Comentário Semanal: commodities voltam a guiar perdas na Bovespa

A despeito de resultados corporativos positivos, recuo no preço de matérias-primas volta a penalizar blue chips

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SÃO PAULO – Pela segunda semana consecutiva o Ibovespa acumulou perdas, mais uma vez sofrendo com a correção dos preços internacionais de commodities, que se prolongou no período.

As principais blue chips brasileiras sofreram com a perspectiva de redução em suas receitas, uma vez que comercializam matérias-primas, mesmo tendo resultados trimestrais bem recebidos por analistas. Como representam o maior peso do índice, acabaram por derrubá-lo na semana.

Exercendo efeito contrário no front externo, o comportamento do mercado de commodities aliviou temores de maior pressão inflacionária, o que resultou em melhores variações semanais para os índices acionários norte-americanos.

Plano externo instável

Contudo, mesmo encerrando o período com ganhos modestos, as praças financeiras nos Estados Unidos não deixaram de apresentar volatilidade.

As referências do setor financeiro continuaram a gerar preocupações na esfera internacional. O prejuízo do UBS no segundo trimestre do ano e a previsão de novas baixas contábeis do JPMorgan alimentaram as tensões. O noticiário ainda contou com o alerta da Merrill Lynch de que a crise de crédito ainda figura muito longe de seu final, o que ampliou os temores no mercado.

Por sua vez, os indicadores econômicos ofereceram dados contrastantes para os negócios. Do lado negativo, destaque para o índice de preços CPI, que anotou seu maior patamar dos últimos 17 anos em julho, e para o recuo nas vendas marcadas pelo Retail Sales do mesmo mês. No mesmo sentido, o mercado de trabalho sugeriu cautela, com número de pedidos por auxílio-desemprego superior ao previsto na semana.

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Na outra ponta, o resultado da balança comercial norte-americana surpreendeu as projeções, com déficit de US$ 56,8 bilhões. Também sugerindo otimismo, a produção industrial medida pelo índice NY Empire State Index subiu em agosto, contrariando expectativas.

Já na Europa, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro apresentou contração na passagem trimestral, gerando apreensões no mundo inteiro, que volta a ver neste fato indícios de que um esfriamento global está de fato em andamento. Esta perspectiva, aliada ao declínio das commodities, sustentou mais uma semana de fortalecimento do dólar em âmbito mundial, e levou a moeda norte-americana a acumular valorização face ao real.

Por aqui, commodities e resultados em foco

Petrobras, Vale e siderúrgicas enfrentaram uma semana de perdas generalizadas na Bolsa brasileira e foram as principais responsáveis pela derrocada do Ibovespa.

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Entretanto, das 66 ações que compõem o principal índice da Bolsa brasileira, apenas oito encerraram a semana com variação acumulada positiva, a despeito de números positivos na temporada de divulgação de resultados trimestrais.

Destaque para o balanço superior às expectativas da Petrobras e para a receita líquida recorde da CSN. Já as duas principais companhias aéreas do País, TAM e GOL, apresentaram números divergentes, com lucro para a primeira e prejuízo à segunda.

Por fim, a agenda doméstica contou com novos sinais de desaceleração inflacionária dados pelo IPC-Fipe de agosto e com a pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontou o maior avanço nas vendas do varejo brasileiro desde 2001, além das novas projeções do relatório Focus do Banco Central.

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As variações

O Ibovespa acumulou desvalorização de 4,14%, aos 54.244 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 1,86% na semana, a R$ 1,6390, a maior cotação em quase dois meses.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,65% nesta sexta-feira, acima do patamar visto no final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 12,82%, estável na passagem semanal.

Agenda para a terceira semana de agosto

Dentro da agenda da terceira semana de agosto, os investidores olharão para os EUA atentos ao índice de preços ao produtor referente ao mês de julho, que ganha importância perante o avanço da inflação no país.

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No cenário nacional, a ênfase fica para o IPCA-15 (Índice de Preço ao Consumidor Amplo – 15) e para a Pesquisa Mensal do Emprego, ambos elaborados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).