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SÃO PAULO – Os mercados financeiros globais tiveram uma semana de eventos de peso e forte volatilidade. A crise de crédito teve como desdobramentos a estatização das agências de financiamento hipotecário Freddie Mac e Fannie Mae e amplo noticiário em torno do Lehman Brothers.
Por aqui, Wall Street perdeu espaço com nova rodada de queda das commodities e a favorável repercussão da confirmação do potencial do poço denominado Iara, localizado na Bacia de Santos, catalisador para a disparada das ações da Petrobras (PETR3, PETR4) nos dois últimos pregões da semana.
Com o clima nos mercados amplamente fragilizado, o dólar comercial encontrou terreno para dar continuidade a seu recente movimento de alta em relação ao real. Já na renda variável, o resultado de dois dias de derrocada seguidos e de três pregões de forte recuperação foi modesta valorização ao Ibovespa.
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Subprime rouba a cena mais uma vez
A manhã de segunda-feira já trazia a repercussão da notícia, trazida na véspera pelo Tesouro norte-americano, de estatização das financiadoras de hipotecas Freddie Mac e Fannie Mae, duas das instituições financeiras mais penalizadas pela crise do subprime. Apesar do ‘derretimento’ das ações de ambas, que no primeiro pregão da semana despencaram mais de 80%. Contudo, a notícia foi bem recebida pelos investidores, com perspectivas de que a medida possa representar o “início do fim” dos problemas destas empresas.
O evento dividiu espaço com o farto noticiário envolvendo outra instituição financeira penalizada pelo subprime: Lehman Brothers. Um dia após as conversas com o Korea Development Bank – que davam conta da venda de expressiva parcela do capital do banco norte-americano ao sul-coreano – chegarem ao fim sem sucesso, o Lehman publicou uma prévia de seus resultados do terceiro trimestre, com projeção de perdas de US$ 3,9 bilhões e plano de redução de sua exposição às hipotecas. Expectativa de rebaixamento do rating pelas principais agências de risco e rumores de venda do banco também estiveram em cena.
Com as atenções divididas entre Freddie Mac, Fannie Mae e Lehman Brothers, os guidances de FedEx e Texas Instruments – bem recebidos pelo mercado – e as especulações de perdas de US$ 19 bilhões do Washington Mutual com empréstimos inadimplentes tiveram pouca repercussão.
O mesmo não pode ser dito da agenda de indicadores econômicos. Nos Estados Unidos, os números vieram abaixo das projeções, com destaque ao Pending Home Sales e ao Retail Sales, alimentando estimativas de que na próxima semana o Federal Reserve possa retomar o ciclo de cortes no juro básico norte-americano. Na Europa, novas referências em torno da crise imobiliária no Reino Unido pesaram sobre os negócios, enquanto na Ásia os investidores tomaram conhecimento da contração do PIB (Produto Interno Bruto) japonês no segundo trimestre e de menor crescimento industrial na China.
Petrobras volta a sustentar recuperação da Bolsa
A influência do comportamento de Wall Street na Bolsa brasileira mais uma vez perdeu espaço para fatores domésticos. O forte peso das ações ligadas ao mercado de commodities guiou os dois primeiros pregões da semana a duras perdas, com o Ibovespa, principal índice de ações do País, atingindo seu menor patamar de pontos desde agosto de 2007 na terça-feira (9).
Contudo, a virada teve início na quarta-feira, com a repercussão positiva do PIB brasileiro no segundo trimestre do ano: o crescimento foi de 6,1% na comparação com abril a junho do ano passado.
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No mesmo dia, após o fechamento dos mercados, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) anunciou a elevação da taxa básica de juro brasileira em 75 pontos-base, para 13,75% ao ano. A magnitude do incremento veio de encontro às projeções do mercado, contudo, o placar da decisão – 5 votos contra três a favor de alta de 50 pontos-base – foi o destaque, jogando maior expectativa para a publicação da ata desta reunião.
A noite de quarta-feira trouxe ainda comunicado da Petrobras comprovando o potencial das reservas no poço de Iara, na Bacia de Santos. No pregão seguinte, a disparada dos papéis da estatal foi o principal driver dos expressivos ganhos da BM&F Bovespa. A reversão dos papéis de empresas ligadas ao mercado de matérias-primas também teve a ajuda do anúncio de investimentos de US$ 57 bilhões em mineração até 2012.
As variações
Com dois pregões de derrocada, seguidos por três de recuperação, o Ibovespa chegou ao fim da segunda semana de setembro acumulando modesta valorização de 0,87% no período, aos 52.392,86 pontos. No mercado de câmbio, o forte ajuste da sexta-feira não foi suficiente para apagar os ganhos acumulados nas quatro sessões anteriores: o dólar comercial disparou 3,55% na semana, cotado a R$ 1,781.
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No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,65% na sexta-feira, queda de 0,09 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 12,90%, estável na passagem semanal.
Agenda para a terceira semana de setembro
Com grande destaque aos eventos em torno da política monetária doméstica e norte-americana, a agenda da terceira semana de setembro trará a aguardada ata da última reunião do Copom, na qual seus membros votantes detalharão os motivos que levaram à elevação da taxa Selic.
Já na esfera internacional, todas as atenções estarão voltadas à reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, programada para a terça-feira. Também merece destaque o Índice de Preços ao Consumidor nos Estados Unidos, com publicação agendada para a mesma data.