Compra de “cripto dólar” fora do alcance do IOF cresce no Brasil, mostra pesquisa

Investimentos em stablecoins também aumentou em outros países da América Latina

Lucas Gabriel Marins

Representação de diversificação de ativos com dólares e representações físicas de Bitcoin e criptoativos (Foto: Pexels / David McBee)
Representação de diversificação de ativos com dólares e representações físicas de Bitcoin e criptoativos (Foto: Pexels / David McBee)

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O brasileiro tem investido cada vez mais em stablecoins – criptomoedas atreladas a ativos do mercado tradicional, como o dólar. É o que mostra a quarta edição do relatório Panorama Cripto na América Latina, elaborado pela plataforma de serviços financeiros Bitso e divulgado nesta segunda-feira (11).

Essas moedas digitais, conhecidas no mercado como “cripto dólar”, representaram 35% das compras no Brasil no primeiro semestre de 2025. O dado mostra avanço em relação à edição anterior do relatório, lançada no início do ano, quando o índice era de 26%. Entre as stablecoins mais adquiridas na corretora estão USDC (24%) e USDT (11%).

A alta, vista também em outras plataformas com operação no Brasil, coincide com o período em que o governo federal anunciou o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

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Por não serem consideradas instrumentos de câmbio pela legislação brasileira, as stablecoins estão fora da incidência do imposto – e vêm sendo usadas por brasileiros como forma mais rápida e barata de enviar dinheiro ao exterior.

No fim de 2024, porém, o Banco Central abriu uma consulta pública sobre a regulamentação de serviços com ativos virtuais no mercado de câmbio. Especialistas avaliam que a proposta pode alterar o entendimento atual e permitir a cobrança de IOF sobre essas operações no futuro.

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Preferência latino-americana

O aumento no uso de stablecoins não se limita ao Brasil. O relatório também aponta crescimento nas compras dessas criptos em países como Argentina, Colômbia e México – todos mercados em que a Bitso opera. Em toda a América Latina, a fatia de stablecoins chegou a 46% das compras no primeiro semestre, acima dos 39% registrados em 2024 e dos 30% em 2023.

No Brasil, México e Colômbia, o USDC lidera entre as mais adquiridas. Já na Argentina, a preferência é pelo USDT, que respondeu por 78% das compras no semestre. Segundo a Bitso, o USDT é mais usado no país devido à intensa atividade de arbitragem no mercado local.

O relatório também aponta que, na Argentina, a participação de stablecoins no total de compras é o dobro da registrada nos demais países. “As condições de instabilidade econômica e uma preferência cultural pelo dólar ajudam a explicar essas diferenças”, diz o material.

E o Bitcoin?

Apesar da expansão das stablecoins, o Bitcoin (BTC) continua como o principal ativo nas carteiras dos investidores. O desempenho da cripto no primeiro semestre impulsionou o movimento. Em julho, o criptoativo renovou sua máxima histórica, superando os US$ 123 mil.

O Brasil foi o país com maior concentração de BTC entre os mercados analisados: 65% dos ativos mantidos por usuários da Bitso no país estão na principal criptomoeda. Na média da América Latina, o BTC representa 54% das reservas, seguido por XRP (12%) e Ethereum (11%).

“A preferência dos brasileiros por manter Bitcoin em carteira mostra uma confiança crescente no ativo como proteção patrimonial e investimento de longo prazo. Isso reflete não só a maturidade do usuário, mas também o papel do BTC como alternativa viável frente à inflação e à volatilidade de ativos locais”, afirma Bárbara Espir, Country Manager da Bitso no Brasil.

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