CPI das pirâmides recomenda que PF e MPF verifiquem conduta da Infinity Asset

Comissão Parlamentar alerta que documentos enviados sugerem que houve movimentação atípica em fundos geridos pela casa

Bruna Furlani

(Getty Images)
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O imbróglio envolvendo os fundos que eram geridos pela Infinity Asset parece ganhar novos contornos. Após a análise de uma série de documentos, o relatório final da CPI das Pirâmides Financeiras recomendou que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) entrem no caso para verificar “possíveis crimes contra a ordem econômica”.

Em texto apresentado na noite de segunda-feira (10), o relator, deputado Ricardo Silva (PSD-SP), afirma que uma apuração de todas as condutas da Infinity Asset Gestão de Recursos, gerida por David Jesus Gil Fernandez, revela que houve “movimentação atípica” em fundos geridos pela casa.

O InfoMoney tentou contato com a Infinity Asset e com David Fernandez, mas não conseguiu localizá-los.

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Parlamentares também recomendaram a apuração das movimentações financeiras entre a empresa, o gestor e seus clientes.

David Fernandez chegou a ser convocado para prestar depoimento à CPI neste ano, mas não compareceu.

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Diante de um forte volume de saques impulsionados pela perda do selo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em dezembro do ano passado, os fundos da Infinity foram transferidos para a Vanquish Asset no início deste ano.

Dos fundos transferidos da Infinity para a Vanquish, foi aprovado um plano de liquidação em três deles. É o caso do Vanquish Pipa, Vanquish Coral e Vanquish Safira, segundo informações da própria gestora. Quase 6 mil cotistas foram afetados com a medida.

Processo sancionador da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também investiga a Infinity Asset. Investidores agora aguardam a conclusão do julgamento de um processo sancionador referente a irregularidades em operações realizadas por fundos da gestora entre setembro de 2014 e dezembro de 2018.

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O processo foi instaurado em 2018 e se arrasta desde então. A sessão de julgamento chegou a ser retomada em junho deste ano, mas foi novamente suspensa após pedido de vista do diretor da autarquia, João Accioly.

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Na sessão feita no fim de junho, a diretora relatora do caso, Flávia Perlingeiro, votou pela condenação dos acusados David Fernandez, CEO da gestora, assim como de André Tadeu Paes de Souza, Andréa Moreira Lopes, Celso Gil Fernandez, além da própria Infinity Asset Management, da Infinity CCTV e da BRB DTVM.

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Também foram estipuladas multas para os acusados que, somadas, chegavam a R$ 7,75 milhões.

No julgamento, Perlingeiro também votou pela inabilitação temporária de Fernandez pelo prazo de 60 meses, para o exercício de cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta, de entidade do sistema de distribuição ou de outras entidades que dependam de autorização ou registro na CVM.

Justiça

Diante da demora para se chegar a uma solução, investidores também tentam receber o dinheiro de volta com a ajuda da Justiça. Nos últimos dias, foram proferidas duas ações de sentença contra fundos da Infinity (agora da Vanquish Asset) e demais réus (administrador e corretora Modal e Ativa). Todos foram condenados a indenizar investidores no montante investido, restituindo-os financeiramente. Os acusados possuem 15 dias para recorrer.

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Na ação mais recente obtida nesta segunda-feira (9), a juíza Thania Pereira Teixeira de Carvalho Cardin, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, disse que os documentos fornecidos pela gestora destacam que o investimento era para um perfil mais conservador, o que não foi visto na prática. A juíza também alertou sobre supostas fraudes na gestão do produto.

“O fundo foi encerrado por conduta supostamente fraudulenta na gestão do fundo, tendo havido violação do pacto quanto ao resgate do capital aportado”, defendeu.