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SÃO PAULO – Juros básicos a 8% ao ano. Apesar de ser bom para a economia de uma maneira geral, a redução da Selic para o seu menor nível histórico obriga os investidores a procurarem alternativas para conseguirem um ganho satisfatório com as suas aplicações financeiras.
Neste cenário, a bolsa de valores também aparece como opção, inclusive para aqueles com perfil menos agressivo que querem garantir uma renda mensal. O segredo está em comprar ações de empresas que pagam bons dividendos (distribuição do lucro da companhia entre os acionistas minoritários). Com estes papéis, o investidor garante uma renda periódica, independentemente do risco de mercado da ação.
“Dependendo da sua carteira de dividendos, você consegue ter uma rentabilidade média de mais de 8% ao ano. Atualmente, a poupança está pagando menos do que 6% ao ano, então é algo que se deve cogitar”, aponta o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.
O professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha, concorda. “O brasileiro precisa aprender a olhar outras alternativas para seus investimentos. Com os juros baixos, vai ficar cada vez mais difícil ter uma rentabilidade elevada ”, aponta.
As boas pagadoras de dividendos
As ações que costumam pagar melhores dividendos são aquelas de empresas consideradas defensivas, que possuem um caixa consolidado e por isso não precisam de tantos investimentos. Assim, a maior parte do lucro pode ser dividida entre os acionistas. “Normalmente, os setores de energia elétrica e de telecomunicações são os que pagam dividendos mais atrativos”, aponta o economista da Souza Barros.
O levantamento feito pelo InfoMoney com base nas carteiras de dividendos recomendadas pelas corretoras comprova esta afirmação. As ações preferenciais da Transmissão Paulista foram as mais citadas nas carteiras recomendadas para o mês de julho, com participação em 6 dos 9 portfólios compilados pelo portal. Já as ações da Telefônica Brasil ficaram na segunda colocação do ranking, com cinco votos, dividindo a posição com os papéis da AES Tietê.
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“Outras empresas com baixa necessidade de reinvestimento, como Souza Cruz e Ambev também são historicamente boas pagadoras de dividendos”, lembra Vieira.
O economista fez, à pedido da Infomoney, um levantemanto com os maiores dividends yields (retorno de dividendos) pagos pelas empresas desde 2008 – levando em consideração a média anual. “É importante lembrar que o dividendo pago no passado não garante que a empresa vá pagar o mesmo percentual no futuro, mas a expectativa é que isso aconteça”, aponta. Confira as melhores pagadoras de dividendos dos últimos anos:
Eletropaulo (ELPL4)- 21,61%
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Tarpon Investimentos (TRPN3)- 13,75%
Cremer (CREM3) – 12,56%
Aes Elpa – (AELP3) – 12,5%
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Brasmotor – (BMTO4) – 11,44% – ação com baixa liquidez
Elektro – (EKTR4 )– 11,34%
Coelce – (COCE5) – 11,24%
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Light (LIGT3) – 11,18%
Oi (OIBR4)– 10,86%
Menos volatilidade
As ações destas empresas também costumam oscilar menos em casos de grande crises, justamente por conta do seu caráter defensivo. “Este tipo de ação não é comprada com objetivo de especular, as pessoas normalmente compram para o longo prazo, para ganhar com o recebimento de proventos. Por isso, quando o mercado vai mal, estas empresas normalmente têm uma queda menor”, afirma Vieira.
Ao mesmo tempo, em épocas que o mercado se recupera e tem picos de alta, esses papéis também costumam subir menos. “De uma maneira geral, a volatilidade é menor”, explica Vieira.
Mesmo assim, estes papéis têm se mostrado uma boa opção para o longo prazo. Para se ter uma ideia, desde 2006, o Idiv (Índice de Dividendos) registrou valorização de 242% (até o fechamento do pregão do último dia 30). Neste mesmo período, o Ibovespa (principal índice da bolsa de São Paulo) avançou 70%.
O professor do Insper também lembra que o investidor que quer garantir a renda com o pagamento de dividendos precisa ter disciplina e saber o que vai fazer com os proventos que recebe periodicamente. Uma das opções é reinvestir todo o dividendo ganho em mais ações da empresa. “Existem companhias que possibilitam o reinvestimento automático, o que facilita a vida do investidor”, aponta Rocha.
Outra opção é investir os dividendos em títulos de renda fixa. “Esta é outra forma de preservar o capital e ir acumulando o rendimento”, afirma.
Riscos
Como qualquer aplicação em renda variável, o investidor corre o risco de mercado, ou seja, do preço da ação se desvalorizar. Entretanto, quem investe em ações que pagam bons dividendos tem este risco mitigado por conta da menor volatilidade dos papéis.
“Você tem o risco da renda variável, o preço da ação pode cair e você pode pode perder uma boa parte do seu dinheiro”, aponta Vieira. “Mas estas ações têm uma volatilidade menor do que outros papéis disponíveis”, conclui.