CVM descarta irregularidades da Suno no caso Hectare

Órgão regulador descarta manipulação de mercado e reforça decisão anterior da Justiça paulista

Paulo Barros

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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu que não houve manipulação de mercado por parte da Suno no episódio envolvendo o fundo imobiliário HCTR11, da gestora Hectare. Segundo a decisão, obtida pelo jornal O Globo e confirmada pelo InfoMoney, após dois anos de apuração, a área técnica do órgão descartou qualquer ato ilícito, benefício pessoal ou ação coordenada por parte da empresa e seus sócios.

“O encerramento da investigação reafirma aquilo que sempre soubemos: a inocência da Suno e de seus sócios no caso”, diz a casa em comunicado ao InfoMoney. “Reiteramos nosso compromisso com uma atuação ética, transparente e em estrita conformidade com as normas legais e regulamentares, sempre em defesa dos interesses dos investidores individuais”, afirma a nota.

Relembre o caso

A investigação teve origem em denúncia apresentada pela Hectare em 2022, que acusava influenciadores ligados à Suno de prejudicar deliberadamente o fundo por meio de críticas públicas. Segundo a CVM, os comentários ocorreram dentro de um debate legítimo de mercado e refletiam preocupações compartilhadas por diversos analistas e investidores.

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Desde o início de 2022, os fundos do grupo RTSC, holding controladora da Hectare, acumulam perdas superiores a R$ 3,5 bilhões. Só o HCTR11 desvalorizou mais de 76%. O pior caso é o do TORD11, que viu evaporar 92% de valor desde então.

Antes da decisão da autarquia, o caso já havia sido alvo de análise no Judiciário. Em junho de 2024, a 1ª Câmara Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o encerramento da ação movida pela Hectare contra a Suno. O processo, que envolvia uma ação de produção antecipada de provas, havia levado a buscas em escritórios da empresa em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. A Justiça paulista entendeu que não havia fundamento para dar continuidade à apuração.

Na ocasião, a Hectare informou que recorreria da decisão e que o litígio ainda persistia na esfera criminal e administrativa. No entanto, com o arquivamento do caso pela CVM, a Suno está formalmente isenta de qualquer acusação de manipulação no mercado de fundos imobiliários.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos