Publicidade
Pergunta:
Tenho 32 anos, uma renda líquida média de R$ 12 mil – este valor varia pois trabalho por hora. Minhas despesas fixas atualmente estão em torno de R$ 7 mil. Minha dúvida é a seguinte: eu comprei dois apartamentos na planta, um em 2009 e outro em 2011 e ambos estão para serem entregues em meados deste ano. A ideia inicial era morar em um deles e alugar o outro. O problema é assumir dois financiamentos, pois dependendo do valor do aluguel, isso poderá ultrapassar meu custo fixo. Qual seria a melhor estratégia financeiramente falando para eu ter um bom resultado nos meus investimentos? Quais variáveis eu devo analisar e calcular?
Leitor: Kleber
Continua depois da publicidade
Resposta de Marcos Alexandre Rodarte, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:
Prezado Kleber,
Atualmente seu poder de poupança mensal médio é de R$ 5.000 e que, somado à renda do aluguel de um dos imóveis, deverá suprir o financiamento dos dois apartamentos. De acordo com a média dos valores de aluguel dos últimos anos (líquido de IR e taxa de administração imobiliária), o rendimento deverá ser em torno de 0,45%, ou seja, menor até do que a poupança.
Na compra dos dois imóveis, você teve uma valorização excelente, pois o incremento médio dos preços nos útimos cinco anos foi mais de 150%. Dados recentes do setor imobiliário indicam que nos próximos anos haverá uma valorização “saudável” no preço dos imóveis, ou seja, o preço será mais estável.
Assumir dois financiamentos neste cenário e com rendimento de aluguél abaixo da poupança poderá comprometer a sua formação de poupança a longo prazo, pois não haverá uma reserva financeira para necessidades emergenciais e sua renda líquida ficará será quase que exclusivamente para pagar os financiamentos.
Caso exista a possibilidade de vender um dos imóveis, é possível obter uma carteira de investimentos com rendimento médio superior à renda fixa atual, cujo principal indicador é a taxa Selic, atualmente em 11% e com tendência de alta, enquanto a inflação não arrefecer.
Continua depois da publicidade
Nesta hipótese de venda de um dos apartamentos, uma sugestão de alocação dos investimentos seria:
– Títulos públicos pós-fixados ( LFT’s );
– Títulos públicos indexados ao IPCA ( NTN-B’s);
Continua depois da publicidade
– Fundos imobiliários.
O percentual que será distribuído a cada um desses investimentos é definido através do seu perfil de investidor e terá como resultado quatro hipóteses: conservador, moderado, arrojado e agressivo. No perfil agressivo, por exemplo, poderá ser direcionado até 35% dos investimentos em fundos imobiliários.
As LFT’s (letras financeiras do tesouro) possuem baixo risco e podem ser utilizadas como reserva financeira para o dia a dia, porém o investidor consegue vendê-las novamente para o Tesouro Nacional somente nas quartas-feiras. Sugerimos um investimento na ordem de seis a oito meses do valor dos seus custos mensais nesta aplicação. A perspectiva de retorno nas LFT’s é de valores próximos a 11%, dado que este investimento acompanha as variações da taxa Selic
Continua depois da publicidade
As NTN-B’s são títulos de longo prazo e pagam o IPCA (índice oficial e inflação no Brasil) do período somado a um juro real. Por exemplo, o título NTN-B Principal, com vencimento em Maio de 2019, tem como rendimento IPCA + 6,09%, ou seja, caso o IPCA médio para os próximos anos até 2019 seja de 5% a.a, um investimento de R$ 100.000, terá como valor, na data de vencimento, R$ 171.489. Sobre os rendimentos, desconta-se o IR de 15% ( abaixo tabela de IR na renda fixa)
IR padrão na renda fixa
1 – 180 dias: 22,5%
Continua depois da publicidade
181 – 360 dias: 20%
361 – 720 dias : 17,5%
+ 721 dias: 15%
Os fundos imobiliários são investimentos que compram, por exemplo, imóveis comerciais, shoppings, hospitais, lajes corporativas e o rendimento médio mensal é líquido de IR. As cotas são adquiridas em ambiente de bolsa de valores e a aquisição poderá ser com valores bem menores se comparado ao custo de um imóvel. Há boas opções de fundos que estão pagando rendimentos entre 0,7% e 0,9% ao mês.
Tanto as NTN-B’s quanto os fundos imobiliários possuem volatilidade, ou seja, oscilam de acordo com as perspectivas do cenário econômico. Dado essa característica o horizonte de investimento deve ser superior a 5 anos.
Enquanto nas NTN-B’s o rendimento é garantido na data de vencimento, nos fundos imobiliários há oscilação no preço das cotas igual a ações, portanto, ao adquirir as cotas de fundos imobiliários tenha como fator de avaliação que os fundamentos de um bom imóvel e sua valorização são vistos somente no longo prazo.
Para adquirir títulos públicos e cotas de fundos imobiliários é necessário possuir uma conta em corretora de valores. Há boas corretoras com custo baixo e que elaboram bons relatórios de avaliação de fundos imobiliários disponíveis para consulta.
Espero ter ajudado,
Marcos Alexandre Rodarte é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br
Prezado Hildebrand,
Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade.
Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos…
Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.
Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.
Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.
A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.
Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.
Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.
E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!
*Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF