Dá para tirar férias dos investimentos?

Estrategista diz que sim, mas é preciso planejamento para escolher os investimentos certos para que você possa descansar enquanto seu patrimônio cresce

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SÃO PAULO – O mês de julho chegou e com ele a chamada alta temporada do turismo. Com as crianças em férias escolares, é comum que os pais tirem alguns dias de folga, para junto da família poder viajar e recarregar as energias para os próximos meses de trabalho. Com as malas prontas, as famílias se preocupam em encontrar alguém para cuidar do cachorro, da casa e das correspondências.

Mas e os investimentos, como ficam nesse momento de descanso? Será que dá para tirar férias deles? De acordo com o estrategista da TCX Educacional, Edgar Tamaki, dá sim, mas é preciso planejamento.

Férias: melhor com renda fixa
Para quem investe em ações, ficar muito tempo sem olhar para os investimentos pode significar perder boas oportunidades de compra e de venda de papéis, o que significa perda de rentabilidade.

“É bem verdade que, nesse período que estamos vivendo agora, o hemisfério norte vive o período de verão e, historicamente, nesta época do ano o volume de negócios diminui, já que há muitos investidores e empresas de férias por lá, e isso acaba dando uma desacelerada no mercado de capitais brasileiro. Mas, embora essa situação tenha acontecido nos últimos anos, agora estamos vivendo um período de retomada, após uma recessão, então não posso garantir que isso acontecerá também esse ano. Não sabemos se os investidores conseguiram guardar dinheiro suficiente para sair de férias sem preocupações”, explica Tamaki.

Por isso, o estrategista aconselha: quem quer tirar folga, deve alocar os recursos em renda fixa. “Para momentos como esse, o CDB é uma boa opção, já que você contrata hoje a forma de rendimento que terá em 3 meses, assim como a poupança que você já sabe previamente como será a rentabilidade”.

Mas para quem não quer, de forma alguma, deixar as ações de lado, a opção são os fundos de investimento, já que com eles é possível descansar, enquanto um profissional faz a gestão dos papéis. Porém, nesse tipo de investimento há um fator que precisa ser levado muito a sério: a taxa de administração. “As taxas de administração podem reduzir bastante a rentabilidade do investidor, taxas acima de 3% dificilmente valem a pena”, completa.

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Oportunidade
Nos últimos meses, a bolsa de valores brasileira tem apresentado uma grande volatilidade e há investidores que ficam muito nervosos com esses sobe e desce e não conseguem parar de acompanhar os ganhos ou perdas diários, mesmo que tenham entrado no mercado de ações de olho no longo prazo. Para essas pessoas, o período de férias pode ser um bom momento.

“Tem gente que fica muito ansiosa com períodos de volatilidade, e acaba vendendo e comprando em momentos errados. Para esses investidores, as férias podem ser um bom momento de entrar no mercado de capitais, já que ele não conseguirá acompanhar a movimentação diariamente. No entanto, para utilizar essa estratégia, é preciso alocar recursos em empresas com comprovado potencial de crescimento, senão o risco de perder é grande”, diz Tamaki.

E para ele não é tão difícil definir quais são as empresas em que se deve investir. “Basta olhar o macro, por exemplo: o governo elevou a projeção do PIB para 2010, então devemos analisar quais empresas ganham com esse crescimento”, afirma e dá uma dica valiosa: “o investidor precisa entender que, não é porque acredita que determinada empresa vai crescer, que ele precisa estar comprado nessa companhia para lucrar com esse crescimento. Como essas empresas costumam influenciar o negócio de muitas outras companhias pode ser muito mais vantajoso adquirir ações dessas “fornecedoras” . É o famoso, comendo pelas beiradas”, finaliza o estrategista.