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SÃO PAULO – Esperada com certa ansiedade pelos investidores, a Conta Investimento (CI) completou na última sexta-feira, 8, uma semana de sua entrada em vigor. Para o investidor os benefícios são claros, visto que será possível movimentar recursos entre aplicações financeiras sem pagar CPMF (Contribuição por Movimentação Financeira), desde, é claro, que a movimentação ocorra no âmbito da CI.
Igualmente importante é o fato de que a nova conta deve contribuir para o surgimento de um investidor mais ativo no que refere à gestão do seu patrimônio. Afinal, caso esteja insatisfeito com o retorno de sua aplicação, o investidor poderá redirecionar seus investimentos para outra aplicação, ou instituição, de forma mais rápida, e, ainda melhor, sem a necessidade de incorrer no gasto com CPMF.
Competição entre produtos
Em última instância, isso deve forçar não só uma maior competição entre as várias instituições financeiras, no sentido de captar e manter novos recursos, mas também, entre os vários produtos financeiros. Afinal, com a nova conta investimento os investidores devem dedicar mais tempo no entendimento dos vários produtos existentes no mercado, selecionando aqueles que melhor atendem aos seus objetivos e necessidades.
No mercado de previdência, por exemplo, existe um certo otimismo de que o segmento deve se beneficiar com a conta investimento, pois recursos destinados para a aposentadoria, que no momento estão aplicados em outros produtos, seriam finalmente direcionados para produtos previdenciários, como os PGBLs e VGBLs. Esta é, por exemplo, a visão do presidente da Anapp (Associação Nacional das Entidades Abertas de Previdência Privada), Oswaldo Nascimento.
Falta entendimento real do produto
Esta afirmação, entretanto, pressupõe, que o investidor tenha uma noção clara de quais recursos ele pretende destinar para a formação de um patrimônio voltado para a garantia de sua aposentadoria, o que nem sempre acontece. Na hora de escolher entre os dois, muitos investidores foram atraídos pela oportunidade de deduzir o valor das contribuições do imposto a pagar, ou pelo fato de só pagarem imposto na hora do resgate.
Tanto é que, apesar de se tratarem de produtos de longo prazo, boa parte dos investidores ainda administra os recursos investidos na previdência complementar como se fossem um fundo de investimento, sacando recursos sempre que necessário. Em parte, essa situação foi alimentada pelo fato de que a maior parte das vendas se deu através das agências bancárias, onde as vezes pouco esforço foi feito no sentido de educar o investidor sobre as diferenças entre os dois produtos.
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Ajudando na decisão de investimento
E é exatamente neste ponto que a conta de investimento deve ter a maior contribuição para a expansão do mercado, pois irá exigir das empresas que atuam em previdência um esforço maior na comunicação com os investidores.
No caso da previdência privada esse processo envolve uma discussão detalhada das novas regras de tributação, e da importância de se separar recursos de curto prazo dos de longo prazo.
Assumir, contudo, que o investidor já tem esse entendimento e será capaz de rapidamente decidir entre os vários produtos e implementar uma estratégia de investimento que tenha benefícios imediatos para uma aplicação versus outra parece pouco provável no curto prazo.
Em um mercado como o brasileiro onde planejamento financeiro ainda não é uma realidade mesmo entre investidores mais sofisticados, as mudanças que estão sendo implementadas ainda devem demorar algum tempo para terem um impacto efetivo na forma como o brasileiro decide onde investir.
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No longo prazo, contudo, os benefícios são claros, até porque, desde a reforma da previdência, o brasileiro já se conscientizou de que não pode contar com o governo para garantir seu futuro, e que essa é uma decisão que lhe cabe. Junte-se a isso o fato de que população está envelhecendo e que o investidor está mais informado e não há dúvidas de que na competição por recursos a previdência complementar deve abocanhar uma fatia crescente de mercado.