Da renda fixa à variável: é possível ter ganhos e ser sustentável!

Sustentabilidade está na pauta de empresas e investidores. É um caminho sem volta, diz gerente da BM&F Bovespa

SÃO PAULO – Ser sustentável é garantir o abastecimento das gerações futuras, sem agredir o meio ambiente e se preocupando com questões sociais. A iniciativa parece complicada, quando analisada a responsabilidade que agrega, mas pode ser incentivada de maneira simples pelos investidores brasileiros.

Para quem é mais arriscado e não abre mão do mercado de ações, a Bolsa de Valores mantém, há quatro anos, um índice que mede a sustentabilidade empresarial, chamado de ISE. “A Bovespa, em conjunto com outros agentes do mercado, alguns anos atrás decidiu criar um índice que medisse as empresas que se preocupam com a sustentabilidade”, explicou a gerente de Renda Variável da BM&F Bovespa, Adriana Sanches.

O índice é diferente de todos os outros da bolsa, pois requer ação por parte das empresas. Em primeiro lugar, é feita uma seleção: só podem entrar no índice as 650 empresas mais líquidas da bolsa. As empresas que passam por essa triagem são convidadas a responder um questionário sobre governança corporativa, aspectos ambientais etc. A FGV (Fundação Getulio Vargas) avalia e é feita a escolha da carteira.

“Todo ano, essa lista é revista. Em abril, definimos as empresas com mais liquidez. Então, o questionário em vigor entra em audiência pública e as pessoas podem opinar. Esse procedimento, neste ano, começou em 29 de maio e termina agora em 25 de junho. No começo, tinha muita contribuição, mas agora os ajustes são mais pontuais. Finalizado, as empresas respondem o questionário e, durante outubro e novembro, ele é avaliado. Em várias questões, a FGV pede comprovação dos dados”, disse Adriana.

Empresa se envolve

De acordo com Adriana, neste ano, a Bovespa começou a lançar as empresas “treineiras”, que ainda não têm liquidez para entrar no índice, mas podem responder o questionário para analisar sua situação em relação à sustentabilidade. O interessante é que as empresas de capital aberto passaram a internalizar a discussão e, muito mais do que isso, os investidores também.

“A gente percebe que tem cada vez mais investidores analisando a sustentabilidade. Tem fundos de investimento dedicados a isso, outros que seguem algumas empresas do ISE e investidores diretos da Bolsa que compram papéis das empresas do índice. É uma importante referência para o mercado brasileiro, mas precisa ser mais divulgado”, ressaltou a gerente de Renda Variável.

Para se ter uma ideia do desempenho das empresas sustentáveis, o ISE subiu 23,9% desde o começo do ano até quarta-feira (3), enquanto o Ibovespa (índice oficial da Bolsa de Valores de São Paulo) registrou um aumento de 38,7%.

“Em todo o lugar do mundo essa preocupação com a sustentabilidade vai crescer. Está mais na pauta das empresas e está cada vez mais sendo olhado pelos investidores. Não dá para ser diferente”, destacou.

Fundos de investimento

Para os investidores que também são agressivos, mas ainda não têm a disposição para se arriscarem sozinhos na bolsa, é possível investir em fundos de ações sustentáveis.

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O Banco Real lançou, em 2001, o Fundo de Investimentos de Ações Real Ethical, que tem como objetivo remunerar o capital investido através da alocação em ações de empresas socialmente responsáveis.

“Ele já é bastante consolidado no mercado. Escolhemos as empresas a partir de questionário próprio com 48 indicadores, que medem as atividades relacionadas ao tratamento do meio ambiente, relacionamento com a comunidade e governança corporativa”, disse o gestor de Fundos de Ações do Santander Asset Management, Pedro Villani.

De acordo com ele, a cada ano cresce a adesão ao fundo, para o qual são necessários R$ 100 para entrar, já que a rentabilidade é compatível com o Ibovespa no longo prazo (acima de três anos). Com a crise global da economia, Villani afirmou que o comportamento do investidor não mudou.

“O investidor sustentável pensa na responsabilidade social, mas não abre mão dos resultados também. Na crise, ele não mudou o comportamento, porque aquele que é sensível à sustentabilidade já tem esse perfil, já é da pessoa”.

Mais conservador

Os investidores mais conservadores não ficam de fora quando o assunto é sustentabilidade. O Banco Real, por exemplo, oferece o fundo de investimento em renda fixa Floresta Real, que apóia projetos de restauração de floresta natural. “Investindo, a pessoa está indiretamente apoiando esse projeto de restauração”, disse Villani. O banco ainda tem um CDB sustentável, que usa três quartos do recurso captado para ajudar entidades dos setores de saúde e educação.

Mas, para que você realmente consiga praticar a sustentabilidade por meio dos seus investimentos, é preciso tomar cuidado com alguns pontos. Confira abaixo as dicas de Villani:

  • Converse bem com o gerente do banco em que aplicará;
  • Leia o regulamento do investimento;
  • Conheça o histórico desse investimento;
  • Tenha certeza de que ele leva em consideração a ajuda ao meio ambiente e à sociedade.