De olho no B do Bric, Paris quer atrair investimentos

Em meio ao cenário de dúvidas em relação à solidez dos países europeus, agência vem ao Brasil para mostrar potencial da "Cidade Luz"

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SÃO PAULO – Durante muito tempo, a França acreditou que o progresso de Paris afetaria de forma negativa o restante do país. Mas o presidente Nicolas Sarkozy aposta no contrário e, por isso, quer atrair investimentos para a capital francesa, principalmente do Brasil – tanto de grandes empresas até pessoas físicas -, já que tem uma relação bastante estreita com o presidente da República.

“Agora, o foco está mudado e Sarkozy acha que devemos investir em Paris. Não tem contradição entre o desenvolvimento da cidade e de outras regiões do país”, afirmou o presidente da Greater Paris Investment Agency, Pierre Simon. O problema é que, no Brasil, o país tem muito a fazer para conquistar investimentos.

No ano passado, dos 31 projetos de investimentos feitos por empresas originárias da cidade de São Paulo, apenas 7% estavam na França, sendo que a maioria se concentrou nos países vizinhos, com destaque para o Peru, com 16% do total, e para os Estados Unidos, que tiveram 13% de representatividade, ao lado da Argentina.

Problema na Grécia
Um outro problema é a situação de alguns países da Europa após a crise mundial, que assusta os investidores do restante do mundo. Segundo Simon, isso não deve atrapalhar a atratividade de Paris.

“A Grécia representa cerca de 3% do PIB da região. O PIB da região parisiense é maior do que de toda a Grécia. Ficamos satisfeitos que, no fim, o FMI [Fundo Monetário Internacional] e a União Europeia encontraram uma solução para dar apoio à Grécia, isso é importante para a região do euro, mas eu acredito que não tem nenhuma relação com os investimentos de empresas brasileiras na Europa”.

Números da “Cidade Luz”
A cada ano, a cidade de Paris recebe 2 mil eventos de negócios, 15 bilhões de visitantes para negócios e 44 milhões de turistas. Além disso, é considerada a primeira cidade do mundo em qualidade de vida.

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Não é à toa que Paris tem um PIB (Produto Interno Bruto) de 500 bilhões de euros, com 11,2 milhões de residentes e 360 milhões de potenciais consumidores que vivem a menos de duas horas da capital francesa.

“Apesar da crise, a França está mudando bastante, temos leis de trabalho mais flexíveis, um sistema fiscal mais rígido, pesquisa e desenvolvimento e temos liberdade e possibilidade de investimento. Somos um destino turístico, mas não apenas isso”, disse Simon.

Dados mostram que a cidade é a segunda mais popular entre as 500 maiores companhias do mundo, atrás apenas de Tóquio. Paris também se destaca em pesquisa e desenvolvimento, com 850 laboratórios e 20 mil pesquisadores, o que mostra a qualificação da mão-de-obra.

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A região da Grande Paris deve movimentar 35 bilhões de euros em 2020, quando será possível se dirigir a um aeroporto em apenas 20 minutos, partindo das sete principais áreas comerciais.

Por que o Brasil?
De acordo com Simon, Paris focou muito, nos últimos anos, nos outros países emergentes, sendo eles Rússia, Índia e China, e percebeu que não focou muito no relacionamento com o Brasil, o que foi uma falha, tendo em vista o potencial de crescimento da economia do País. “Vamos investir a fundo neste relacionamento”.

A diretora-geral da Greater Paris Investment Agency, Chiara Corazza, concorda e acrescenta: “O Brasil mudou, ele não é um país em desenvolvimento, mas desenvolvido, e que quer investir. As empresas brasileiras são interessantes, porque elas investiram até agora em energia, no mercado imobiliário, mas não em finanças – e, por isso, não sofreram tanto com a crise –, mas elas podem diversificar mais os investimentos”.