Publicidade
SÃO PAULO – Entre volatilidade nos mercados de commodities, preocupações renovadas no setor financeiro e dados econômicos divergentes sobre a economia norte-americana, a Bolsa brasileira, vinda de uma semana de ganhos, não teve forças para dar continuidade consistente à retomada, acompanhou Wall Street e encerrou a última semana de agosto com tímida variação negativa.
O período foi marcado por baixo volume de negócios na renda variável doméstica e ganho adicional do dólar comercial. No mês de agosto, a valorização de 4,42% da moeda norte-americana frente ao real foi a maior vista desde maio de 2006.
Disputa de forças
A última semana de agosto começou pressionada por novas ocorrências negativas no setor financeiro. A seguradora AIG recebeu do Credit Suisse projeções de perdas e da agência de risco Fitch perspectiva de redução de seu rating. Em paralelo, o Lehman Brothers se via envolto em rumores de venda para o banco público sul-coreano Korean Development Bank. A tensão em torno da possibilidade de resgate das financiadoras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae pelo Tesouro dos EUA perdeu força após ambas anunciarem captação de US$ 3 bilhões via emissão de notas de dívida de curto prazo.
O calendário econômico dos EUA contou com ocorrências antagônicas. Enquanto o índice de confiança do consumidor surpreendeu positivamente o mercado, os dados de consumo do cidadão norte-americano em julho vieram fracos. Os pedidos de bens duráveis à industria do país avançaram mais do que se esperava, enquanto o setor imobiliário trouxe indícios de recuperação com o Existing Home Sales.
Mas nenhum dado surpreendeu tanto quanto a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no segundo trimestre do ano: o avanço de 3,3% superou até mesmo as projeções mais otimistas.
Mas o grande evento da semana foi a divulgação da minuta da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve. O time de economistas liderado por Ben Bernanke mostrou na ata de sua última reunião – que contou com a manutenção do juro básico dos EUA em 2% ao ano – que o próximo movimento da Fed Funds Rate será de alta, em busca de combater a alta da inflação nos EUA. Contudo, deixou obscuro se tal movimento virá no curto prazo, dado que as menções à fragilidade da economia norte-americana também tiveram grande peso.
Continua depois da publicidade
Blue chips não garantem alta da Bovespa
Sem deixar de receber influência dos mercados internacionais, o cenário doméstico contou com mais uma semana de volatilidade das commodities, que exercem ampla influência nas ações das maiores empresas em valor de mercado da Bovespa. As tímidas perdas de Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5) pouco comprometeram o desempenho do Ibovespa, que mesmo com a contribuição positiva das siderúrgicas, não teve força suficiente para dar seqüência aos ganhos apresentados na semana anterior.
Dentre as referências corporativas, destaque aos desdobramentos da possível criação de uma estatal para administrar os recursos da área do pré-sal. Na agenda econômica, novos indícios de desaceleração da inflação com o resultado do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O último relatório Focus mostrou revisão para baixo nas projeções para os principais indicadores de preços domésticos, não acompanhadas por menores perspectivas para a Selic.
Dados do Banco Central mostraram crescimento de 1,7% na concessão de crédito no país na passagem de junho para julho.
Continua depois da publicidade
As variações
Com três dos cinco pregões da semana com fechamento negativo, o Ibovespa acumulou desvalorização de 0,30%, voltando a 55.680 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,43% na semana, cotado a R$ 1,635.
No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,64% nesta sexta-feira, queda de 0,05 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 12,90%, com queda na passagem semanal.
Agenda para a primeira semana de setembro
A primeira semana de setembro pede atenção redobrada às referências econômicas externas e domésticas. Por aqui, o destaque fica com a publicação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, relativo a agosto, programada para sexta-feira (5).
Continua depois da publicidade
No mesmo dia, será publicado nos EUA o Employment Report de agosto, relatório que compila diversos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano. Por lá, a semana conta ainda com o Livro Bege do Fed, que traz as percepções do colegiado quanto ao desempenho atual da economia do país.