que são mais complicados mesmo.
A alternativa está nos Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs) que realizam o investimento diversificado. Em especial os chamados fundos de papel, que investem em títulos de renda fixa voltados ao setor imobiliário, como Certificado de Recebíveis Imobiliário (CRI), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e, claro, em Letras Hipotecárias (LH). Tudo de uma vez só.
Esses fundos são divididos em cotas que são negociadas na Bolsa. Ou seja, é extremamente fácil comprar ou vender. Além de contar com uma vantagem extra: isenção de Imposto de Renda para rendimentos mensais (aqui, você receberá um “aluguel” mensal).
Mas não se esqueça, para a escolha de um bom fundo, seja imobiliário, de ações ou de outra categoria, é de suma importância eleger um excelente gestor. Avaliar qual é o seu histórico, equipe, capacidade de escolha dos melhores investimentos para você. Não dá para deixar a administração de seu dinheiro na mão de qualquer um.
Nada de ansiedade também, os fundos imobiliários estão em um momento excepcional para bons ganhos no médio prazo. O milagre acontece só para quem tem paciência.