Copa do Mundo 2026: quem serão os campeões e perdedores do varejo na Bolsa?

Jogos costumam ser negativos para o varejo em geral, mas alguns segmentos podem ganhar antes e durante a competição desde ano

Angelo Pavini

Ativos mencionados na matéria

(Foto: REUTERS/Mandel Ngan)
(Foto: REUTERS/Mandel Ngan)

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A Copa do Mundo de Futebol nos Estados Unidos, Canadá e México este ano já está na agenda dos brasileiros e das empresas, especialmente nas de varejo, que vão buscar táticas para aumentar os ganhos com os jogos e com a paixão de milhões de consumidores. Mas há também o receio com a queda no movimento em alguns setores nos dias das partidas da Seleção Brasileira.

De olho no lance, um estudo do Santander Brasil busca identificar quem está mais bem posicionado para ganhar e quem pode perder com o principal evento esportivo do país do futebol.  

No relatório, os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo avaliaram as diferentes implicações para cada subsetor do varejo e mapearam a relevância dos jogos para cada um deles. O banco vê como principais beneficiários o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, e o Mercado Livre (MELI34). Já as redes varejistas de roupas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Guararapes (GUAR3) vão ser as mais impactadas negativamente.

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O Santander observa que a Copa do Mundo deste ano terá um formato expandido, com 48 seleções, ante 32 das versões anteriores, o que implicará em uma duração maior, com o campeão jogando uma partida a mais, oito ante sete nas copas passadas. A maior duração deve amplificar os efeitos econômicos dos jogos, esperam os analistas.

Além disso, eles citam duas variáveis-chave que influenciarão esses efeitos. Uma delas é o horário das partidas pois, considerando a diferença de fuso horário entre o Brasil e os países-sede, a maioria das partidas deverá ocorrer fora do horário comercial padrão, com jogos da fase de grupos programados para as 19 horas e 22 horas de Brasília.

Outra variável será o desempenho da Seleção Brasileira ao longo do torneio, já que o número de partidas disputadas pode variar de três na eliminação na fase de grupos a oito até o fim do campeonato se o Brasil finalmente conseguir levantar novamente a taça.

Entre os beneficiados, o Santander destaca o Grupo SBF, considerando a forte demanda por camisas da Seleção e outros itens relacionados ao futebol, seguido do Mercado Livre, que também atua nesse segmento. Os analistas veem também um cenário positivo para as vendas de eletrônicos e bens duráveis, como televisões e eletrodomésticos, antes e durante o período do torneio, provavelmente beneficiando novamente o Mercado Livre, além de Casas Bahia (BHIA3) e o Magazine Luiza (MGLU3), impulsionadas pela maior demanda e pelo receio do público de perder os jogos caso a televisão velha pifar.

O Santander espera ganhos também para a Vulcabras (VULC3), que pode se beneficiar das vendas de chuteiras e tênis com a marca Mizuno, que vem sendo mais usada por jogadores profissionais. A Arcos Dourados (ARCO), dona do McDonalds, também costuma se destacar durante as copas com promoções e produtos inspirados nas cozinhas dos países das seleções e que acabam atraindo o público dos jogos e consumidores mais curiosos. A CVC (CVCB3) também deve ganhar com a maior procura de viagens dos torcedores mais fanáticos para os países-sede dos jogos, Estados Unidos, México e Canadá.

Mas o impacto da copa deverá ser negativo para o varejo em geral, especialmente para o setor de moda, acredita o Santander. “De uma perspectiva mais ampla, esperamos que a Copa do Mundo tenha um impacto negativo nas vendas totais do varejo do segundo ao terceiro trimestre de 2026, especialmente para lojas físicas, principalmente devido à redução do fluxo de clientes nas lojas nos dias de jogos”, diz o banco.

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O efeito negativo deve ser mais pronunciado nos segmentos de bens não essenciais, particularmente entre varejistas de moda, como C&A, Guararapes, Lojas Renner e Azzas (AZZA3). Já Vivara (VIVA3) pode ter o impacto negativo limitado pelo perfil de consumidores de produtos de maior valor.

RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3) devem ter impactos menores pela baixa circulação de consumidores durante os dias de jogos, e que podem ser compensados com a venda de produtos farmacêuticos não essenciais. Para os varejistas Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3) e Pão de Açúcar (PCAR3), o impacto negativo será mais limitado pois haverá demanda específica maior por produtos para churrasco, bebidas alcoólicas, especialmente cervejas, e salgadinhos, que devem compensar a menor circulação de consumidores nos dias de jogos.

O Santander fez ainda uma retrospectiva dos impactos das copas anteriores no varejo, comparando o ano inteiro com o período dos jogos. Nas últimas cinco Copas do Mundo, os meses do evento apresentaram consistentemente um crescimento anual mais fraco em comparação com os resultados do ano inteiro. “Consideramos esse padrão como evidência de que a Copa do Mundo tende a impactar negativamente o desempenho geral das vendas no varejo”, diz o banco.

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Nas copas de 2002, última que o Brasil ganhou, e de 2006, por exemplo, o crescimento do ano do varejo restrito, que não considera carros e material de construção, foi de cerca de 7%, enquanto nos jogos ficou em 4%. Já em 2022, o crescimento do ano foi de 14,1% e nos jogos, de 10,3%.