Como uma secretária de 96 anos acumulou uma fortuna secreta de US$ 8,2 milhões

A fortuna foi descoberta quando uma doação de US$ 6,24 milhões foi feita em seu nome   

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SÃO PAULO – Sylvia Bloom poderia ter sido apenas uma funcionária qualquer, com um salário mediano de Nova York, mas construiu uma grande história. A secretária, que se aposentou aos 96 anos em 2013 e faleceu em 2016, era milionária e ninguém – nem mesmo sua família – sabia.

A fortuna foi descoberta quando uma doação de US$ 6,24 milhões foi feita em seu nome para o Henry Street Settlement, um instituto que oferece programas sociais e de saúde para pessoas carentes – foi a maior doação individual para o programa em seus 125 anos de história, segundo o The New York Times. A família descobriu a doação poucos dias antes dela falecer. 

Residente do Brooklyn, Bloom trabalhou em um escritório de advocacia durante 67 anos e acumulou uma verdadeira fortuna ao longo das décadas – tudo em segredo. Na prática, ela fez isso observando os investimentos feitos pelos advogados para quem trabalhava.

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Em seu testamento, ela deixou  uma pequena parte de seu dinheiro para parentes e amigos, mas determinou que a maior fatia da fortuna fosse destinada à caridade, uma parte para o instituto social, e outra, de cerca de US$ 2 milhões, para o Hunter College, um programa de bolsas de estudo para jovens carentes, onde ela se formou quando jovem.

“Fiquei muito surpresa. Sei que ela tinha dinheiro suficiente para viver, mas não sabia a extensão de seu patrimônio. Minha tia era uma pessoa muito reservada e nunca mencionou seus investimentos. Ela provavelmente pensou que não era da conta de ninguém, apenas dela mesma”, afirmou a sobrinha de Bloom, Jane Lockshin, em entrevista ao site. Ela trabalha na tesouraria do Henry Street Settlement.

Como ela alcançou a façanha?

A história sobre como ela acumulou a riqueza não é complemente clara, dado que a família descobriu que ela possuía a fortuna quando ela já estava debilitada, dias antes dela falecer. 

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Embora Bloom não falasse sobre ganhar dinheiro, ela era perspicaz no modo como fazia isso. Ela entrou para o escritório de advocacia de Wall Street Cleary Gottlieb Steen & Hamilton em 1947, onde passou muito tempo observando as estratégias de investimento dos advogados. Depois de descobrirem a doação milionária, a família de Bloom começou a investigar como ela havia conseguido juntar tanto dinheiro.

“Ela era secretária em uma época em que era a função dela administrar a vida dos seus chefes, inclusive os investimentos pessoais deles”, explicou Lockshin. “Então, quando o chefe comprava uma ação, ela imitava a estratégia e comprava a mesma ação para si mesma, mas em menor quantidade, porque ela recebia o salário de uma secretária, que não era muita coisa”. E claro que nem sempre conseguia acompanhar o ritmo dos investimentos, mas tentava seguir os passos de quem já sabia investir. A sobrinha não deu detalhes sobre como soube dessa estratégia da tia.

Na prática, conforme ia acompanhando os investimentos dos chefes iam aprendendo e, com o tempo, começou a investir por conta própria. Ninguém sabe se ela fez aulas, ou se foi autodidata, mas como trabalhava em Wall Street, poderia ter acesso a esse mundo dos investimentos mais facilmente. Nada como aprender a investir praticando. É possível que ela tenha pedido orientação para alguém do escritório, mas tudo são apenas suposições. 

Apesar da riqueza que acumulou, dividida entre três corretoras e 11 bancos, Bloom manteve um estilo de vida simples. “Ela e meu tio viviam em uma casa modesta, vida sem luxos, mas confortável”, contou Lockshin. 

Bloom e o marido Raymond Margolies, um bombeiro de Nova York, que morreu em 2002, moravam em um apartamento alugado. E enquanto Bloom se vestia bem e gostava de produtos de qualidade, a sobrinha garante  que ela não gastava por impulso e era bem consciente da sua vida financeira. A família especula, que nem mesmo o marido sabia da fortuna que vinha acumulando.

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De acordo com David Garza, diretor executivo da Henry Street, Bloom “era uma criança criada na época da Grande Depressão e sabia o que era não ter dinheiro. Ela tinha grande empatia por outras pessoas que eram carentes e queria que todos tivessem uma boa vida”, afirmou ao site.

Giovanna Sutto

Responsável pelas estratégias de distribuição de conteúdo no site. Jornalista com 7 anos de experiência em diversas coberturas como finanças pessoais, meios de pagamentos, economia e carreira.