Comentário Semanal: clima externo e blue chips derrubam Ibovespa

Vale e Petrobras pesam sobre o saldo da bolsa na semana; Employment Report reacende tensão com economia dos EUA

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SÃO PAULO – O Ibovespa apresentou saldo negativo na primeira semana de junho, respondendo a dados desfavoráveis da economia norte-americana e pressionado pelo movimento de realização de lucros após as fortes altas acumuladas.

Além disso, mais uma vez, as blue chips, que já haviam limitado a alta do índice no final de maio, foram responsáveis por boa parte das perdas na Bovespa.

Petrobras e Vale refletiram o ajuste nos preços internacionais de commodities, apesar de o petróleo ter registrado forte recuperação nesta sexta-feira (6), com a maior alta da história – subiu US$ 10,75 para US$ 138,54 por barril em Nova York. As negociações da semana também foram marcadas por sinalizações de mudanças na política monetária de vários países.

Juro e dólar

O nervosismo dos mercados e uma possível alteração na atual diferença entre o juro praticado interna e externamente levaram o dólar a ligeira alta e o mercado futuro de juro a avançar.

Política monetária

No plano interno, o Copom (Comitê de Política Monetária), decidiu por elevar a Selic em 0,50 ponto percentual para 12,25% ao ano. A espera pela atualização do juro rendeu ansiedade ao mercado no meio da semana.

Declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sinalizaram que um ciclo de alta no juro básico norte-americano estaria por vir, face as preocupações com o nível de preços no país. Um dia depois, os fracos números do Employment Report enterraram as perspectivas de que a Fed Funds Rate pudesse subir ainda neste ano.

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A inflação, preocupação corrente em âmbito mundial, foi o argumento usado pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, em discurso que indicou um possível aperto monetário na região também. Nesta semana, a taxa básica de juro na zona do euro foi mantida em 4% ao ano.

Plano externo

Na cena externa, os temores acerca do setor financeiro internacional retornaram ao centro das atenções, depois que a agência classificatória de risco Moody’s colocou em revisão os ratings das seguradoras de bônus MBIA e Ambac, para possível rebaixamento.

A Standard & Poor’s rebaixou o rating da dívida de Morgan Stanley, Lehman Brothers e Merrill Lynch e foi seguida pelo anúncio do Wachovia de um processo de reestruturação em sua diretoria, a fim de combater maiores baixas contábeis.

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A agenda de indicadores também contribuiu para aumentar as tensões. O aguardado Relatório de Emprego revelou uma expressiva elevação na taxa de desemprego dos EUA, que ficou em 5,5% em maio, maior nível desde 1986.

As variações

O Ibovespa acumulou perda de 3,87%, aos 69.785,87 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,37% na semana, a R$ 1,6340. No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,58% nesta sexta-feira, frente aos 14,16% do final da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 11,99%, estável frente à taxa registrada na sexta-feira anterior.

Agenda para a segunda semana de junho

Dentro da agenda da segunda semana de junho, os investidores olharão para os EUA atentos às vendas ao varejo e ao índice de preços ao consumidor, ambos referentes ao mês de maio.

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No cenário nacional, o destaque fica para a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio e para os dados do PIB (Produto Interno Bruto) referente ao primeiro trimestre.