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Consumo de energia não cai como esperado, mas chuvas podem abrandar racionamento

O plano de racionamento de energia elétrica, que estipulou como meta uma redução de 20% da energia consumida nas regiões afetadas pelo baixo nível das águas dos reservatórios, apresenta uma economia menor que a esperada pelo governo. A principal preocupação é com a região Nordeste que não consegue economizar e é duramente penalizada pela seca. […]

O plano de racionamento de energia elétrica, que estipulou como meta uma redução de 20% da energia consumida nas regiões afetadas pelo baixo nível das águas dos reservatórios, apresenta uma economia menor que a esperada pelo governo. A principal preocupação é com a região Nordeste que não consegue economizar e é duramente penalizada pela seca. O governo espera que com o período úmido, ou seja, das chuvas do final do ano, seja possível que a Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) abrande as exigências de menor consumo a partir de dezembro.

A redução do consumo e nível dos reservatórios

A economia de energia tem sido menor que a esperada em todas as regiões do país durante setembro, o terceiro mês de racionamento. Nas regiões atendidas pelo sistema interligado Sudeste e Centro-Oeste, a economia atinge os 18,1%, o que é menor que a meta de 20%. Na região Nordeste, a redução do consumo preocupa, já que foi de apenas 16,0% no mês passado. No Norte, que foi incluído no plano de racionamento para atender parte da demanda nordestina por energia elétrica, a economia em setembro alcançou 20,1%, o que também é levemente inferior à meta de 20,4% para a região.

Apesar da queda do consumo ter sido menor que a esperada, o nível dos reservatórios supera a curva guia projetada pela GCE para este ano, em patamares mínimos aceitáveis para que o fornecimento não entre em colapso. Neste sentido, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a GCE estimava que os reservatórios terminariam setembro em 16,6% de sua capacidade total e na verdade ficaram em 20,7%. No Nordeste, apesar de ter sido registrado desempenho semelhante, já que os reservatórios estão com 12,9% do total, superando os 11,8% esperados, a margem de segurança é bem pequena e a seca preocupa.

Perspectivas para o Plano de Racionamento

O Diretor-Presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, disse em uma entrevista à Energia Brasil que “à medida que nos aproximamos do final do período seco, naturalmente cai a probabilidade de sermos levados a aplicar o Plano B. Entretanto, a batalha do racionamento ainda não está ganha. É possível ainda um agravamento da seca que, associado à redução na economia de energia, poderia levar o Governo a adotar o Plano B”. O Plano B do racionamento é aquele que inclui os apagões programados e os feriados em dias da semana para reduzir o consumo de energia.

Por outro lado, é justamente esta expectativa de chuvas que leva o governo a já acreditar que possa haver uma suavização das exigências de economia do consumo energético no país. Segundo informações do ministro de Minas e Energia, José Jorge, entre os meses de dezembro deste ano a abril de 2001, não há necessidade de se aplicar a atual cota de economia. Com isso, o ministro indica que a meta deve ficar menor a partir de dezembro, apesar de ainda não se saber de quanto será possível atenuar a meta de energia. De qualquer forma, espera-se que a decisão do governo seja tomada somente no final de novembro, quando os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas darão mais previsibilidade.

A solução deve custar ao consumidor

Frente à deterioração da economia mundial, o governo brasileiro terá de controlar gastos, mas não deve afetar o setor energético. Sendo assim, um dos focos de atuação ainda é o de ampliar a oferta de energia, diversificando a matriz de geração no Brasil, através das usinas termoelétricas, que utilizam o gás natural para gerar a mesma energia que hoje no país é 90% gerada pela força das águas.

O que pode preocupar o consumidor é que a energia gerada pela termoelétrica tem custos em dólar, o que pode encarecer ainda mais a tarifa de energia elétrica cobrada. Somando a isso a decisão do governo de repassar os custos em dólares da energia hidroelétrica aos consumidores, o impacto inevitável da crise será no bolso de todos nós enquanto consumidores.