Comprar ações da empresa em que você trabalha é bom negócio?

Para Robert Stammers, diretor de educação do Instituto CFA, é um risco para o investidor comprar ações de empresas em que trabalha uma vez que a pessoa fica sobrealocada em uma instituição

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SÃO PAULO – É bem comum ouvir a frase “se torne o dono da empresa que trabalha”. E muitos investidores realmente acumulam, ao longo de anos de trabalho, papéis de suas empresas. No entanto, realmente sempre vale a pena comprar ações só por que o investidor conhece por dentro a empresa? Para especialistas, esta pode ser uma boa opção, mas a escolha do investimento deve ir além do lado psicológico e afetivo.

Na opinião do diretor de educação do Instituto CFA,  Robert Stammers, um dos principais problemas de comprar ações da mesma companhia em que se trabalha é o fato de que o investidor pode ficar com o salário e os investimentos em renda variável comprometidos com a mesma empresa, o que aumenta a exposição do funcionário e consequentemente o risco. “As pessoas que estão sobrealocadas com ações da empresa assumem o risco de terem seus bens e sua renda reduzidos significativamente se a empresa passar por um período de dificuldades financeiras”, afirma Stammers.

Já para o educador financeiro Álvaro Modernell, a escolha de comprar ou não ações da instituição em que a pessoa trabalha pode ser um bom termômetro para avaliar a relação do funcionário com a empresa. “Se o investidor acredita na empresa por que não comprar ações dela? E se não acredita na empresa, por que não considerar uma mudança de emprego?”, questiona.

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O educador financeiro Mauro Calil afirma que essa pode ser uma boa opção, mas faz uma ressalva: “Se a empresa tiver uma boa política de stock options para o funcionário, pode ser uma boa ideia, mas é importante que o investidor leia com atenção as regras de compliance da empresa para saber quando pode sair do investimento”, diz Calil. Isso porque, em muitos casos, o investidor não pode se desfazer do papel por determinado período e isso precisa ser levado em consideração.

Para Cali, o funcionário deve avaliar esse investimento como qualquer outro no mercado de renda variável. “Ninguém vai querer comprar papéis de uma empresa que dá prejuízo anos após ano”, conclui.