Copom deve manter conservadorismo e adiar corte da Selic

Falta de indícios sólidos de controle da inflação diminuem as chances de que BC reduza os juros básicos da economia

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SÃO PAULO – Começa nesta terça-feira a reunião de fevereiro do Comitê de Política Monetária (Copom), que terminará na quarta-feira com o anúncio da decisão do Banco Central acerca do patamar da Selic. Inalterados desde julho de 2001, os juros básicos da economia estão em 19% ao ano. Para a reunião deste mês, a maior parte do mercado espera pela manutenção da Selic pelo sétimo mês consecutivo. Apesar disso, um modesto corte nos juros não causaria surpresa.

BC deve levar em conta a trajetória de inflação

O BC já vem mostrando há tempos que a principal preocupação econômica do governo reside no controle dos preços, que devem oscilar dentro das expectativas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para este ano. Desta forma, sinais sólidos de desaceleração da escalada dos preços no país podem assegurar o início do corte da Selic. Dois dos mais utilizados índices inflacionários no país, o IGP-M da FGV e o IPC da Fipe apresentaram uma queda da inflação nas prévias de fevereiro, o que motivou maiores apostas na queda dos juros.

Contudo, o núcleo da inflação no Brasil permanece elevado, ainda que já inicie a tendência de maior controle dos preços, o que pode excluir as pressões de janeiro e motivar uma eventual queda no núcleo inflacionário. Desta forma, o BC pode manter o conservadorismo que tem caracterizado a política monetária do país nos últimos meses e optar por adiar por mais um mês o início dos cortes dos juros.

Oferta de títulos públicos consolida expectativa de cortes no curto prazo

Contudo, ainda assim há algumas apostas no mercado de que o BC pode antecipar o corte dos juros em fevereiro. Mesmo porque, uma parte dos investidores acredita que há espaço para um pequeno corte de 0,25 ponto percentual. Maior que o impacto financeiro que o corte deve gerar à economia e aos cofres públicos, o sentimento de juros em queda pode ser importante agora em que o país precisa de confiança para evitar contágios de crise econômicas vizinhas.

Além disso, o Tesouro anunciou a oferta de papéis pós-fixados depois de um período de quatro meses sem este tipo de emissão. Segundo o edital do leilão do Tesouro, nesta terça-feira, serão leiloados R$ 1 bilhão em valor de face de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), com resgate em 21 de janeiro de 2004. Os papéis pré-fixados também comporão o leilão, formado por um lote de R$ 2 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com resgate em 6 de novembro de 2002.

Desta forma, o corte de 0,25 ponto percentual nos juros ganhou força, porque os títulos pós-fixados rendem a taxa Selic e um pequeno prêmio acordado no leilão, o que contribuiria para não ampliar a dívida pública. Neste sentido, o governo troca papéis pré por títulos pós-fixados na oferta ao mercado e evita que a dívida cresça caso os juros recuem.

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Decisão deve ser acompanhada pela divulgação de índices de inflação

Na quarta-feira, quando o colegiado do Banco Central anuncia a decisão dos juros, o mercado deverá receber os resultados do IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana de fevereiro e a segunda prévia para o IGP-M da FGV também de fevereiro. As expectativas são de que o IPC de fevereiro apresente variação inferior do que as leituras anteriores, já que se refere à cidade de São Paulo, que no período teve o desconto do IPTU e o fim da sobretaxa de energia elétrica com o fim do racionamento contribuindo para reduz a pressão inflacionária.

Contudo, índices nacionais como o IPCA, que foi escolhido para formar as metas de inflação, não devem ser beneficiados na mesma proporção por benefícios locais como em São Paulo. Desta forma, fica um pouco mais coerente a noção de que ainda não há elementos concretos e suficientes para a redução da taxa de juros básicos nesta reunião do Copom. Isso deve acontecer a partir de março, à medida que se nota tanto a trajetória declinante e firme da inflação, quanto de seu núcleo.